
Se eu fosse um livro, seria...
"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector
Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender. Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.
Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender. Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.
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Medo.
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1 comentários:
Teste interessante, já tinha feito tempos atrás.
São formas de nos conhecermos ou de nos mostrarmos de antemão? De qualquer modo, ninguém saberá muito, por exemplo, se observar minhas Comunidades no Orkut. Tenho pouquíssimas, menos de quinze. Algumas são redundantes, como Cinema e o Fluminense. Mas uma delas é justamente sobre Clarice Lispector, procurando seu espaço lado a lado com Michel Foucault.
Se eu fosse um livro, mas quisesse deixar de sê-lo, iria preferir que meu papel fosse reciclado. Meu medo seria da temperatura que tudo reduz até cinzas, pois não somos fênix. Além disso, nem sempre vale o que está escrito. Entrelinhas podem contar mais do que linhas, sejam mal ou bem impressas.
Não se conhece mesmo um livro pela capa. Menos ainda pelo prefácio ou pela orelha. Mas estes podem ser mais interessantes do que os capítulos a seguir. O que jamais justifica Celsius ou Fahrenheit, seja em revoluções culturais ou pessoais. Mas sempre vale boas vindas a François Truffaut e Ray Bradbury.
Aliás, muito prazer: sou Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Em pocket book, claro.
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