sexta-feira, 27 de novembro de 2009

sonhos de consumo (vi)


É o símbolo do Google Chrome? No, no!
Em tempos de Guitar Hero, Rock Band e que tais, o Genius parece bem antiquadinho, mas bem que eu queria encontrar um por aí!
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

sei lá, sei lá

Algumas das coisas que em incomodam em Viver a Vida:

* a família de Helena - péssimos, todos. E que berço absurdo é aquele do bebezinho José? Sem proteção, sem mosquiteiro, sem lençol! (ok, aqui quem falou foi Alana-mamãe)
* a fotografia documental da favela do Bené.
* Camila Morgado - tão bonita, tão boa atriz, tão subaproveitada como aquela comentarista-séria-de-sainha-curtinha.
* os médicos - com exceção do belo Solano, claro.
* é racista, é racista e é racista - quer dizer que a mucama Helena tinha que ficar pajeando a mimada filha do patrão - digo, do marido? Só faltou que a Tereza a mandasse pro tronco.
* os depoimentos do final - alguns são mesmo tocantes & tal. Mas eu queria ver alguém que tivesse superado alguma coisa pela qual foi responsável - não uma doença, um acidente, nada assim força da natureza, mas alguma grande cachorrada, alguma traição, um arrependimento daqueles de tirar o sono...Eu queria ver alguém que tivesse superado a culpa.
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sábado, 21 de novembro de 2009

Maitena também acha.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

god save the queen


Nem é mais novidade: mais uma vez Kate Moss é acusada de promover a anorexia, agora por uma declaração à WWD, em que disse que de seus lemas é "nada melhor do que se sentir magra".
Choveram protestos contra a modelo, "um ícone para milhões de mulheres jovens" que, desde que começou a fazer sucesso, há já quase 20 anos, é vista por alguns como um exemplo negativo de atitude pró-anorexia. E por outros mais como um exemplo positivo da mesma coisa, claro; daí a importância de cada declaração que ela faz.
Longe de defender frases assim, à la Wallis Simpson e sua inesquecível "nunca se é magra ou rica o bastante", o que acho engraçado é que a polêmica que se cria a cada declaração dessas não faz com que as tantas pessoas que acham bonito ver seus ossinhos aparecendo mudem de idéia, antes reforçam sua idéia de que magreza is beautiful.
A abordagem do assunto pela imprensa sempre me parece ambígua, ora atacando as celebridades que aparentam ter algum transtorno alimentar, ora apontando cada grama adquirido por elas. Vá entender...
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domingo, 15 de novembro de 2009

*

eu tenho medo de altura
de dirigir
de decisões
de ilusões
dos grandes amores
dos carinhos fortuitos
tenho medo da perda
da dor imensa da perda
tenho medo do mar
do fascínio do mar
tenho medo da lua
da solidão da lua
tenho medo da rua
onde ele mora
tenho medo da estrada
da próxima curva da estrada
dos mistérios do olhar
da desilusão
tenho medo do chão que eu piso
de certos sorrisos
de ficar muito perto
de ventos
de raios
de trovões
tenho medo do mundo ao meu redor
do que pode ser pior
de não acordar do meu sono
do abandono
da noite escura
tenho medo de escuro
do que eu não consigo ver
tenho medo de não saber
de envelhecer
tenho medo de Deus
tenho medo de bandido
de homem fardado
tenho medo de olhar pro lado
de atravessar a rua distraída
de andar sozinha e calada
de segredos no ouvido
de promessas
de sonhos
de pesadelos
do desencontro
do desconforto
do que me conforta
de ficar à deriva
de ficar ancorada no porto
de não trancar a porta
de não abrir as janelas
tenho muito medo dele
morro de medo de mim
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sábado, 14 de novembro de 2009

banho de lua


Água na lua!
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(acabei de me lembrar de Lua de São Jorge, que eu cantava tanto, bem baixinho, sempre que voltava a pé do colégio pra casa. )
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

!


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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

fino all'ultimo respiro


Minha cinefilia (palavrinha meio metida, e que uso agora por não encontrar outra melhor) tem várias lacunas, equívocos e pecados com os quais já me acostumei e nem me deixam mais culpada - no máximo, envergonhada.
Tem também algumas contradições, pudores (por exemplo: eu nunca assisti a muitos dos clássicos "censura 18 anos", mesmo já sendo de maior há alguns - nem tantos assim, beibe - anos), e idiossincrasias. Um exemplo que talvez envolva esses três aspectos é Pier Paolo Pasolini.
Não que eu seja tão expert em cinema italiano - quem dera - mas Pasolini é uma espécie de última fronteira pra mim, um grande cineasta de que não consigo mesmo gostar, um diretor de cinema que mais gosto de ler (e ler sobre) do que ver seus filmes. Pode?! Mas que me emociona e atrai, sem que eu mesma entenda muito bem a razão.
Me envergonha pensar que a origem de meu interesse por PPP seja mais sensacionalista que cinematográfica, porque a primeira informação que tive dele foi justo sobre sua morte absurda. Mas não era só pelo escândalo que a notícia evocava, era mais por uma sensação de profundas pena e revolta , uma comoção algo desproporcional, mas que se mantém ao longo do tempo.
Como naquele poema tão belo de Eugénio de Andrade,

Eu pouco sei de ti mas este crime
torna a morte ainda mais insuportável.

Pode ser essa lua ou esse conhaque, ou só minha melancolia que volta & volta, mas outro dia quase choro, só por ler um poema de Pasolini que não conhecia, inspirado pelo Acossado de Godard:


Come in un film di Godard: solo
In una macchina che corre per le autostrade
Del Neo-capitalismo latino – di ritorno dall’aeroporto –
[là è rimasto Moravia, puro fra le sue valige]
solo, “pilotando la sua Alfa Romeo”in un sole irriferibile in rime
non elegiache, perché celestiale
il più bel sole dell’anno –
come in un film di Godard:
sotto quel sole che si svenava immobile
unico,
il canale del porto di Fiumicino
una barca a motore che rientrava inosservata
i marinai napoletani coperti di cenci di lana
un incidente stradale, con poca folla intorno…

come in un film di Godard – riscoperta
del romanticismo in sede
di neocapitalistico cinismo, e crudeltà –
al volante
per la strada di Fiumicino,
ed ecco il castello (che dolce
mistero, per lo sceneggiatore francese,
nel turbato sole senza fine, secolare,

questo bestione papalino, coi suoi merli,
sulle siepi e i filari della brutta campagna
dei contadini servi)…

sono come un gatto bruciato vivo,
pestato dal copertone di un autotreno,
impiccato da ragazzi a un fico,

ma ancora almeno con sei
delle sue sette vite,
come un serpe ridotto a poltiglia di sangue
un’anguilla mezza mangiata

le guance cave sotto gli occhi abbattuti,
i capelli orrendamente diradati sul cranio
le braccia dimagrite come quelle di un bambino
un gatto che non crepa, Belmondo
che “al volante della sua Alfa Romeo”
nella logica del montaggio narcisisti
cosi stacca dal tempo, e v’inserisce
Se stesso:
in immagini che nulla hanno a che fare
con la noia delle ore in fila…
col lento risplendere a morte del pomeriggio…

La morte non è
nel non poter comunicare
ma nel non poter più essere compresi.
E questo bestione papalino, non privo
di grazia – il ricordo
delle rustiche concessioni padronali,
innocenti in fondo, com’erano innocenti
le rassegnazioni dei servi –
nel sole che fu,
nei secoli,
per migliaia di meriggi, qui, il solo ospite,

questo bestione papalino, merlato
accucciato tra pioppeti di maremma,
campi di cocomeri, argini,
questo bestione papalino blindato
da contrafforti del dolce color arancio
di Roma, screpolati
come costruzioni di etruschi o romani,
sta per non poter più essere compreso.

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E ele era de Peixes.
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