quinta-feira, 27 de maio de 2010

strange behaviour


E de repente ele viu sua mulher naquele vestido roxo da noite em que a conhecera, reviu a expressão do rosto dela quando os seus olhares se cruzaram pela primeira vez - aquela expressão que o fizera se apaixonar imediatamente. À época, ele pensara que a expressão se devia ao vestido, à insegurança de usar um vestido tão sofisticado, num clube sofisticado. Mas não, não fora bem isso. Era a expressão de terror, um terror mal reprimido, que nunca a abandonava. Era o pavor do mundo exterior - de trens, de bombas, de bondes chocalhantes, de britadeiras, de avenidas mergulhadas nas sombras, dos russos, de submarinos e de bares cheios de homens raivosos, de mares povoados de tubarões, de asiáticos com um livro numa das mãos e um rifle na outra.
Dolores tinha medo de tudo isso e de muito mais. O que mais a aterrorizava, porém, estava dentro dela, uma espécie de inseto dotado de uma existência sobrenatural, que sempre vivera no seu cérebro, brincando com ele, arrancando-lhe os cabos ao seu bel-prazer.

Dennis Lehane,
Paciente 67.
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

passione


Não que eu precisasse de alguma desculpa pra ver mais uma novela - e mais uma de Sílvio de Abreu, ainda por cima - mas essa é irresistível:

"'Passione' vem da paixão por um período específico do cinema italiano que eu adoro. A comédia e o melodrama italianos dos anos 1940, 1950 e 1960, juntos, eram humanos, cômicos, verdadeiros e abso­lutamente irresistíveis. Durante minha juventude tive o privilégio de acompanhar o auge desse cinema. Vittório de Sica, Mario Monicelli, Fellini, Visconti, enfim, os grandes diretores italianos, e os mais populares como Steno; os atores como Totó, Aldo Fabrizi, Alberto Sordi, Marcello Mastroianni, Sophia Loren, Gina Lolobrigida... Tudo isso formava um mundo muito fascinante. E a Itália, para mim, era um país cativante, mágico, ensolarado, divertido, para onde eu sonhava ir. Assistia a esses filmes com enorme prazer. "
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Há alguns dias, entrevistada por Jô Soares, Mariana Ximenes falava que achou lindo algo que Sílvio de Abreu dissera sobre como assistir aos filmes de Hollywood, como os musicais da Metro, o deixavam feliz, na juventude. Como o inspiravam, como o faziam sonhar.
Como eu poderia não gostar desse homem?

(só uma dúvida: aquele filme a que Tony Ramos & família assistiram no primeiro capítulo é Os Girassóis da Rússia? a história parece com a da personagem de Leandra Leal, o cabelo de Sophia Loren também...)
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sábado, 1 de maio de 2010

deus permite a todo mundo...


Feriado: Dia do Trabalho.
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