
Li há alguns dias, no blog de Astier (que está nos links, claro) um rápido comentário sobre o fato de algumas pessoas só irem ver peças com famosos no elenco, e a frase ficou na minha mente. Vou pouquíssimo ao teatro, mais por uma questão de falta de opções aqui em Campina do que por falta de vontade minha. OK, há também a falta de tempo de ir mais vezes a João Pessoa ou, o que seria bem melhor, ir mais ao Recife, onde se pode acompanhar um pouco melhor o que acontece de interessante nos palcos. Acompanho o que acontece no teatro mais por leituras sobre do que pelas obras propriamente ditas, o que é um bocado frustrante. Sempre que estréia por aqui, então, quase qualquer peça - há certas comédias que são insuportáveis, não acho a menor graça e acabo me aborrecendo muito; prefiro nem ver - eu faço o possível pra ir assistir. Muitas vezes há atores famosos (mesmo que não do primeiro escalão) no elenco, mas iria mesmo se não houvesse.
Me incomoda essa falta de opções, e também a valorização exagerada de nomes nem sempre muito brilhantes, mas fico sempre pensando: e se a gente não for nem pra essas peças mais "populares"? se mesmo pessoas razoavelmente informadas (eu me incluo aqui!) freqüentam tão pouco o belo TMSC, como pensarão que há na cidade um público que gosta, que espera mais do teatro que apenas um espaço para recitais onde crianças da família mostram seus talentos ao piano ou dançando, a cada final de ano?
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A propósito: talvez já estivesse meio amarga com a derrota do Treze, mas não achei nada de especial na peça que estava em cartaz no último domingo, aqui [ Um Certo Van Gogh] . Bruno Gagliasso, astro da peça, é um ator que, mesmo não especialmente talentoso, ao menos parece se esforçar (afe. Esforçado não é elogio, Alana) e foge um pouco ao estilo Malhação de atuar e escolher papéis. Mas tudo parece um pouco adolescente demais, e me ficou uma impressão de "quero ser rebelde" que é sempre incômoda.
O ator declarou sobre a peça, em que também participa da produção: "O que a gente quer é apresentar um olhar sobre os sentimentos do Van Gogh, não sobre sua vida. Eu sentia uma necessidade de falar mais sobre o Van Gogh artista, que sobre sua vida... Essa coisa de ter sido internado todo mundo sabe. A dimensão artística do Van Gogh me impressiona muito. Ao mesmo tempo em que ele é tido como um paradigma na história da arte, é um cara que só vendeu um único quadro durante a vida. Um certo Van Gogh é um projeto de vida, não só um trabalho."
Devo estar mesmo me tornando cínica, infelizmente.
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