
Antes das primeiras exibições públicas de seu "Romance" (2008), o diretor Guel Arraes chegou a dizer que "se vocês rirem muito, vou ficar bastante preocupado". Se continuou pensando da mesma forma, ele deve estar bastante preocupado até hoje, porque não deve ser fácil não rir muito vendo a sua mistura de romance, comédia, metalinguagem e regionalismos nordestinos. E não há nada de mal nesses risos...
A história começa cheia de romantismo (e daquele romantismo clássico, com muita paixão e drama), quando praticamente só aparece em cena o casal Ana (Letícia Sabatella) e Pedro (Wagner Moura, ótimo). Representando Tristão e Isolda no teatro, os dois se apaixonam, namoram, brigam e se separam em menos tempo do que dizem durar uma paixão (três anos?), para se reencontrarem exatamente três anos depois, novamente encenando a clássica tragédia romântica, agora num especial para a TV.
Mas o tempo passou, há mágoas e surge um elemento novo - e que elemento! - na pele de José de Arimatéia (Vladimir Brichta), um sertanejo que fará o papel de Tristão na montagem e que se envolve com Ana. E mais um drama: que José de Arimatéia que nada: Orlando é um ator desconhecido, namorado da produtora Fernanda (Andréa Beltrão), fingindo ser um não-ator para conseguir o papel.
Parece mesmo muito dramático, mas o diretor conta a história com leveza, os personagens "periféricos" são engraçadíssimos - além de Andréa Beltrão, Marco Nanini em poucas mas hilárias cenas ("É napa! É napa!"), José Wilker, Bruno Garcia e Edmilson Barros - e a comédia acaba sendo mais interessante que o romance.
Há quem critique sempre Guel Arraes por fazer "televisão no cinema", e não é tão falsa a acusação, mas não há como negar seu talento e criatividade, mesmo que soe um tanto repetitivo e "folclórico" em alguns momentos.
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