domingo, 31 de agosto de 2008

blog day

Graças ao querido Juan - logo ali nos links, olhem! - soube que hoje, 31 de Agosto, é o Blog Day.

http://www.blogday.org/pt.htm
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hold my poodle


Notícia lida no UOL Bichos, há alguns dias:

Poodle é o cachorro ideal para a família Obama, diz pesquisa

Nova York, 28 ago (EFE).- O poodle é a raça de cachorro ideal para a família do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, segundo uma enquete do American Kennel Club divulgada hoje.
A organização explicou em comunicado que teve a idéia de consultar os americanos ao saber que Obama prometeu a suas filhas Malia e Sasha, de dez e sete anos, que compraria um cachorro para elas depois das eleições, independentemente dos resultados do pleito.
Para realizar a enquete, o clube fez uma pré-seleção dos candidatos a se tornar o cão da família Obama, levando em conta que as filhas do candidato democrata sofrem com alergias.
Outros requisitos para o cachorro dos Obama eram que deveria ser de uma raça sociável com as crianças, um bom companheiro de viagem a bordo do avião presidencial Air Force One, ter um nível de energia moderado e um temperamento estável de modo a "se adaptar a uma ampla variedade de visitantes, desde chefes de Estado a membros da imprensa".
Na votação, em que participaram mais de 42 mil pessoas, o poodle conseguiu vencer "por poucas centenas de votos" o wheaten terrier de pêlo suave, "em uma disputa quase tão acirrada como a de Hillary Clinton e Obama para ganhar a nomeação democrata à Presidência", assinalou o American Kennel Club.
O American Kennel Club lembrou ainda que o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, tem 24 animais de estimação, entre eles cinco cachorros, enquanto para a família Obama esse seria o primeiro cão.
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Viva Kalu!
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sábado, 30 de agosto de 2008

olhos de ressaca


Mais um motivo para eu amar os Simpsons sobre todos os outros desenhos (desculpe, Manda-Chuva): só hoje descobri - descobriram pra mim, na verdade - que, num longínquo episódio da quarta temporada da família, entre várias outras referências cinematográficas, aparece uma especialmente querida para mim.
A certa altura de Kamp Krusty, Lisa é vista toda misteriosa, encapuzada e enevoada, encontrando-se com um homem a cavalo. Filmada de perfil, ela arregala os olhões à la Meryl Streep em A Mulher do Tenente Francês (The French Lieutenant's Woman, 1981), um dos meus filmes favoritos, adaptado de um dos meus livros favoritos. A mesma expressão de mistério, solidão e loucura que hipnotiza o cientista Charles (Jeremy Irons) e quem lê o livro ou vê o filme.

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shiny happy people

Pára tudo!
Nem coleção de VEJA, nem novas visitas ao Shopping, nadanadanada.
Mesmo que eu fique a roer ossos, mas não posso deixar de seguir a ordem:

*O REM fechou contrato para tocar no Brasil. Serão provavelmente cinco shows, em Porto Alegre, Rio e São Paulo, entre 5 e 12 de novembro. As datas e os locais estão sendo definidos pela produtora Mondo.*

Como se já não bastassem a possibilidade de ver Madonna e a viagem - esta já jurada e sacramentada na CVC - de outubro, ainda mais essa!
E eu não posso deixar de querer ver ELE - Michael Stipe. Depois dos Beatles e do choro dos babys, o REM deve ser o que eu mais ouço na vida, e o que, mais grave, mais me escuta e responde. Se não fosse por Losing my religion, Man on the moon (uma música tão linda para um ator tão chato), a música pra Montgomery Clift etc. etc., Michael Stipe já seria o máximo só por ser tão assumidamente humano a ponto de eternizar duas das coisas mais ridículas (e boas) da TPN (tensão pré-namoro), em At my most beautiful: I read bad poetry/into your machine/I save your messages/just to hear your voice...
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http://www.youtube.com/watch?v=WFt_E4fl_sA
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ligue djá

Dúvidas, dúvidas...
É quase sempre difícil resistir ao meu impulso colecionista, que pode abarcar de Barbies a filmes de Truffaut, passando por marcadores de livro roubados de amigos, irmão, livrarias...
E agora, ou melhor, domingo passado, a VEJA chega com um DVD e um livrinho prometendo "especialmente para você uma superseleção de 50 grandes sucessos do cinema. (...) O melhor de cada gênero (...) tão indispensável como cinema."
Começa com A Cor Púrpura e termina com Um Sonho de Liberdade (nenhum dos dois particularmente atraente pra mim), mas no meio há Hitchcock (Disque M para Matar e Intriga Internacional), Monty Python, O Informante etc. Há alguns que já tenho - A Malvada, Edward Mãos de Tesoura, Ligações Perigosas, por exemplo - outros que não faço muita questão em ter (ou mesmo ver, como Mad Max).
O preço até que não está tão extorsivo, mas me incomoda a obrigatoriedade (eu gosto de minhas coleções, minhas escolhas), a impressão de livro comprado a metro.

Aqui:
http://www.assineabril.com.br/assinar/colecao-cinemateca-veja/
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hey, ho, let's go

1. Try a Little Tenderness - Ottis Redding, em Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights)
2. No Ceiling - Eddie Vedder, em Na Natureza Selavagem (Into the Wild)
3. A Whiter Shade of Pale - Procol Harum, em Ondas do Destino (Breaking the Waves)
4. Across the Universe - Rufus Wainwright, em Uma Lição de Amor (I am Sam)
5. Come Pick me Up - Ryan Adams, em Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown)
6. Twisted Nerve - Bernard Herrmann, em Kill Bill, Vol. 1
7. The Sounds of Silence - Simon & Garfunkel, em A Primeira Noite de um Homem (The Graduate)
8. Just Like Honey - The Jesus & Mary Chain, em Encontros e Desencontros (Lost in Translation)
9. It Wouldn't Have Made Any Difference - Todd Rundgren, em Quase Famosos (Almost Famous)
10. Most of the Time - Bob Dylan, em Alta Fidelidade (High Fidelity)
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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

a vida como ela era

E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saia delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!

O Primo Basílio,
de Eça de Queirós.
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(estou vendo a minissérie de novo, e de novo achando incrível como Daniel Filho conseguiu fazer tudo tão perfeito e, quase vinte anos depois, estragar daquele jeito...)
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spanglish

Ainda a propósito de Vicky Cristina Barcelona:
O Ilustrada no Cinema trouxe, há alguns dias, trechos do diário de filmagens de Woody Allen, publicados no New York Times.
Mas é claro que não parece ser sério.
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2 de janeiro:
Recebi uma oferta para escrever e filmar em Barcelona. Preciso ser cauteloso. A Espanha é ensolarada, e eu tenho sardas. O dinheiro não é grande coisa, mas o agente negociou para mim um décimo de 1% de tudo o que o filme fizer acima de US$ 400 milhões depois de cobertos os custos da produção.
Nenhuma idéia para Barcelona, a não ser talvez adaptar a história de dois judeus de Hackensack (Nova Jersey) que abrem uma empresa de embalsamamento por correspondência.

5 de março:
Encontrei Javier Bardem e Penélope Cruz. Ela é arrebatadora e muito mais sexual do que eu imaginava. Durante a entrevista, minhas calças pegaram fogo.
2 de abril:

Ofereci o papel para Scarlett Johansson. Ela disse que, antes que pudesse aceitar, o roteiro teria de ser aprovado por seu agente, depois por sua mãe, de quem ela é muito próxima. A seguir, pela mãe do agente. No meio das negociações, ela mudou de agentes; depois, mudou de mães. Ela é talentosa, mas pode ser problemática.
15 de junho:

Trabalho finalmente em curso. Filmei uma tórrida cena de amor entre Scarlett e Javier. Se fosse há alguns poucos anos, eu teria feito o papel de Javier. Quando mencionei isso a Scarlett, ela disse: "U-hu!", com uma entonação enigmática.
26 de junho:

Filmamos na Sagrada Família, a obra-prima de Gaudì. Estava pensando que tenho muito em comum com o grande arquiteto. Ambos desafiamos as convenções, ele com seus projetos de tirar o fôlego e eu usando um babador de lagosta no chuveiro.
3 de agosto:

O diretor é parte professor, parte psicólogo, parte figura paterna, guru. É então alguma surpresa que, após algumas semanas de filmagens, Scarlett e Penélope estejam interessadas em mim?
10 de agosto:

Dirigi Javier numa cena dramática hoje. Tive que ler as falas para ele. Enquanto ele me imita, vai bem. No momento em que decide atuar por conta própria, se perde. Depois chora e se pergunta como conseguirá sobreviver quando eu não for mais seu diretor.
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da vida das marionetes (xiv)


Woody Allen e parte do elenco de seu Vicky Cristina Barcelona (2008): Javier Bardem, Penelope Cruz e Scarlett Johansson.
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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

sugar blues


Muita tinta foi gasta psicoanalisando-se a causa da bulimia de Diana. Está claro que sua aflição começou como um contra-ataque em represália às três pesadas refeições diárias, acrescidas do bolo da hora do chá em Windsor, cujos resultados eram fielmente retratados nas fotos diárias da "menina gorda" espalhadas pelo mundo inteiro. As revistas de celebridades de hoje estão cheias de rostos encovados de estrelas cujas silhuetas já foram proporcionais, que se transformaram, pela exposição ininterrupta, em fantasmas famélicos ressecados, presos a cabelos de aplique. Todos agora tinham os olhos voltados para a tímida Di, com suas maçãs do rosto tão vermelhas quanto os tapetes do palácio. Maltratar o corpo era como uma segunda natureza das mulheres na família de Diana - tal como escrever cartas de agradecimento. A bulimia, de uma certa maneira, é a greve de fome das meninas educadas. Primeiro você agrada seu anfitrião comendo com gosto, depois você purga seus pecados curvando-se e vomitando tudo. Depois de um tempo, é a purgação, e não a comida, o mais importante. Diana sempre disse que se sentia "mais calma", quase que sedada, depois de vomitar. Quando o casamento de sua mãe com Shand Kidd estava desmoronando, Frances muitas vezes "esquecia" de comer e, em vez disso, tomava líquidos no almoço. A anorexia de Sarah foi tão ruim para os impressionáveis anos do início da adolescência de sua irmã Diana que lady Elizabeth Anson, ela mesma uma bulímica "recuperada", recusou-se a contratar Sarah para um emprego na Party Planners. Lady Elizabeth acreditava que os pacientes com bulimia gastam toda a energia em mentiras secretas e protetoras e não queria ser acusada de piorar a situação de Sarah, que já era crônica.


Diana - Crônicas Íntimas,
de Tina Brown.
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Lembrei imediatamente este trecho da biografia da Princesa Diana, ao ler a notícia no UOL:

Fatia de bolo de casamento de Diana e Charles é leiloada.

Uma grande fatia de um bolo preparado para celebrar o casamento de lady Diana Spencer com o príncipe Charles foi vendida por 1.000 libras (cerca de R$ 2.980) em um leilão no Reino Unido.
A porção tem a forma de um quadrado com 23 centímetros e havia sido dada a Moyra Smith, uma faxineira da residência real de Clarence House, em Londres, por um chef da família real, em 1981. (...)
A fatia foi comprada por um colecionador privado do Reino Unido que deseja permanecer anônimo.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

about me

Dia de faxina na casa e no Orkut - que às vezes é mais demorada do que a primeira, e isso é absurdo.
Começo e vejo que há recados sem resposta - vários! - de pessoas queridas ou apenas contatos virtuais que mandam aquelas mensagens automáticas cheias de bichinhos e tenha-fé-em-Deus-tenha-fé-na-vida. Antes eu respondia a todos, tinha mais tempo e mais dedicação às amizades das grades azuis, algumas delas transportadas também para este lado do paraíso, pessoas que, mesmo sem proximidade (ou aquelas de quem me reaproximei apenas virtualmente), sempre são companhia. Aí tento me desculpar pelo atraso e retorno as mensagens, mas nem sempre dá, claro. Como agradecer só agora, mais de cinco meses depois, a um Feliz Aniversário?
A verdade é que tô meio cansada, preguiçosa para conversar até por aqui. E olha que ao vivo tá bem pior, com esta gripe no-jen-ta e uma tosse a cada duas sílabas.
E tenho medo de ser mais interessante no Orkut & etc. do que na vida real.
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noia

Também esta noite passará

Esta solidão em torno
sombra titubeante de fios viários
sobre o úmido asfalto

Olho como os cocheiros
a meio-sono
cabeceiam


Tédio,
Giuseppe Ungaretti,
na tradução de Haroldo de Campos
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terça-feira, 26 de agosto de 2008

hilário eletoral

É louvável que se incentive o voto consciente, a escolha responsável para cargos públicos, e todo recurso pode ser válido para o objetivo.
Opa - quase todo.
Talvez para que as campanhas se tornem menos "sérias", ou menos didáticas, a cada período que antecede as eleições (engraçado que nos anos ímpares é tudo meio esquecido) surgem algumas novidades nos intervalos da TV. Este ano já vi umas cinco vinhetas, acho, e têm me parecido mais engraçadinhas que as de outros anos. Mas, por outro lado, algumas achei de um mau gosto que me incomodou.
Sabe aquela do observador que perde a oportunidade de ver o cometa, porque foi procurar pilha para a luneta? Dessa eu até gostei. E da do outro que perde de ultrapassar a linha do trem por causa da bagunça no carro.
Para as outras me faltou mais humor. Talvez eu tenha levado mais a sério do que o necessário (pra variar), e eu nem sou politicamente correta nem nada, mas me incomodou o que parecem ser piadas às custas de ações que, em outro contexto, poderiam ser sintomas, manifestações patológicas, e não só esquisitices.
A primeira vez que vi a vinheta do homem que cismou ter uma abelha no ouvido, alimentando-a inclusive, fiquei atenta em frente à TV pensando que se tratava de alguém com TOC. Como também poderia ser aquela moça que fica andando em círculos em momentos de maior pressa. O rapaz que sapateia quando nervoso também poderia estar em certos ambulatórios, não muito diferente de alguns portadores da Síndrome de Gilles de la Tourette.
Não há muita graça em rir de sintomas, especialmente se você já teve algum deles, ou alguém muito próximo a você. Ou algum paciente seu. E eles estão bem longe de ser tão voluntários quanto um voto.
Ou talvez eu apenas não tenha entendido a mensagem, claro.
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

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Quando um amor termina
tenho vontade de desenterrar
todos os outros, os já terminados
mil anos atrás

Fico com saudades daquele boboca
que achava-se poeta.
Todos se achavam poetas...
ou poetas.

Tenho essa mania:
compulsão por repetição.
São todos tão parecidos,
são todos Eu com pau,

Mas piorados.

Quando o amor termina
quero recolher a beleza que
ofereci como uma espécie de soro.
Radicais livres sugados num canudo.

O amor me faz uma bondosa enfermeira.
Quando termina peço a conta da clínica
geriátrica e vou visitar os mortos, aqueles
amores antigos, no cemitério.

Mas a boa assistente já secou a sua
paciência.

E todas as rosas que não recebeu,
e mesmo as que recebeu: também estão secas.
Aí eu fico com uma imensa vontade de
mijar.


Fernanda Young
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quais são as cores que são suas cores de predileção?


Encontrei a lista a seguir no blog do Vlademir - O Olhar Implícito - não resisti e a arrastei pra cá, claro. Porque listas têm sempre esse poder sobre mim, eu tenho listatropismo +, talvez porque elas sejam geralmente fonte de coisas boas de se pensar e conversar. Ou apenas de moídos, em bom idioma campinense.
Decupando: trata-se de uma seleção de filmes feita por Martin Scorsese, que é, sem muita dúvida, um dos maiores cineastas vivos, além de ser um dos que mais amam e conhecem o cinema. O critério: as mais belas fotografias em cores, em fimes de língua inglesa e não-inglesa.
Claro que sempre há quem leia e pense "mas, o queeeeeê?! faltou Tal Filme?!" , "E Aquele Outro, então?! O Scorsese não é mais aquele, olha a cara dele..."
Mas a lista é dele, e começa logo com quem? Com o melhor filme que Stanley Kubrick fez:


FILMES EM LINGUA INGLESA:

1. Barry Lyndon (1975)
- de Stanley Kubrick
- fotografia de John Alcott

2. Duelo ao Sol(Duel in the Sun,1946)

- de King Vidor
- fotografia de Lee Garmes, Ray Rennahan, Hal Rosson

3. Os Invasores de Marte (Invaders From Mars,1953)

- de William Cameron Menzies
- fotografia de John F. Seitz

4. Amar Foi Minha Ruína (Leave Her to Heaven, 1946)

- de John M. Stahl
- fotografia de Leon Shamroy

5. Moby Dick (1956)

- de John Huston
- fotografia de Oswald Morris

6. O Fantasma da Ópera (Phantom of the Opera,1943)

- de Arthur Lubin
- fotografia de W. Howard Greene, Hal Mohr

7. Os Sapatinhos Vermelhos(The Red Shoes, 1948)

- de Michael Powell, Emeric Pressburger
- fotografia de Jack Cardiff

8. Rastros de Ódio (The Searchers (1956)

- de John Ford
- fotografia de Winton C. Hoch

9. Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain,1952)

- de Stanley Donen, Gene Kelly
- fotografia de Harold Rosson

10. Um Corpo que Cai (Vertigo,1958)

- de Alfred Hitchcock
- fotografia de Robert Burks.


FILMES EM LINGUA NÃO-INGLESA

1. O Desprezo(Le Mépris, 1963)

- de Jean-Luc Godard
- fotografia de Raoul Coutard

2. Gritos e Sussurros (Viskningar Och Rop, 1972)

- de Ingmar Bergman
- fotografia de Sven Nykvist

3. Portal do Inferno (Gate of Hell, 1953)

- de Teinosuke Kinugasa
- fotografia de Kohei Sugiyama

4. Amor à Flor da Pele (In the Mood For Love,2000)

- de Wong Kar-Wai
- fotografia de Christopher Doyle, Mark Lee Ping-bin

5. O Último Imperador (The Last Emperor,1987)

- de Bernardo Bertolucc
- fotografia de Vittorio Storaro

6. Deserto Vermelho (Red Desert,1964)

- de Michelangelo Antonioni
- fotografia de Carlo Di Palma

7. O Rio Sagrado (The River,1951)

- de Jean Renoir
- fotografia de Claude Renoir

8. Satyricon (1969)

- de Federico Fellini
- fotografia de Giuseppe Rotunno

9. Sedução da Carne (Senso,1954)

- de Luchino Visconti
- fotografia de G.R. Aldo, Robert Krasker, Giuseppe Rotunno

10. Shadows of Forgotten Ancestors (1964)

- de Sergei Paradjanov
- fotografia de Viktor Bestayev, Yuri Ilyenko
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domingo, 24 de agosto de 2008

presença de espírita

Estou naquela pior fase da gripe: dôda indupida, com dor no corpo inteiro e, como de hábito, rouca como o Pato Donald. Deveria ter ficado então em casa hoje, deitada debaixo do meu cobertorzinho branco, tomando meu Prelone sossegada e sem chatear ninguém com a tosse rouca e seca da alergia.
Havia ainda o risco (concretizado, que a Lei de Murphy é certeira) de encontrar aquelas personas non gratas que vivo tentando evitar, mas em eventos espíritas isso se torna quase impossível.
E então, depois de um longo e tenebroso (nem tanto, tô exagerando no drama) inverno, voltei hoje a freqüentar uma reunuião promovida pela AME (Associação Médico Espírita), numa ocasião especial: palestra de Alberto Almeida sobre Terapias de Regressão a Vivências Passadas. Tema polêmico e sempre curioso, com um pezinho no charlatanismo, mas que ele desenvolve tão bem, de maneira ao mesmo tempo tão bem-humorada e séria, sem paranóias nem mistificações, que é impossível não se sentir em paz ao ouvi-lo falar. Claro, quando minha tosse medonha me deixava ouvir o que ele dizia.
Litros de água consumidos, quilos de pastilhas idem.
E sempre aqueles encontros engraçadíssimos entre espíritas-que-não-ousam-dizer-seu-credo:
- Você por aqui?!
- É, eu vim mais por curiosidade, nem conhecia...
Ou:
- Amanhã você vai lá? [cara de segredo comprometedor]
- [antes olhando para os lados, baixando a voz] Vou; na mesma hora, né?

Quem ouve de fora é capaz de confundir uma reunião usual da Associação com um encontro ilícito. Vá entender...
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sábado, 23 de agosto de 2008

razão tem sempre cliente

(puxando para cá a discussão do Orkut, porque gostei da conversa)
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Acho que começou tudo junto: eu lia as críticas da SET e da BIZZ (ambas de saudosa memória; a segunda realmente falecida, a primeira numa situação ainda pior, já que nem foi avisada que um clone mal ajambrado ocupou seu lugar nas bancas) e procurava ver os filmes que podia, entre os que me interessavam.
Logo surgiram os livros, como os Guias de Vídeo e o amado Dicionário de Cineastas, de Rubens Ewald Filho, que ganhei de meu irmão em 1988, acho, e até hoje guardo com amor), e mais revistas, como a Vídeo News e a Cinemin, esta com seus textos antiquados, suas fotos em P&B, seus filmes antigos - qual outra falaria de Monstros (Freaks)?; sempre imaginei velhinhos escrevendo lá.
Como chegavam (chegam, ainda) poucos filmes nos cinemas desta vila que Teodósio achou, e o vídeo não era uma prioridade numa época de vacas desnutridas aqui em casa, eu me valia do que passava no Corujão da Globo e, muito, do que lia. Truffaut, por exemplo, eu conheci lendo, só depois fui ver os filmes.

Sendo assim, não consigo achar que "a crítica não vale nada", que "quem sabe sou eu" & tudo & tal.
Eu gosto de ler críticas de filmes, sempre gostei, mesmo que minhas preferências tenham mudado, com o tempo. Se antes REF era o bam-bam-bam para mim (ainda lembro de sair correndo no meio do almoço só pra ouvi-lo falar, no Jornal Hoje), o posto já foi ocupado por vários outros: Inácio Araújo e seu amor ao cinema americano, Luiz Carlos Merten e o seu pelo italiano (o cinema! o cinema!), Ana Maria Bahiana e sua respeitabilidade pop, os que escrevem na Contracampo; e os mais antigos: Pauline Kael e sua fúria contra Oliver Stone, André Bazin, José Lino Grünewald, Paulo Emílio Salles Gomes (o que sorri na foto acima, o nosso Bazin). E Renato Félix, claro.
Li outro dia, no prefácio do livro de André Bazin O Cinema da Crueldade, by Trufô, um trecho que ilustra à perfeição o que eu gosto de ler numa crítica:

"André Bazin definiu muito claramente sua vocação quando escreveu: 'A função do crítico não é trazer numa bandeja de prata uma verdade que não existe, mas prolongar o máximo possível, na inteligência e na sensibilidade dos que o lêem, o impacto da obra de arte.' "
Antes, no mesmo texto, ele já dissera que "Bazin se preocupava muito mais em analisar e descrever os filmes do que em julgá-los."

Lindo.

Quanto a nem sempre concordar com o que leio (e REF tem partido meu coração cinéfilo), quem sou eu pra discordar de Alberto Caieiro?

O espelho reflete certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo.
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não olha a bagunça (iii)


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não olha a bagunça (ii)




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não olha a bagunça(i)




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trate-me por alana

Eu sempre preferi Alice. Ou Ana (não Aninha, Ana mesmo, como Ana Terra), ou Lara (Laura ainda é mais bonito, mas me parece nome de louca, ou de mulher que trai o marido - me desculpem as Lauras, mas é só uma impressão sem maior base científica), ou Nina.
Mas escolheram Alana, e dá muito trabalho agora, mais (pouco mais, pouco mais!) de 30 anos depois querer mudar.
Só há dois anos, mais ou menos, comecei a gostar mais, me orgulhar até, do nome que meus pais tiraram sei lá de onde (se bem que fizeram pior com o irmão...).
Por causa dele:

Quando Alana e Osíris me olham não posso queixar-me da menor dissimulação, da menor duplicidade. Olham-me de frente, Alana sua luz azul e Osíris seu raio verde. Também entre eles olham-se assim, Alana acariciando o lombo negro de Osíris, que levanta o focinho do prato de leite e mia satisfeito, mulher e gato conhecendo-se desde planos que me escapam, que minhas carícias não conseguem ultrapassar. Faz tempo que renunciei a qualquer domínio sobre Osíris, somos bons amigos a partir de uma distância infranqueável; mas Alana é minha mulher e a distância entre nós é outra, algo que ela parece não sentir mas que se interpõe em minha felicidade quando Alana me olha, quando me olha de frente que nem Osíris e me sorri ou me fala sem a menor reserva, entregando-se em cada gesto e cada coisa como entrega-se no amor, ali onde todo seu corpo é como seus olhos, uma entrega absoluta, uma reciprocidade ininterrompida.
É estranho, ainda que eu tenha renunciado a entrar de cheio no mundo de Osíris, meu amor por Alana não aceita essa simplicidade de coisa concluída, de casal para sempre, de vida sem segredo. Por trás desses olhos azuis há mais, no fundo das palavras e dos gemidos e dos silêncios alenta outro reino, respira outra Alana. Nunca a disse isso, a quero o suficiente para não despedaçar essa superfície de felicidade pela qual hão deslizado já tantos dias, tantos anos. À minha maneira me obstino em compreender, em descobrir; a observo mas sem espioná-la; a sigo mas sem desconfiar; amo uma maravilhosa estátua mutilada, um texto não terminado, um fragmento de céu inscrito na janela da vida.
Houve um tempo em que a música me pareceu o caminho que me levaria de verdade a Alana; olhando-a escutar nossos discos de Bártok, de Duke Ellington, de Gal Costa, uma transparência paulatina me aproximava dela, a música a desnudava de uma maneira diferente, a tornava cada vez mais Alana porque Alana não podia ser somente essa mulher que sempre me havia olhado em cheio sem ocultar-me nada. Contra Alana, para além de Alana eu a buscava para amá-la melhor; e se de início a música me deixou entrever outras Alanas, chegou um dia em que diante de uma gravura de Rembrandt eu a vi mudar ainda mais, como se uma mágica das nuvens no céu houvesse alterado bruscamente as luzes e sombras de uma paisagem. Senti que a pintura a levava além de si mesma para esse único espectador que podia medir a metamorfose instantânea nunca repetida, a entrevisão de Alana em Alana. Intercessores involuntários, Keith Janet, Beethoven e Aníbal Troilo me haviam ajudado a aproximar-me, mas frente a um quadro ou uma gravura Alana se despojava ainda mais disso que acreditava ser, por um momento entrava em um mundo imaginário para, sem sabê-lo, sair de si mesma, indo de uma pintura a outra, comentando-as ou calando, jogo de cartas que cada nova contemplação embaralhava para aquele que sigiloso e atento, um pouco atrás ou levando-a pelo braço, via suceder-se as rainhas e os ases, as copas e os paus, Alana.
O que se podia fazer com Osíris? Dar-lhe seu leite, deixá-lo em seu novelo negro, satisfeito e ronronante; mas Alana eu podia trazê-la a esta galeria de quadros como o fiz ontem, uma vez mais assistir a um teatro de espelho e de câmaras obscuras, de imagens tensas na tela frente a essa outra imagem de alegres jeans e blusa roxa que depois de esmagar o cigarro na entrada ia de quadro em quadro, detendo-se exatamente à distância que seu olhar pedia, voltando-se para mim de vez em quando para comentar ou comparar. Ela jamais pôde descobrir que eu não estava aqui pelos quadros, que, um pouco atrás ou de lado, o meu modo de olhar não tinha nada a ver com o seu. Jamais se daria conta de que seu lento e reflexivo passo de quadro em quadro a alterava até o ponto de obrigar-me a fechar os olhos e lutar para não apertá-la nos braços e levá-la ao delírio, a uma carreira louca em plena rua. Desenvolta, leviana em sua naturalidade de prazer e descobrimento, suas paradas e demoras se inscreviam em um tempo diferente do meu, alheia à irritada espera da minha sede.
Até então tudo havia sido um vago anúncio, Alana na música, Alana frente a Rembrandt. Mas agora minha esperança começava a cumprir-se quase insuportavelmente; desde nossa chegada Alana se havia entregado às pinturas com uma atroz inocência de camaleão, passando de um estado a outro sem saber que um espectador escondido espreitava sua atitude, a inclinação de sua cabeça, o movimento de suas mãos ou seus lábios, o cromatismo interior que lhe percorria até mostrá-la outra, ali onde a outra era sempre Alana somando-se a Alana, as cartas aglomerando-se até completar o baralho. A seu lado, avançando pouco a pouco ao longo dos muros da galeria, eu a ia vendo entregar-se a cada pintura, meus olhos multiplicavam um triângulo fulminante que se estendia dela ao quadro e do quadro a mim mesmo para voltar a ela e empreender a mudança, a auréola diferente que a envolvia um momento para ceder depois a uma aura nova, a uma tonalidade que a expunha à verdadeira, à última nudez. Impossível prever até onde se repetiria essa osmose, quantas Alanas me levariam por fim à síntese da qual sairíamos os dois cheios, ela sem sabê-lo e acendendo um novo cigarro antes de pedir-me que a levasse para tomar um trago, eu sabendo que minha longa busca havia chegado a um porto e que meu amor abarcaria a partir de agora o visível e o invisível, aceitaria o limpo olhar de Alana sem incertezas acerca de portas fechadas, de paisagens proibidas.
Diante de um barco solitário e um primeiro plano de rochas negras, a vi parar imóvel por um bom tempo; um imperceptível ondular das mãos a fazia como nadar no ar, buscar o mar aberto, uma fuga de horizontes. Já não podia estranhar-me o fato dessa outra pintura onde uma grade de pontas afiadas vedava o acesso às árvores vizinhas a fizera retroceder como que buscando um ponto de observação, tal era a repulsa, a recusa de um limite inaceitável. Pássaros, monstros marinhos, janelas entregando-se ao silêncio ou deixando entrar um simulacro da morte, cada nova pintura arrasava Alana, despojando-a de sua cor anterior, arrancando dela as modulações da liberdade, do vôo, dos grandes espaços, afirmando sua negação frente à noite e ao nada, sua ansiedade solar, seu quase terrível impulso de ave fênix. Fiquei atrás, sabendo que não me seria possível suportar seu olhar, sua surpresa interrogativa quando visse em minha cara o deslumbramento da confirmação, porque isso também era eu, isso era meu projeto Alana, minha vida Alana, isso havia sido desejado por mim e dominado por um presente de cidade e parcimônia, isso agora enfim Alana, enfim Alana e eu desde agora, desde este instante. Quis tê-la desnuda nos braços, amá-la de tal forma que tudo ficasse claro, tudo ficasse dito para sempre entre nós, e que dessa interminável noite de amor, nós que já conhecíamos tantas, nascesse a primeira alvorada da vida.
Chegávamos ao final da galeria, me aproximei da porta de saída, no entanto ocultando o rosto, esperando que o ar e as luzes da rua me devolvessem ao que Alana conhecia de mim. A vi deter-se diante de um quadro que outros visitantes me haviam ocultado, parar imóvel por bastante tempo olhando a pintura de uma janela e um gato. Uma última transformação fez dela uma lenta estátua nitidamente separada das demais, de mim que me aproximava indeciso buscando-lhe os olhos perdidos na tela. Vi que o gato era idêntico a Osíris e que mirava ao longe algo que o muro da janela não nos deixava ver. Imóvel em sua contemplação, parecia menos imóvel que a imobilidade de Alana. De alguma maneira senti que o triângulo se havia fechado, quando Alana voltava para mim a cabeça o triângulo já não existia, ela havia ido ao quadro mas não estava de volta, continuava ao lado do gato olhando para além da janela onde ninguém podia ver o que eles viam, o que somente Alana e Osíris viam cada vez que me olhavam de frente.

Julio Cortázar,
Orientação dos Gatos,
em Queremos Tanto a Glenda.
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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

quantas vezes se encontra a pessoa certa?


Normalmente eu não consigo falar nada sobre um filme a que acabo de assistir, mas há sempre as exceções que confirmam a regra, aqueles sobre os quais você quer falar por horas e horas e horas.
Foi o caso de Apenas Uma Vez (Once, 2007), que acabei de ver há, no máximo, meia hora - apenas o tempo de encontrar o poema de Eugenio Montale, de que me lembrei em alguns momentos da silly love song, digo, story, entre um músico irlandês e uma imigrante tcheca, e de devorar o último 7 Belo que restava nesta casa.
Mas é bobagem isso. Eu nem saberia mesmo o que dizer do filme, só queria compartilhar a sensação de encantamento diante da sua delicadeza, dos tristes e alegres sofrimentos da gente.
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what's the czech for "do you love him"?


Hesitamos por um momento
e pouco depois reconhecemos
que sofríamos da mesma doença.
Não existe definição
para esta maravilhosa tortura,
há quem lhe chame spleen
e quem fale em melancolia.
Mas se aceitamos o jogo
nas suas margens encontramos
um sinal inteligível
que pode dar sentido ao todo.


Encontro,
Eugenio Montale.
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Outros homens, a janela é logo ali...
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

lost


temdiasqueagentesesentecomoquempartiuoumorreu
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

astigmatismo

Fui desligar a luz da área, mas era a lua.
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paratodos


~ Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro ~
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splash


"Essa é a primeira vez que realmente abordo um casal. Em Uma Mulher para Dois e Um Só Pecado, as cenas a dois são sempre em referência a um terceiro, que não está presente. Aqui, quando o homem e a mulher estão bem juntos ou quando fazem mal um ao outro, isso advém apenas de si mesmos."

Truffaut falava sobre A Sereia do Mississipi (La Sirène du Mississipi, 1969), o seu filme mais nitidamente hitchcockiano, e um dos mais criticados. Chegaram a dizer que ele voltara americanizado, que havia vendido sua alma ao diabo hollywoodiano.
Que coisa.
Ele alguma vez havia negado o amor ao cinema americano? Aos romances noir (já havia até adaptado, de David Goodis, Atire no Pianista)? A Hitchcock e a sua Marnie, a "obra-prima doente"?
Nada há de tão estranho ao que se espera dos seus filmes, aqui. Desde o sofrimento amoroso (vai chorar, vai sofrer, e você não merece... pensava em Cartola enquanto assistia ao filme) até os livros antigos que o personagem de Belmondo encontra na casa onde se esconde com Deneuve, passando pela delicadeza de certas cenas - o anel que não cabe, o vestido a ser abotoado, o envenenamento revelado pela maçã de Branca de Neve.
A minha única lamentação: por que raios eu fui ver primeiro aquela bomba com Angelina Jolie e Antonio Banderas?
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capas (iv)


Ainda as imagens de Madonna; agora, por Bruce Weber em 1986.
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domingo, 17 de agosto de 2008

seu cabral

Acabaram de ligar pra me contar - fonte seguríssima! - da gafe do conterrâneo Marcelinho Paraíba (né Cangula), antes de iniciar seu primeiro jogo pelo Flamengo.
O certame (pra falar como Humberto de Campos) foi precedido por um respeitoso minuto de silêncio.
- Pra quem tão fazendo o minuto de silêncio? - pergunta Marcelinho.
- Pra Dorival Caymmi, que está sendo enterrado hoje. - alguém lhe informa.
- Ah. E ele jogava em que time?
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mas nada tanto assim


Eu sou realmente limitada em meus interesses.
Ou melhor, até me interesso por muitas coisas, o que acaba sendo limitado é o que de verdade aprofundo. Ou seja, como naquela música do Kid Abelha, eu sei de quase tudo um pouco, e quase tudo mal.
Pois bem. Esse quase tudo me vem, na maior parte das vezes, pelo cinema, e agradeço a ele também por isso. Minha situação poderia ser bem mais complicada, se não fossem certas referências e indicações, por mais tortas que possam parecer.
Por exemplo, outro dia assisti a A Sedutora Madame Bovary (Madame Bovary, 1949), de Vincente Minnelli, e me lembrei que li o romance de Flaubert apenas porque li numa Set que Claude Chabrol o estava filmando. Já havia acontecido o mesmo com A Leste do Éden (via James Dean) e com os livros de Susan E. Hinton que Coppola filmou nos anos '80.
Mas lembrei também de uma velha mania (esta, bem menos útil) de associações, que volta e meia faço. Pensei em outras personagens femininas que pudessem "parecer" com Emma Bovary. Como Janine Castang, uma espécie de versão feminina de Antoine Doinel, criada por Truffaut mas desenvolvida, anos depois de sua morte, por um de seus colaboradores freqüentes, o cineasta francês Claude Miller - no filme Ladra e Sedutora (La Petite Voleuse, 1989). Janine era uma menina solitária, com um pé na delinqüência juvenil, como o próprio Truffaut. Em uma cena do filme, quando procuram em seu quarto evidências de seus furtos, o que os adultos encontram, sob o colchão, são coisas como meias de seda, maquiagem, símbolos de feminilidade e de uma vida que ela sonhava, mas não tinha.
Outra personagem de Truffaut - ou melhor, dele e de Cornell Woolrich, que escreveu o livro em que se baseia o filme: a bela Marion Vergano/ Julie Roussel, vivida por Catherine Deneuve em A Sereia do Mississipi (La Sirène du Mississipi, 1969).
Ou Sarah Pierce (Kate Winslet), em Pecados Íntimos.

É uma diversão até interessante (procurar essas semelhanças), mas certamente pouco útil. E pode desaguar em parentescos um tanto viajantes, como o que me fez começar a escrever este post: será que Sofia Coppola leu Missa do Galo, o conto de Machado de Assis, antes do seu Encontros e Desencontros?
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O desespero é verdadeiramente o signo deste mundo. E o cinema é um dos sintomas mais graves do desespero universal.

A frase é de Roberto Rossellini.
Mas nos leva também a Truffaut: Film lovers are sick people.
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sábado, 16 de agosto de 2008

god save the queen


Mas hoje não é só um dia triste;
Madonna Louise Veronica Ciccone faz 50 anos, e merece todas as nossas homenagens, de joelhos & tudo.
PARABÉNS!
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o que é que o baiano tinha?

http://www.youtube.com/watch?v=ATRYXkvBkKM&feature=related

Adeus, Dorival Caymmi,
e obrigada por tudo.
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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

capas (iii)


Por Steven Meisel, Vanity Fair /Maio, 2008:
Madonna, que amanhã faz 50 anos(!).
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physique du rôle


[Victor] Fleming estava suficientemente impressionado com a protegida sueca de [David O.] Selznick para querê-la como co-protagonista em seu novo filme na MGM, Dr. Jeckyll and Mr. Hyde (O Médico e o Monstro), a ser começado em fevereiro(...). Ingrid [Bergman], é claro, interpretaria Beatrix Emery, a doce e virtuosa noiva de Spencer Tracy como Dr. Jeckyll. Quanto à sensual, amoral e devassa Ivy Peterson, o papel se encaixava naturalmente em outra nova estrela, Lana Turner. Ingrid, no entanto, queria fazer Ivy.
Primeiro Ingrid tinha de convencer Victor Fleming. (...)
Ingrid foi a Fleming e disse, segundo lembrou: - Não poderíamos trocar e fazer com que Lana Turner fizesse a noiva e eu a levianazinha no bar, a sapeca Ivy?
- É impossível - teria respondido Fleming. - Como seria viável, com a sua aparência? Não seria nada verossímil.
(...)
Como atriz, [Ingrid] estava sempre representando aspectos de si mesma. Sabia que, quando fazia amor com um homem diante das câmeras, apresentaria uma atuação melhor se estivesse fazendo amor com ele longe das câmeras também. Não era uma questão de moralidade. Nem de um profundo amor romântico, fato que vários homens levaram algum tempo para entender.
Ingrid tinha uma enorme sagacidade profissional, nunca tão aparente como no relacionamento com seu novo diretor, Victor Fleming, e com seu co=protagonista, Spencer Tracy. O Médico e o Monstro começou a ser rodado a 12 de fevereiro de 1941. Ingrid desempenhava nele o papel de uma mulher de sexualidade libertina, que em determinada cena chafurdava na lama e em outra descansava voluptuosamente num leito de flores. Quando atuava num papel, toda a sua vida era aquele papel, e não é de espantar que logo se tenha envolvido com Fleming e Spencer Tracy.
Esperando o momento de atuar, no set, como lembra o maquiador Charles Schram, ela era "tímida, acanhada, enrubescendo bastante, muito quieta e um tanto amedrontada". Uma vez que a câmera começa a rodar, porém, Ingrid parecia a personificação da sapeca e amoral Ivy.
Fleming obteve uma atordoante atuação de Ingrid, em parte porque ela representava o papel de uma mulher hedonista e sensual também fora da tela.


Faltou Dizer - A Vida de Ingrid Bergman,
de Laurence Leamer.
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Acho meio bafão pensar que Ingrid Bergman, uma das melhores atrizes entre as grandes estrelas de Hollywood, precisava se utilizar de métodos tão pouco acadêmicos para interpretar seus papéis.
Ela é uma das melhores coisas da versão de Victor Fleming para a história de Robert Louis Stevenson, bem melhor que Lana Turner (bonitinha but ordinária) e até do que Spencer Tracy em seu papel-duplo.
E adorei a fala em que alguém diz que "vida de médico é assim mesmo - quanto mais pacientes, mais fria a sopa."
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

sereias (ii)

Por afrontamento do desejo
insisto na maldade de escrever
mas não sei se a deusa sobe à superfície
ou apenas me castiga com seus uivos.
Da amurada deste barco
quero tanto os seios da sereia.

Ana Cristina Cesar,
Nada, esta espuma.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

suposições

Um exercício de imaginação inútil, mas que talvez aumente minhas possibilidades de ainda pegar no sono hoje:
- se Hitchcock, como a finada Dercy (ou, o que é mais chique e apropriado para um blog de pretensos bom gosto e seriedade: Manoel de Oliveira), existisse hoje centenário e produtivo, como ele estaria filmando? Claro, se estivessem deixando ele filmar...
- e com quem?
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o mestre absoluto


(um post de celebração, mas também de agradecimento a quem me lembrou da data)

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"(...)Alfred Hitchcock é o homem que mais conhece no mundo todos os recursos dramáticos da encenação cinematográfica e os pratica com a mais determinada maestria (...). Ninguém melhor que esse diabólico inglês emigrado para Hollywood para carregar suas imagens com a inquietação necessária ao seu propósito e organizar suas relações internas sobre as linhas de força de um campo maléfico sempre perfeitamente legível para o espectador. Porque essa perfeita ciência da imagem é acompanhada, como convém, pelo mais extremo e seguro conhecimento de sua eficácia. Não há certamente, num filme de Hitchcock, a menor perda de energia dramática; o filme atua igualmente sobre os nervos de todos os espectadores, seja qual for a idade, o temperamento, a inteligência ou a cultura. Ele dá a impressão dessas mecânicas evoluídas, levadas a esse grau de perfeição além do qual já não contam senão melhoramentos infinitesimais."


André Bazin,
em O Cinema da Crueldade.
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No prefácio do livro, escrito por Truffaut:

"Poderá ser motivo de surpresa encontrar aqui, reunidos, a maioria dos artigos de Bazin dedicados a um cineasta que ele nunca conseguiu admirar totalmente: Alfred Hitchcock. No entanto, a reunião desses textos pareceu-me instrutiva e apaixonante. Instrutiva porque Bazin descreve melhor os filmes de Hitchcock do que muitos de seus admiradoes incondicionais; apaixonante porque a leitura desses artigos em sua ordem de publicação (que nem sempre é a ordem cronológica do lançamento dos filmes) ilustra uma espécie de resistência que se enfraquece progressivamente sem nada perder, porém, de sua intransigência. Seria Bazin, como se diria hoje, 'alérgico a Hitchcock'? Não, mas não há dúvida de que a generosidade de Bazin o impelia mais para Renoir, que ama os homens, do que para Hitchcock, que não ama senão o cinema. "
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baby you can drive my car


A roda é uma das grandes invenções do homem, um marco do nosso desenvolvimento. Ok.
O que atrapalha é que, depois dela, foi inventada também uma das maiores injustiças da humanidade: que aqueles que não a dominam sejam, automaticamente, considerados incapazes. Sim, porque desde a invenção da roda, as pessoas que não sabem dirigir são praticamente marginalizadas pela sociedade. Se passarem dos 30, então, aí não têm perdão mesmo. Nem importa que tenham outras habilidades, algumas bem mais encantadoras ou relevantes; se não sabem dirigir, necessariamente têm problemas graves. Ou, como o personagem de Antônio Fagundes em Bossa Nova, são acusados de "não ter ambição" (isso é ofensa?)
Você pode até estar feliz na sua incapacidade, isso não lhe trazer maiores dissabores na vida diária, mas de vez em quando vai surgir o olhar de espanto: Uquêêêê?! Você não dirige? É trauma, é?
E então os sentimentos de inutilidade, inferioridade e vergonha reinam. Além de culpa, eventualmente, quando lhe sugerem que você pode deixar de socorrer seu pai, se ele adoecer à noite e não houver ninguém em casa que dirija!
Nestes tempos de Lei Seca, então, a dificuldade é lembrada mais do que nunca: mas justo você, a única que não bebe, também não dirige?!
Começo a achar que talvez seja a hora de começar a beber.
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fairy tales


Steve Kroft, do programa 60 Minutes, da CBS, contou-me que em sua pesquisa para preparar uma entrevista para um segmento sobre o Príncipe Charles, em 2005, descobriu que todas as americanas com quem havia falado apontavam a resposta que o príncipe deu à pergunta "você está apaixonado?", no dia de seu noivado com Diana, como uma das razões pelas quais nutriam sentimentos negativos em relação a ele.
A famosa conversa, de 24 de fevereiro de 1981, começou com "Estou definitivamente encantado e francamente surpreso que Diana esteja preparada para me aceitar. " Quando pressionado pelo entrevistador da BBC, "E apaixonado?", Diana respondeu imediatamente, "Claro", com um risinho acanhado. Então Charles disse: "O que quer que 'apaixonado' signifique. "

Diana - Crônicas Íntimas,
de Tina Brown.
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sereias(i)

(Marc Seliger).
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embriologia i


Acordei me lembrando das aulas de Dr. Hermes, e deu saudade.
A ontogênese repete a filogênese, sim.
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terça-feira, 12 de agosto de 2008

entredentes

Coversando com minha mãe durante o café-da-manhã, ainda com sono e falando mais pra dentro do que o habitual (eu, não ela):

- Minha filha, cadê Roberto Carlos, que ninguém ouve mais falar?
- Ôxe... a senhora não viu que ele vai fazer um show com Caetano Veloso, não?
- Com Caetano Veloso?!
- É, tem a ver com os 50 anos da Bossa Nova.
- Da Praça é Nossa?!
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

esporte espetacular















Como sempre empolgadíssima com esportes, muito pouco aproveito dessa euforia toda das Olimpíadas.

Mas os desenhos do google são lindinhos.

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domingo, 10 de agosto de 2008

o que jane faria?


Um filme não precisa ser especialmente original ou "edificante" para que consiga tocar o espectador e fazê-lo se envolver com sua história durante mais que os seus 120 minutos, ok?
E sempre deveria haver um lugar reservado nas estantes afetivas para os filmes bem intencionados (essa qualidade tão mal vista), aqueles que parecem querer nos mostrar que, sim, nem tudo está perdido quando ainda resta uma esperança; o lenhador estava certo, afinal!
Esperança que pode ser representada pelo amor (mesmo quando aparentemente perdido, ou efêmero demais), pelos amigos, pelos cães, pelos livros (mais especialmente pelos romances).
É o que acontece em O Clube de Leitura de Jane Austen (The Jane Austen Book Club, 2007), que vi hoje de manhã. Não que seja uma obra-prima, ou que acrescente muita coisa sobre a autora inglesa, mas é um filme agradável, sensível (o que, neste caso, é um elogio) e com boas atuações, apesar do desfecho meio convencional demais e de, talvez, a falta da ironia que torna livros como Razão e Sensibilidade ou Orgulho e Preconceito bem mais do que "literatura para mocinhas".
E a idéia de reunião para leitura e discussão de livros é sempre tão atraente que não dá pra deixar de gostar, de cara, da premissa.
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sábado, 9 de agosto de 2008

pelas pupilas gastas na inspeção


Ainda I read the news today, oh, boy:
outra coisa interessante da BRAVO! nova é uma página com o gaúcho Fabrício Carpinejar, poeta. Ele escolhe alguns dos que considera "os versos da literatura brasileira que mais o emocionam - aqueles que, segundo o autor, 'nunca serão apenas fragmentos' ".
Há Drummond, com o belo "trouxeste a chave?", Jorge de Lima, Paulo Mendes Campos, Cecília Meireles.

E, como boa maníaca do trechinho que soy, fiquei pensando na minha própria lista, claro.
Que seria, mais ou menos:

. "Todos os movimentos/ do amor / são noturnos", de Ferreira Gullar, Coito

. " Nascer é muito comprido.", de Murilo Mendes, Reflexão n° 1

. " De que não há regresso após tanta invenção. ", de Jorge de Sena, Bach: Variações Goldberg

. " Sou uma mulher do século XIX / disfarçada em século XX", de Ana Cristina César

. " Um galo sozinho não tece uma manhã: / ele precisará sempre de outros galos.", João Cabral de Melo Neto, Tecendo a manhã

A fronteira final: como escolher um só de A Máquina do Mundo? Ou de O Lutador?
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sonhos de consumo (v)


Em uma entrevista à BRAVO! mais recente, Débora Falabella diz que às vezes olha em volta e não sabe se mora "em uma casa ou em um quarto de criança."
I'm not the only one, oba!
Mas faltam ainda alguns brinquedinhos interessantes, como essa versão do Banco Imobiliário (ou Monopoly)inspirada nos The Beatles.
É capitalista demais? Sim!, mas quem não é?
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

minha novela

Ah, eu gostei...
Já vi que tem um bando de gente reclamando, mas que eu gostei, gostei, da reviravolta n' A Favorita, aguardada desde há algumas semanas. Claro que há os defeitinhos - como o genérico de Fábio Jr. que fez a vítima (a primeira, no caso), Marcelo, ou a possibilidade de terem antecipado a virada só para aumentar a audiência meio combalida da novela - mas foi tão interessante ver o último capítulo no meio da novela.
Meio Gilberto Braga em O Dono do Mundo, quando Felipe Barreto enganou Márcia (pela segunda vez) e todo mundo que assistia a novela.
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terça-feira, 5 de agosto de 2008

duracell


Mais um daqueles testes, tão infalíveis quanto os planos do Cebolinha.
Desta vez, o UOL me avisa: Cuidado! Você está pagando um preço muito alto pelo seu trabalho. Mude sua postura mental ou atualize seu CV em busca de novas opções.

Ou seja, eu provavelmente tenho burnout, " um tipo devastador de estresse associado ao trabalho", que, segundo algumas pesquisas recentes, atinge mais as mulheres que os homens, ao menos no Brasil.
Isso se deveria às pressões da vida moderna, com "a dupla jornada de trabalho da mulher além do desempenho dos vários papéis no dia-a-dia". E contribuiria para um "cenário de descuido com a própria saúde", que "acontece por conta da mudança nos padrões de vida entre o público feminino. Além de exercer vários papéis distintos, a mulher atual é mais sedentária: tarefas corriqueiras que as mulheres no passado realizavam com certo esforço físico, como ir a pé ao mercado e trabalhos domésticos, hoje são realizadas com meios que, apesar de oferecer conforto, não exigem nenhuma atividade física", dizem as autores do trabalho. Outro problema, ainda segundo o levantamento, é que as mulheres têm mantido hábitos alimentares inadequados, comendo em horários inadequados e consumindo muitos lanches e refeições rápidas. "
Conclui-se: "o produto final de todas essas mudanças resultou em mulheres mais estressadas, sedentárias e com peso acima do ideal".

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Put the blame on Mame, boys.
Eu bem que preferiria ser mais light, ter mais tempo para o lazer, ter amado mais & todo o resto de Epitáfio. Mas sou mesmo, muitas vezes, como diz Alice Ruiz, uma moça polida levando uma vida lascada, e o pior é que gosto disso.

Non, je ne regrette rien.
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