quinta-feira, 1 de outubro de 2009

febre de juventude


Parece uma receita pronta para agradar: atores famosos e carismáticos, além de belos; o Rio de Janeiro continua lindo; Bossa Nova na trilha sonora; anos '60, do dourado ao rebelde; um diretor de prestígio.
Mas, talvez justamente por ter tudo tão certinho, tão no lugar certo, acabe sendo Os Desafinados (2006)um filme mais previsível que empolgante, mais "televisivo" que outros filmes brasileiros tão acusados de aderir à estética "global", e algo decepcionante, porque se esperaria mais de Walter Lima Jr., o mesmo de belos filmes como A Ostra e o Vento (1997).
A história fala de um grupo de amigos que se reúne para formar um conjunto-bossa-nova e suas aventuras pessoais e profissionais entre o Rio de Janeiro e Nova York, do início dos anos '60 até o presente, cheia de referências - mais ou menos explícitas - à cultura da época: de Selton Mello imitando Belmondo na frente do espelho ao cabelo à Jean Seberg de Cláudia Abreu; das cenas de Bala Certeira e o "Cadê o Dib[Luft]?" à semelhança do destino do personagem de Rodrigo Santoro e do pianista Francisco Tenório Jr., desaparecido na Argentina nos anos '70.
É tudo muito simpático, muito querido mesmo pela nostalgia de uma época que, vista hoje, parece tão melhor e mais inspirada que nossos dias, mas essa saudade toda dos anos '60 já começa a incomodar, né não? Depois de tantas idas àquele momento, seja pela TV ou pelo cinema, já está se tornando repetitivo e menos interessante o assunto, precisando talvez de um pouco de descanso para evitar a sensação de déjà vu. Ou pior, de samba-de-uma-nota-só, que fala, fala e não diz nada.
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