quarta-feira, 17 de setembro de 2008

do you speak english?


Falava sobre o filme de Bruno Barreto que quer ir ao Oscar e me lembrei de alguns filmes não-americanos que ganharam o prêmio, fazendo da categoria Filme de Língua Não-Inglesa uma das mais interessantes.
Lembrei-me especialmente do primeiro a ganhar o tal prêmio, incluído apenas a partir de 1956 entre os que são submetidos à votação pelos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, como informa o Tudo Sobre o Oscar, de Fernando Albagli:

"Até 1955, o Melhor Filme de Língua Não-Inglesa ganhava um prêmio honorário concedido pela Junta de Diretores. A partir de 1956, a votação foi aberta a todos os membros da Academia que comprovadamente tenham assistido, em cinema, aos cinco indicados.
"As indicações são selecionadas por um comitê especial. Todos os países são convidados a submeter filmes a esse comitê, mas apenas um filme de cada país pode ser selecionado.
" Esta categoria não exige que o filme tenha sido lançado comercialmente em Los Angeles para ser escolhido. Mas deve ser exibido em seu país de origem, entre 01 de Novembro de um ano e 31 de Outubro do ano seguinte, durante sete dias consecutivos. Essa habilitação especial explica porque um filme podia ser indicado entre os melhores de língua não-inglesa num ano, e seu elenco, ou equipe técnica, indicado em outras categorias, em algum ano seguinte, ao ser exibido em Los Angeles. Atualmente, apenas os que não forem indicados poedm concorrer, em anos seguintes.
"(...) Segundo as novas normas, pelo menos duas das três pessoas responsáveis por ocupações-chave no filme (direção, roteiro e produção) devem ser do país que fez a inscrição. Parte significativa do elenco também tem que ser do país de origem. "

Sim, mas...
... mas o que me fez começar o post foi a lembrança do primeiro a ganhar o prêmio, já disse. E que filme! Foi o primeiro Oscar para um filme de Fellini, e um de seus melhores: A Estrada da Vida (La Strada), produzido por Carlo Ponti e Dino de Laurentiis e, claro, com Giulietta Masina inesquecível como Gelsomina.
Não sou das maiores fãs de Fellini, admito. Mas seus filmes eram sempre melhores com Giulietta, uma atriz que conseguia ser comovente, engraçada, bela, forte, frágil, lírica como pouquíssimas. E nesse filme, nesse papel, mais do que nunca.
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atualizando

Pra quem ainda não sabe:
o escolhido do Brasil como possível indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira: Última Parada 174, de Bruno Barreto. Ainda nem estreou comercialmente; foi exibido apenas por bem pouco tempo, acho que apenas em uma sala no interior de São Paulo (não tive tempo de ler mais, sorry), mas é condição obrigatória que os concorrentes tenham sido exibidos em seu país de origem no ano da premiação.
Ô força.
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sábado, 13 de setembro de 2008

eu sou um falso profeta

Não fui eu, foi Paulo Coelho...

Toda cor tem seu propósito, embora pensem que são escolhidas por acaso. Branco significa pureza e integridade. Negro intimida. Vermelho choca e paralisa. Amarelo chama a atenção. Verde faz com que tudo pareça tranqüilo, é possível seguir adiante. Azul acalma. Laranja confunde.

O Vencedor Está Só.
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verdade é, meu Senhor, que hei delinqüido


Reclamo & reclamo dos cinemas daqui e acabo deixando de ver alguns filmes quando passam, por falta de tempo, oportunidade ou, mais feio, de coragem de sair de casa e ir ao Shopping. Foi assim que não vi, pouco depois do Oscar, Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007), mesmo com Daniel Day-Lewis & tudo.
Só esta semana vi o filme de Paul Thomas Anderson, e fico pensando se a espera e a quantidade de coisas lidas sobre ele não diminuíram um pouco o seu impacto. Porque claro que gostei, que é um dos melhores filmes do ano, e que DDL reina soberano, tão magnético que nem consegui olhar muito para os outros atores (nem Paul Dano, que não me impressionou muito, aliás). Mas não me pareceu que tenha sido o grande filme, o Cidadão Kane dos anos 2000...
Para mim, tá mais pra Assim Caminha a Humanidade: grandioso, com personagens fortes e uma história maior que a vida; mas também um pouco cansativo em certos momentos. E talvez eu tenha perdido algo no caminho (são mais de duas horas de filme), mas parece faltar alguma coisa, algum sentido maior nas ações dos dois principais personagens (Daniel Plainview e Eli Sunday, o pastor da Igraja da Terceira Revelação), cada um tão ganancioso quanto o outro, mais diferentes na aparência do que no que pretendem de verdade.
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capas (vi)


Mais de 40 anos após sua morte, Marilyn Monroe continua sendo notícia e aparecendo em belas capas de revista.
Fotografada por Bert Stern, no famoso último ensaio que faria, a atriz aparece na capa da Vanity Fair de outubro/2008:

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terça-feira, 9 de setembro de 2008

sereias (iii)


Julianne Moore brinca de Ariel, para Annie Leibovitz.
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todos juntos, vamos


E começam os pitacos para o próximo Oscar.
O Ministério da Cultura divulgou hoje a relação dos filmes brasileiros que se candidataram a uma possível vaga brasileira na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira de 2008; deles será escolhido apenas um, a ser conhecido no dia 16 de Setembro próximo.

Há chances para:

- A Casa de Alice, de Chico Teixera
- A Via Látea, de Lina Chamie
- Chega de Saudade, de Laís Bodanski
- Era Uma Vez, de Breno Silveira
- Estômago, de Marcos Jorge
- Meu Nome Não É Johnny, de Mauro Lima
- Mutum, de Sandra Kogut
- Nossa Vida Não Cabe num Opala, de Reinaldo Pinheiro
- Olho de Boi, de Hermano Penna
- Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado
- O Passado, de Hector Babenco
- Os Desafinados, de Walter Lima Júnior
- O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli
- Última Parada 174, de Bruno Barreto
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

solos de guitarra não vão me conquistar


Notícia lida há alguns dias, já antecipada num daqueles flashes do Jornal MTV: Pesquisa comprova vínculos entre tipos de personalidade e uma gama grande de estilos musicais.

O estudo foi feito por um professor da universidade escocesa Heriot-Watt, chamado Adrian North, e chegou a algumas conclusões, após avaliar a personalidade e as preferências musicais de 36.518 pessoas, no mundo todo:

* "As pessoas freqüentemente definem seu senso de identidade por seu gosto musical, as roupas que vestem, pelo fato de frequentar determinados pubs e usar certos tipos de gíria. Assim, não surpreende que a personalidade também guarde relação com os gostos musicais."
* "Os fãs do jazz e da música erudita são criativos e têm boa auto-estima, embora os primeiros sejam mais extrovertidos e os segundos, mais tímidos."
* "Os fãs de música country e western foram classificados como pessoas trabalhadoras e tímidas, os fãs do rap, como extrovertidas, e os fãs da música indie têm baixa auto-estima e não são muito gentis."(indie bom é indie morto?!)
* "As pessoas que curtem música soul são criativas, extrovertidas, gentis, têm boa auto-estima e sentem-se à vontade com elas mesmas.."
* "Pessoas que optam por ouvir música agressiva e excitante têm mais probabilidade de ter bastante dinheiro, enquanto aquelas que curtem sons relaxantes tendem a ganhar menos."

OK. Primeira providência depois de ler os tais resultados: show de Scorpions, em Olinda.
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domingo, 7 de setembro de 2008

i coulda been a contender

O tempo passa, o tempo voa...

Já vai longe o tempo em que se ouvia essa musiquinha na propaganda de um banco. E já vai tão longe quanto o tempo em que se ouvia falar (e ler) sobre Mickey Rourke como astro de cinema, ou promessa de astro rebelde, à la Marlon Brando, que ele emulava em um de seus mais celebrados papéis, o Motorcycle Boy de O Selvagem da Motocicleta (Rumble Fish, 1983), de Coppola, o pai.
Dos anos '80 pra cá, o ator americano percorreu a trajetória clássica de certo tipo de celebridade: de astro promissor a sex-symbol (quem esquece suas cenas com Kim Basinger?), de sex-symbol a bom ator, contracenando com Robert De Niro em Coração Satânico (Angel Heart, 1997, de Alan Parker), de bom ator a astro pretensioso, querendo ser Charles Bukowski em Barfly (1987), seguindo então ladeira abaixo, com direito a filmes horríveis (Orquídea Selvagem, por exemplo); uma mudança frustrada de profissão, que acabou por destruir o que havia de belo em seu rosto, como boxeador; o casamento com uma top model que acabou em escândalos de violência (a bela Carré Otis, hoje modelo de roupas super size); tentativas de volta ao topo, com atuações elogiadas como em Sin City - A Cidade do Pecado(2005).
Na adaptação dos quadrinhos de Frank Miller, aliás, é perturbador vê-lo ainda mais monstruoso que na vida real, triste e trágico como se imagina que estivesse mesmo - anos antes, ele filmara novamente com Francis Ford Coppola em O Homem que Fazia Chover (The Rainmaker, 1997) e dera conselhos melancólicos sobre como lidar com a fama a Matt Damon, o protagonista do filme, então em ascensão. O filme dirigido por Frank Miller e Robert Rodríguez também foi bom para me tirar uma dúvida antiga: não, Mickey Rourke e Bruce Willis não são a mesma pessoa.
E não é que agora, 21 anos depois daquela bela capa da primeira edição da SET, volta a se falar em Rourke como astro, já previamente cotado para o Oscar? Seu filme dirigido por Darren Aronofsky, The Wrestler, foi ontem o vencedor do 65° Festival de Cinema de Veneza, e vem sendo elogiadíssimo, assim como a atuação dele como um lutador de luta livre; não ganhou o prêmio de melhor ator, o que causou certa polêmica, mas era um dos favoritos.
De quem será o próximo retorno dos 80's? Don Johnson?!
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

para todas as outras existe mastercard


Há algumas atrizes que sempre me fazem ver seus filmes: Audrey Hepburn, Ingrid Bergman, Jeanne Moreau, Isabelle Adjani, Nastassja Kinski, Audrey Tautou. Pode até nem ser um bom filme - o que vale especialmente para Kinski, mas não se aplica a Adjani ou Hepburn, que não têm filmes ruins.
Quanto a Audrey Tautou, é o já velho clichê: claro que adorei Amélie Poulain e desde o filme fiquei fã dela, procurando ver o que estivesse à mão: do anterior Instituto de Beleza Vênus, que é ótimo, ao hollywoodiano O Código Da Vinci, nada tanto assim. E, graças a Amélie também, certamente, têm chegado aos cinemas daqui alguns dos filmes dela, o que não é nada comum para as produções européias.
Como o francês Amar... Não Tem Preço (Hors de Prix, 2006), de Pierre Salvadori, que vi ontem. Parece uma versão século XXI de Bonequinha de Luxo, mais uma vez forçando um pouco a semelhança entre as duas Audreys, mas não deixa de ser charmoso, leve. Poderia descambar para um moralismo mais chato, ou para a seriedade de falar sobre a prostituição e o consumismo exacerbado, mas prefere o romantismo e o bom humor, felizmente, ao contar uma história de amor entre uma garota que depende da bondade de estranhos (velhos escandalosamente ricos) e um garçom tímido que ela confunde com mais um milionário, e que até ficará por um tempo como uma versão masculina dela, em hotéis maravilhosos da Riviera francesa.

Enfim, nada como uma comédia romântica pra alegrar a vida.
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capas (v)


Notícia véia, mas me lembrei hoje dessa foto que acho maravilhosa, e que causou polêmica no início deste ano, estampada na capa do Le Nouvel Observateur (de Janeiro/2008): Simone de Beauvoir nua (mas de saltinho), fotografada de costas arrumando seus cabelos, aos 50-e-poucos-anos. Num momento em que se celebravam os cem anos de nascimento de uma das mais famosas intelectuais do século XX, ícone feminista, mostrá-la em posição tão inesperadamente indiscreta, ainda por cima retocada (a imagem parece haver passado por algum daqueles processos digitais, que a teriam tornado mais "certinha"), causou furor entre os admiradores da escritora francesa, ao ponto de até passeatas serem feitas para a retratação da revista. Adoro isso.
A foto foi feita em 1952, quando Simone vivia um romance com o americano Nelson Algren, um dos seus amores-contigentes na longa relação com Jean-Paul Sartre. Ela estava em Chicago, na casa de um amigo de Algren, o fotógrafo Art Shay, então estagiário da revista Life, que a teria surpreendido e feito o registro. A reação dela? "Você é um menino mau." Só.
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terça-feira, 2 de setembro de 2008

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- Que frase resume você?
- Estou ansiosa pra virar zen.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

onde estavas quando as luzes se apagaram?


Existe afinal diferença entre a apreciação de um filme, dependendo de onde o vemos? Ou: será mesmo que o cinema, a sala de cinema, por si só, já melhora qualquer filme?

O site IMDB perguntou aos seus visitantes, há alguns dias, "Como você viu seu filme favorito a primeira vez?" E obteve como principais respostas: 46,6% -> em DVD/ vídeo; 28,9% -> em salas de cinema.
Sinal dos tempos? Perhaps perhaps perhaps. Mudança no comportamento dos cinéfilos, buscando mais o lar para a experiência cinematográfica? Ppp.

Anyway, eu, como boa fã dos rituais, prefiro ver filmes no cinema, mas moro no meio do mato e isso me faz ter visto a maior parte dos meus filmes favoritos no DVD e na TV, mesmo.
Mas o favorito, o überfavorito, eu vi primeiro no cinema, com muito orguio, mesmo que (ou talvez isso tenha contribuído mais ainda para a sua importância pra mim) em condições bem adversas. Numa noite especialmente solitária, véspera de uma prova de residência, no meio de uma fossa abissal, quem me salvou foi Os Incompreendidos, e eu agradeço até hoje.
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