quinta-feira, 27 de novembro de 2008

enquanto isso, na sala de justiça

Finalmente uma notícia boa!
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

mudanças no meu comportamento

Fico chateado quando dono de blog não responde comentário ou - isso é pior ainda - responde uns e não outros.

Astier Basílio,
em seu blog.
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Agora me deu até vergonha de mim mesma.
Mas não é por mal que quase nunca respondo, Astier, juro.
Vou repensar isso.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

the old fashioned way


Quando era pequeno, em Santos, todo domingo eu corria para pegar o suplemento do jornal “O Diário de Santos”. Ia direto ver o que havia escrito a correspondente dos Diários Associados em Hollywood, Dulce Damasceno de Brito, que invariavelmente havia entrevistado algum astro famoso de um filme novo. Sempre tinha uma foto da jornalista posando com a personalidade - como a que ilustra esse texto, em que ela aparece ao lado de Bette Davis ("A Malvada").
Mais tarde, soube que houve outros brasileiros que moraram em Hollywood e haviam trabalhado como correspondentes, Vinícius de Moraes (como diplomata), Alex Viany, Louis Serrano (da revista "Cinelândia"). Mas eram todos intelectuais, não se fixavam nas celebridades – palavra, aliás, não usada tanto quanto hoje.

Como sempre disse Dulce, ela não era nem nunca quis ser crítica, era apenas uma fã.
Talvez seja por isso que eu me identifiquei com ela. No fim dos anos 60 e início dos 70, por problemas pessoais e profissionais, dentre eles o fim do sistema dos estúdios e dos Associados, Dulce retornou ao Brasil e escreveu um livo chamado "Hollywood Nua e Crua". Vale a pena procurá-lo em algum sebo porque foi o primeiro a contar toda a verdade do ponto de vista dela. Até então, todos os correspondentes estrangeiros compactuavam com a lei da mentira, um acordo de cavalheiros segundo o qual nunca se publicava coisas como o romance entre Katherine Hepburn e Spencer Tracy ou o fato de Rock Hudson ser gay. Embora ela se intitulasse fofoqueira, no livro revelou os fatos sem moralismo e com certa nostalgia.
Afinal, ela foi testemunha do fim de uma era que nunca mais vai voltar. Teve a chance de conviver com as estrelas de modo muito próximo. Não as figuras desglamurizadas de hoje, mas as lendas vivas, que viviam num Olimpo e hoje ainda são ícones. Assim, o filho dela brincava com o filho de Marlon Brando, Kim Novak a tratava como amiga pessoal, Marilyn Monroe também gostava dela. Dulce chegou a pedir para a atriz ajudar um dançarino brasileiro que atuava no número musical de “Os Homens Preferem as Loiras” – quanto mais próximo dela em cena, mais alto era o cachê.
Muitas vezes, Dulce me brindou com suas lembranças. Eleanor Parker como a mulher mais bela que já tinha conhecido. Sua paixão por Gregory Peck, sempre seu ídolo maior. Seu pequeno romance com o astro Fredric March. Com o tempo, ficamos amigos, cheguei a visitar sua casa e vasculhar seus incríveis arquivos. Era uma pessoa muito reservada, muito discreta e vaidosa, não gostava que as pessoas a vissem quando não estava no melhor de sua forma.
Eventualmente, publicamos pela “Coleção Aplauso” [da Imprensa Oficial] seu livro de memórias visuais, que foi enorme sucesso. Nesta altura, ela já estava bastante doente e o livro só saiu por causa da amizade e fidelidade do amigo cineasta e jornalista Alfredo Sternheim. Por causa do Mal de Parkinson , tinha dificuldade para escrever e foi o Alfredo que organizou o livro, sempre fiel às lembranças da amiga. Aliás, era Alfredo a única pessoa que ela consentia ver, foi seu grande esteio nos últimos tempos.
Não mencionei Carmen Miranda, sobre quem escreveu um livro chamado "ABC de Carmen Miranda", onde colocou tudo que podia sobre a melhor amiga. Ela foi a última pessoa que não era da família com quem Carmen esteve antes de morrer. Muitas vezes, se emocionou falando de Carmen, sua alegria contagiante, suas dores, seu final trágico e inesperado.
São tantas as lembranças que Dulce nos trouxe e nos provocou que só agora com sua passagem, seu desaparecimento, que a gente se dá conta da importância que ela sempre teve em nossa vida. De uma certa maneira realizou o sonho de todos nós, fãs e jornalistas, de entrar na intimidade dos ídolos, ganhar seu respeito e por vezes a amizade. Sem nunca perder ou destruir a ilusão que, afinal de contas, é a razão de ser da própria Hollywood.



Rubens Ewald Filho,
Adeus a Dulce Damasceno de Brito.
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Há sempre quem torça o nariz para REF. Ou para Dulce Damasceno, com seu estilo antigo de escrever, seus "mexericos da Candinha", sua tendência a valorizar quase que exclusivamente o cinema hollywoodiano antigo, e quase nada falar do mais recente. Ou melhor, valorizar quase que exclusivamente um certo tipo de cinema hollywoodiano, sob apenas certos pontos de vista; nada de muito analítico ou intelectual. Nada muito Cahiers du Cinéma.
Mas eu lia seus textos desde a adolescência - a minha, não a dela, claro - e nunca deixei de ter simpatia por eles, ou pelos de Rubens Ewald Filho. Ainda hoje prefiro, por exemplo, assistir à transmissão do Oscar com ele narrando, mesmo com suas gafes hilárias.
"Ela não era nem nunca quis ser crítica, era apenas uma fã.Talvez seja por isso que eu me identifiquei com ela." (2)
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sábado, 8 de novembro de 2008

cidade dos cegos


Viveca, você não está só: eu também não li o livro de José Saramago, mas gostei, e muito, do filme de Fernando Meirelles.
Assisti na última quarta-feira e, desde então, já paquerei o livro na Cultura algumas vezes, mas estou resistindo ao impulso porque sei que estou ainda sob o impacto do filme, e talvez apenas comece e acabe deixando pra lá, assustada por aqueles parágrafos quilométricos e pelo fato de que vontade é assim mesmo, dá e passa rapidinho. Vou deixar passar uns dias, pra ler (ou não) o livro por ele mesmo, sem a tentação da comparação.
Então, sem pensar que é a adaptação do livro de Saramago, o que já dá certo peso - Ensaio sobre a Cegueira é um ótimo filme, muito bem dirigido e com uma atuação perfeita de Julianne Moore (mais uma!), além da música do Uakti e de algumas cenas memoráveis, que emocionam e fazem refletir sem nunca parecerem piegas ou excessivamente "filosóficas". Gostei especialmente da igreja com os santos vendados e da cena em que Julianne Moore, sozinha e quase no escuro total, se percebe tão vulnerável quanto os cegos, justo num momento em que precisaria mais de sua visão, ao ter que escolher alimentos em um depósito de supermercado. Só por deixar o espectador tão perplexo, tão pouco confortável, o filme já mereceria aplausos.
Falar em solidariedade nesses tempos cínicos parece antiquado, mas é impossível não pensar, quando termina o filme, em idéias como O presente é tão grande, não nos afastemos./ Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas, de Carlos Drummond - somos todos irmãos.
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talvez desde pequeno tenha sido habituado a enxugar prantos

Gostava de ser recordado como o escritor que criou a personagem do cão das lágrimas, no Ensaio sobre a Cegueira. É um dos momentos mais belos que fiz até hoje enquanto escritor. Se no futuro puder ser recordado como "aquele tipo que fez aquela coisa do cão que bebeu as lágrimas da mulher", ficarei contente. Se alguém procurar naquilo que eu tenho escrito uma certa mensagem, atrevo-me pela primeira vez a dizer que essa mensagem está aí. A compaixão dessa mulher que tenta salvar o grupo em que está o seu marido é equivalente à compaixão daquele cão que se aproxima de um ser humano em desespero e que, não podendo fazer mais nada, lhe bebe as lágrimas.

José Saramago
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sábado, 1 de novembro de 2008

festa estranha, com gente esquisita

Esperar mais de 15 anos pra ver um filme nem sempre é bom, porque as expectativas, as cenas imaginadas (é, eu fico imaginando como será, como será...), a impressão esperada, enfim, nem sempre são alcançadas.
Mas uma das melhores coisas é quando sim, o filme era tudo aquilo mesmo, valeu a pena esperar!
Como aconteceu hoje, quando finalmente matei minha curiosidade em relação a Petulia, Um Demônio de Mulher (Petulia, 1968), o filme de Richard Lester que esperava ver desde que comecei a me interessar pelo cinema inglês da década de '60. Aliás, que filmes difíceis de achar, afe. Falo, claro, do mercado convencional de DVD, porque ainda estou no período dos DVDs oficiais, quase nada baixado do computador, ao menos por enquanto.
O que me interessava - e encontrei - nele: a psicodelia, fartamente presente naquelas cores sessentistas berrantes, nas minissaias lindas de Julie Christie, na própria estrutura narrativa do filme, bastante inusitada ainda hoje; Julie Christie linda, linda, a mais luminosa das atrizes inglesas sempre; a fotografia de Nicolas Roeg, que depois viraria um diretor dos mais interessantes; George C. Scott, grande ator, um charme; Joseph Cotten colorido!
Mesmo achando meio estranho demais, ao começar a ver, logo me envolvi com seus tempos confusos, sua edição mais rápida (e sem maiores explicações) do que outros filmes da época, o elenco ótimo e toda a presença hippie da São Francisco da época, com direito até a Janis Joplin logo no comecinho do filme.
Próximo passo: Lindsay Anderson!
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