sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

formiga que trafega sem porquê


Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais
Eu às vezes penso em fugir
E quero até desistir
Deixando tudo pra trás

É, é que eu me encontro
Perdido nas coisas que eu criei
E eu não sei
Eu não sei da vida, da estrada
Do amor e das coisas
Livres coloridas, nada poluídas

Qual, acordo pra trabalhar
Eu durmo pra trabalhar
Eu corro pra trabalhar
Mal tenho tempo de ter
Um tempo livre de ser
De nada ter que fazer

Eu não vejo além da fumaça
Que passa e polui o ar
Eu nada sei
Eu só sei que tenho esse nome
Honroso, pomposo
Capitão de Indústria,
Capitão de Indústria


Capitão de Indústria,
Marcos & Paulo Sérgio Valle.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

satisfashion



O mundo da moda e suas celebridades é marcado pelo instantâneo, pelo efêmero, pela velocidade crescente com que tudo (dos cortes e cores de cabelo ao estilo de vida) muda de valor e é consagrado/ devorado/ abandonado.
O que pode permanecer por mais do que os já breguíssimos 15 segundos de fama?
Ou - quem pode permanecer por mais etc. etc. etc.?
- Kate Moss!

Esta semana a top das tops estava mais uma vez no centro das atenções da imprensa de moda; e olha que já são mais de 15 - oh! - anos desde que a modelo inglesa é estrela de primeira grandeza na fashion galaxy (outra expressãozinha brega). E a notícia nada tinha a ver com seu byroniano (ex?)namorado Pete Doherty nem com cocaína.
A notícia é a nova campanha da grife Yves Saint-Laurent (Primavera-Verão 2008/09), estrelada por uma Kate loira & luminosa, fotografada pelo casal Inez Van Lamsweerde & Vinoodh Matadin. Nas estações de metrô de Paris, Tóquio, Londres ou Nova York (>inveja, inveja<) foram distribuídos - é: dados de graça, semeados no vento - livrinhos de papel reciclado com 24 fotos da modelo, comparada à maior musa do mitológico e genial estilista franco-argelino, aposentado há alguns anos - Catherine Deneuve.
Segundo o Manifesto, Kate foi escolhida por ter, como a grife, "espírito de liberdade", e porque "há qualquer coisa em Kate Moss que faz dela uma musa Yves Saint Laurent - um ar que evoca essas mulheres de exceção da história da moda".
A maison YSL é agora dirigida pelo italiano Stefano Pilati, e a forma de Manifesto já fora usada na campanha anterior, estrelada pela über Gisele Bundchen, com os mesmos fotógrafos.

Mas Kate é Kate.
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o mal de montano


Falei em A Mulher do Tenente Francês outro dia, e agora lá vem outro livro cheio de referências a outros, outro livro apaixonado pela literatura inglesa: Reparação, de Ian McEwan, lançado há alguns anos e adaptado para o cinema ano passado, num filme de repercussão meio "amor ou ódio".
É uma reação que o livro dificilmente desperta, acho; não imagino como se pode não amar o livro do inglês, seja por sua história de culpa e dilemas sobre memória e verdade, seja pelo estilo envolvente e com tantas citações (mais ou menos diretas) a escritores e obras inglesas. Citações que nunca estão lá despropositadas ou, pior, para exibir a erudição do autor. Da citação de Jane Austen, abrindo o livro, às referências às inovações trazidas ao romance por Virginia Woolf, passando pelas leituras que os personagens principais fazem e amam, a literatura está presente não apenas para "embelezar"; ela influencia, move, consola e acompanha os que a amam. E, não, a metalinguagem, recurso tão "moderno", não compromete a estrutura de romance clássico inglês - ela o torna ainda mais interessante.
É o primeiro romance do autor que li, e confesso que fui levada à leitura depois do filme (que nem vi ainda). Mas me envolveu e comoveu como poucos, nos últimos tempos (além, claro, de O Passado), por suas tantas qualidades literárias mas também pelo que torna um livro mais importante pra mim: enquanto o lia, além de pensar naqueles personagens retratados nas letras sobre o papel, pensava também em mim mesma, revisando meu passado e minha realidade, às vezes sob novos ângulos; mesmo que a minha seja uma realidade de natureza extremamente diversa da relatada.
E essa capacidade, a de trazer ao leitor conhecimento da história contada mas, ao mesmo tempo, de si mesmo, é um dos aspectos que Ítalo Calvino considera para tornar uma obra um clássico, né não?
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da vida das marionetes (xi)


Alphonse e Julie, orientados por seu diretor Ferrand, em Je vous presente Pamela.
Ou não?
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

cada um por si, e deus contra todos


Cada vez mais me interesso por documentários, principalmente pelos que tratam de cinema.
E ontem pude ver um que há muito esperava, mesmo que, para conseguir ficar acordada até as 11h40 min, quando começou o filme, tenha tido que lutar contra o sono e a adinamia próprios de um dia inicial de mais uma gripe. Valeu a pena.
Meu Melhor Inimigo (Mein Liebster Feind, 1999), dirigido pelo alemão Werner Herzog, é brilhante, uma homenagem a um dos maiores e mais tempestuosos atores do cinema no século XX: Klaus Kinski, o maior ator do cinema alemão, protagonista dos melhores filmes do cineasta.
"Tenho a febre do mundo inteiro nos olhos", dizia Kinski.
Foi graças a essa febre, nos mostra Herzog, mesmo que com ela viessem também fúria, ameaças de morte, momentos de loucura, que Klaus Kinski deu aos seus filmes (e ao mundo) algumas das melhores personificações da obsessão e da insanidade.
E era o pai da bela Nastassja, claro.
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big brothers (i)


Recém-oscarizados, Ethan & Joel Coen fazem filmes juntos desde... desde crianças, disse Joel em seu discurso de agradecimento na cerimônia do Oscar, domingo último. Mas só a partir do último deles, Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men, 2007), passaram a assinar em conjunto como diretores, oficialmente; antes assinavam juntos o roteiro, um era o "produtor" e outro o "diretor".
Uma divisão apenas para efeito de créditos, claro, porque sempre fizeram tudo juntos, siameses.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

você estava lá?


(Nota publicada na revista VEJA desta semana, sobre o falecimento do escritor francês Alain Robbe-Grillet, ocorrido no último dia 18 de Fevereiro, por problemas cardíacos)

Alain Robbe-Grillet, escritor, roteirista e diretor francês, Robbe-Grillet foi o principal teórico do nouveau roman ("novo romance"), movimento de vanguarda francês que nos anos 50 e 60 reuniu Marguerite Duras, Nathalie Sarraute e Michel Butor, entre outros autores que, hoje, ninguém mais lê. As bases do movimento foram lançadas pelo manifesto Pour un Nouveau Roman, de 1963, no qual Robbe-Grillet declarava seu desprezo pela ideologia, pela psicologia dos personagens e por qualquer coisa que pudesse provocar o mínimo interesse do leitor. Coerente com seus postulados, o autor escreveu romances chatíssimos como Le Voyeur e filmes arrastados como O Ano Passado em Marienbad. No Brasil, autores como Chico Buarque souberam imitá-lo com total sucesso.

Ninguém assina a nota, com bem observou minha amiga orkutiana Viveca.
Eu também me recusaria a confessar a culpa , se num momento de insanidade temporária escrevesse isso. (talvez estivesse ouvindo, enquanto escrevia, um CD do Babado Novo - cuja cantora, Cláudia Leitte, ocupa duas páginas e meia da mesma revista - toda a seção MÚSICA do exemplar).
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Bardem hablando espanhol desbancado!
Nada mais belo que Daniel Day-Lewis cumprimentando George Clooney, fazendo reverência para a Rainha Helen Mirren (eu não a vi abrir o envelope, afe), agradecendo a sua esposa Rebecca Miller (garota de sorte...).
Lindolindo.
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Até agora, nada melhor que Javier Bardem agradecendo em espanhol.
Lindo.
Homem com cara de homem.
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domingo, 24 de fevereiro de 2008

que idéias a senhorita tem se permitido conceber?


Usar uma viagem como metáfora para mudança de vida, amadurecimento, é um clichê dos mais gastos. Mas a viagem que fiz no final do ano passado marcava exatamente um momento de transição, uma mudança importante, talvez menos para fora que para alguns dos meus conceitos pessoais e sentimentos. Arrumando as malas, pensei no que poderia colocar que me lembrasse de mim mesma, porque sempre fico com medo de me "perder" nessas transições, e precisava de algo que pudesse, à simples visão, me "trazer de volta". Rosebud.
A solução veio na forma de um livro velho, edição barata de papel-jornal, dessas que vendem em bancas de revista, e já com várias mostras da passagem do tempo e da má conservação, como buraquinhos de traças em tantas páginas. Outra marca do tempo: a primeira folha, com letrinhas redondas, infantis mesmo, dizendo - Alana, 16/ julho/ 1990. (com o meu risquinho de sempre sob o nome, tortuoso e com um pontinho ao final)
O livro - A Mulher do Tenente Francês - havia sido lido na época, e devo ter demorado quase todo o resto daquele ano com a leitura, porque sempre demoro mais quanto mais gosto do que leio, para não me afastar tão cedo dos personagens e da história.
Vi há pouco que está sendo relançado e ainda estou com a dúvida boba entre comprar uma nova edição de um livro que não vou reler, e que certamente não substituirá minha edição velhinha. Acho ridículo isso de trocar uma edição antiga por uma mais nova, como se o livro fosse um carro ou, para algumas pessoas, amores - sempre novidade, sempre um modelo mais novo.
A história do inglês John Fowles, escrita em 1969 e adaptada para o cinema por Harold Pinter, em 1981, me atraía por três coisas (quatro, na verdade, se considerar que só comprei o livro porque sabia que havia "virado filme", na época ainda não visto): a estrutura narrativa tão "diferente", com um narrador que não faz e faz parte da trama, já que todo o tempo faz intervenções e observações sobre os personagens e os fatos, chegando a sugerir duas possibilidades de desfecho - a escolha é do leitor; as várias referências à literatura inglesa, da poesia aos romances de Jane Austen e Thomas Hardy, despertando em mim um interesse que, mesmo com períodos de latência, está sempre presente, e é sempre fonte de belezas; e, claro, a história de paixão, loucura e perda entre um inglês nobre e entediado e uma mulher misteriosa e mal-falada, abandonada por seu amante, numa Inglaterra vitoriana e cheia de rigores moralistas.
A melancolia e a intensidade dos sentimentos de Sarah, a tal "Mulher do Tenente Francês", a sua ansiedade por arriscar-se à liberdade, por viver da forma que queria e não só como os outros esperavam, mesmo a um preço tão caro, ficaram marcadas na minha cabeça adolescente.
E me acompanham.
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sábado, 23 de fevereiro de 2008

não fui eu, foi meu eu lírico


Sou menos autobiográfico do que as pessoas acreditam. Tudo o que eu queria era contar uma história, e agradou-me escolher um personagem solitário, sem família, sem amigos, que só se sente bem na companhia das mulheres. Eu não o queria cínico ou cruel. Se há coisas fortes no filme, estas são unicamente frutos das situações. Minha idéia do "paquerador" não passa do que mostro. Os profissionais da paquera, não conheço. Não conversei bastante com eles. Não sei. Com certeza não teriam feito esse filme. Sem dúvida lançariam um olhar crítico sobre a minha visão do personagem. Isso me interessaria saber. Eu não quis traçar o itinerário de do paquerador empolgado com o próprio desempenho. Escolhi propositalmente um indivíduo ansioso, discreto, que evita os conflitos passando irresistivelmente de mulher em mulher, talvez por medo de se fixar, por medo de dar muito espaço a um sentimento único. Uma cena de reencontro com uma antiga relação indica claramente que outrora esse homem volúvel experimentou sentimentos de uma tal violência que adquiriu para sempre o medo doentio de senti-los novamente... Pois o paquerador é também que tem medo do amor. Esse ângulo me interessou. E depois sua maneira de ser atraído pelas mulheres é totalmente visual. É o movimento das pernas, apenas o movimento. O ritmo. Isso é tudo. O filme é construído em torno desse movimento. Todas as vezes, ele capta um detalhe do movimento aqui ou acolá e se deixa levar pelo ritmo. Não me identifico em nada com o meu paquerador. Mas, como ele, eu poderia dizer sobre as mulheres, e essa seria a minha frase mais sincera: "Esta, eu amo porque parece ter saído de um romance russo, essa outra, devido ao seu sorriso de órfã, aquela lá..."


François Truffaut,
falando sobre seu filme O Homem que Amava as Mulheres (L' Homme qui Aimait les Femmes, 1977).
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mas aquela frase de Bruno Bettelheim que serve de epígrafe ao filme é mais reveladora que as palavras do próprio diretor: "Revelou-se que Joey nunca tivera muito sucesso junto à mãe."
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bibliomania (xi)


Eva Green (foi associação ou mera coincidência?) belabela em Os Sonhadores (The Dreamers, 2003).
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mon coer reste toujours le même


Voici des fruits, des fleurs, des feuilles et des branches
Et puis voici mon coeur qui ne bat que pour vous.
Ne le déchirez pas avec vos deux mains blanches
Et qu'à vos yeux l'humble présent soit doux.

J'arrive tout couvert encore de rosée
Que le vent du matin vient glacer à mon front.
Souffrez que ma fatigue à vos pieds reposée
Rêve des chers instants qui la délasseront.

Sur votre jeune sein laissez rouler ma tête
Toute sonore encor de vos derniers baisers;
Laissez-la s'apaiser de la bonne tempête,
Et que je dorme un peu puisque vous reposez.


Green,
Paul Verlaine.
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ô lá em casa


Torço fervorosamente para que Daniel Day-Lewis (>suspiros<) ganhe novamente o Oscar de Melhor Ator amanhã, 18 anos depois de ganhar o prêmio por Meu Pé Esquerdo (My Left Foot, 1989).
Mas que dá uma vontadezinha de também torcer por George Clooney, ah, dá!
O ator americano talvez não tenha tanto talento quanto o belo Day-Lewis, que é sem dúvida um dos maiores do mundo hoje, além de ter toda uma aura de mistério, com uma carreira única: atua apenas nos filmes em que acredita, com as pessoas em quem confia; poucos & bons filmes, com atuações inesquecíveis.
Mas Clooney tem suas armas. Bom ator - já ganhou um Oscar de Coadjuvante, há alguns anos, por Syriana - A Indústria do Petróleo (Syriana, 2005) - e diretor interessante, com um filme ótimo - Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck, 2005) - no currículo; belo charmoso como os grandes astros da Hollywood clássica (já se tornou clichê compará-lo a Cary Grant ou William Holden); com uma carreira irregular, mas que o torna mais humano, talvez, falível; é um dos poucos astros a repetir no cinema o sucesso inicialmente conseguido em uma série de TV (o dr. Ross, pediatra de Plantão Médico, era o máximo); é Mensageiro da Paz da ONU; parece sempre mais simpático e bem-humorado que outras celebridades.
E, se a ironia é uma manifestação de inteligência, a auto-ironia é ainda mais, e ambas são freqüentes nas intrevistas de Clooney. Como, ao ser perguntado sobre as expectativas para o Oscar: " Eu sou a Hilary do Obama Daniel Day-Lewis."

Dá pra resistir?
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

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viver é pagar contas.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

chacun son cinéma


Perguntado sobre o que havia achado do prêmio em Berlim para Tropa de Elite, esta foi a opinião de Bráulio Tavares, sempre lúcido: "Claro que um Urso de Ouro de Melhor Filme é importantíssimo para o nosso cinema, embora eu não goste muito do Tropa, por ter-me parecido tecnicamente bem feito, mas carente de alma. Credito o prêmio ao gosto de Costa-Gavras por esse tipo de obra. Creio que [a presença do cineasta grego como presidente do júri do Festival] influenciou o resultado, porque Tropa de Elite é claramente um filme político de grande impacto."

Ok.
Em momento de ócio enquanto espero ver melhor o eclipse, começo a pensar em outras possibilidades de escolha, se fossem outros o presidente do júri e o filme vencedor:

. Pedro Almodóvar: O Céu de Suely, de Karin Aïnouz

. Wim Wenders: Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes

. Nanni Moretti: O Dia em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger

. Steven Spielberg: Cidade de Deus, de Fernando Meirelles & Katia Lund

. Quentin Tarantino: O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia

. François Truffaut: Cidade Baixa, de Sérgio Machado

. Valerio Zurlini: Dois Córregos, de Carlos Reichenbach

. Jean-Luc Godard: Cleópatra, de Júlio Bressane.

. Tinto Brass: Amor Estranho Amor, de Walter Hugo Khoury (sim, aquele com Xuxa).
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reservoir cats


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chez guevara


"Ele é o único adversário dos Estados Unidos na América Latina que resistiu a golpes e assassinatos e ali está. Ele sobreviveu a vários atentados. Manteve e mantém até hoje uma posição altiva. E isso é algo que ninguém deve ignorar e que eu admiro. "

Chico Buarque,
sobre Fidel Castro.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

dúvida (viii)

ser flexível é mais importante que ser forte?
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sonhos de consumo (ii)


Gwyneth, eu quero esse casaco!
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domingo, 17 de fevereiro de 2008

cinema paradiso


Já faz algum tempo que a revista Piauí está no mercado, geralmente com boas críticas e com nomes interessantes entre os colaboradores, além do prestígio de João Moreira Salles já ser um indício de qualidade, per si.
Mas me assustava um pouco a impressão de seriedade mal-humorada da publicação, ainda talvez lembrança dos longínquos tempos em que meu irmão implicava com minhas SETs, insistindo para que eu lesse, isso sim!, Cadernos do Terceiro Mundo. Uma revista que nem cores tinha! Nem sessão Gente! ui.

Agora falando sério:
Comprei hoje a minha primeira Piauí, atraída pela capa que anunciava: "Neo-realismo italiano: três estréias" (por Mike Nichols).
- Orlando, uma VEJA e uma Piauí, por favor. E um Tic-Tac. Do azulzinho.

Claro que há bem mais na revista, e vários dos artigos são ótimos, originais e infomativos; uma publicação séria sem ser chata, graças a Deus.
Mas o que mais me interessou mesmo foi o texto de Nichols, publicado originalmente em 1961 na revista The New Yorker, e inusitadamente divertido.

Aqui:
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NO ESCURINHO

Após anos de estagnação cinematográfica, uma novíssima onda de filmes nos chega da Itália. Eis algumas sinopses para que você possa planejar seus fins.
(Mike Nichols)


A OCORRÊNCIA

Giovanna perdeu seu dedal. Nas primeiras duas horas e 45 minutos do filme, ela e suas amigas procuram o dedal. Nos últimos dez minutos, ela é estuprada, e nós ficamos com o sentimento do vazio.
A Ocorrência é o primeiro filme rodado pelo cruel e talentoso Dominic Fabiani, tendo como estrela sua boa amiga e companheira constante Fabiana Dominici.

CARLO E SEUS IRMÃOS

Carlo e Seus Irmãos conta a odisséia de Carlo e seus irmãos: Niccolo, Giacomo, Ottorino, Gioacchino, Giuseppe, Vittorio, Gaetano, Ruggiero, Cesare e Pietro, que emigram dos subúrbios de Roma para o centro de Roma. No decorrer dos conflitos provocados pelo doloroso desenraizamento a que são forçados pela Revolução Industrial, Niccolo torna-se profundamente obcecado por Giulietta, que ama Ruggiero e Pietro. Gaetano casa-se com Francesca, cujo caso amoroso com Giuseppe levou-o a cruelmente abandonar Gina, que, em sua amargura, impulsivamente conta para Cesare que Floria vem mantendo um caso com Goldfine.
Numa grande reunião de família, Antonietta, incapaz de esconder a frustração, revela sua gravidez. Arrasados, os irmãos visitam a pueril Sylvana, que, para eles, representa o último contato com o solo do qual foram desterrados. Eles a estupram, e nós ficamos com o sentimento do vazio.
Carlo e Seus Irmãos vem a ser o primeiro filme do perverso e talentoso Penuche Marchesi, tendo por astro seu bom amigo e companheiro constante Gérard Durain.


MÃE E FILHA

Durante a II Guerra, Gia e Maria, mãe e filha, atravessam a Itália para presentear o papa com o último par de meias de náilon que lhes restou. As meias somem em Torino, onde as duas ficam a fim de recuperá-las. Torino é devastada pelas bombas americanas, Gia e Maria são estupradas pelos soldados, e nós ficamos com o sentimento do vazio.
Este é o 27º filme sobre a Itália dilacerada pela guerra dirigido pelo amargurado Carissimo De Vita, tendo por estrelas suas boas amigas e companheiras constantes Lucia Vengerini e Patsy Harkness.
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sábado, 16 de fevereiro de 2008

chego a mudar de calçada...



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De Irma La Douce (1963).
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o bope tem guerreiros que acreditam no brasil


O.O

E como diria o Zé Simão: Buemba!
Pois não é que a Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim, acabou premiando com o Urso de Ouro o brasileiro Tropa de Elite ?!
Vixemariamãededeus!
O filme também lá foi recebido com controvérsias, além de passar por problema técnicos, como o que houve com as legendas, editadas em alemão e não no globalizado inglês, como é mais usual. E, como disse o próprio diretor José Padilha: "Uns nos acharam inteligentes, outros fascistas. Na verdade, não me preocupo com isso. "

Ok, eu também não estaria nem um pouco preocupada, com essa repercussão toda.
E Ok (2): resisto quanto posso, mas meu lado ufanista fica feliz com o sucesso de filmes brasileiros, não tem jeito!
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

o amor que se traduz


O que, raios, é fazer amor?
Sempre achei essa expressão coisa de menina virgem do interior ansiosa por uma fusão romântica-orgásmica-amorosa-eterna. E, inevitavelmente, a pobrezinha passaria o resto da vida amuada, copulando com um cara muito mais interessado no campeonato mineiro de futebol do que em fazê-la gozar. Ou feliz.
Nunca acreditei nessa história de demonstrar todo o sentimento que vai por dentro através da união mágica dos corpos. Acho uma pentelhação sem fim filmes românticos em que o casal enamorado transa à luz trepidante de velas, inebriado pela brisa, sussurra palavras de devoção eterna ao pé do ouvido e, ao final, repousa nos braços um do outro sem uma gota de suor e com todos os pêlos no lugar. Pelamordedeus! Sexo é incrível porque é irracional, animal. Porque, naquele momento, você se esquece. Perde-se. Une-se ao outro e, somados, viram energia, gozo, loucura temporária. É incrível porque é insano, vem das entranhas. E, havendo tesão (e quase sempre um pouco de álcool), pode ser muito bom mesmo sem maiores aprofundamentos emocionais.
Só sei que amor não se faz. Amor se sente. Amor se dá, se doa. A materialização dele pode ser carinho, pode ser cafuné. Pode ser sexo. Mas, apesar de ser uma ferramenta poderosa, ninguém passa a amar, ou o amor, através do sexo. Hoje sei que existe uma diferença colossal entre trepar e transar com quem se ama - o primeiro é uma atividade aeróbica. O segundo, uma harmoniosa fusão do corpo com o coração. É ter prazer em provocar prazer. É importar-se com as pequenas reações do outro, é catalogar mentalmente tudo que causa arrepio, gemidos. É ficar feliz em sentir a pele, em encaixar as curvas, em respirar perto do pescoço.
Para mim, fazer amor é muito mais que um jeito meiguinho e politicamente correto de se referir ao sexo. Para mim, fazer amor é estar com quem se deseja profundamente do jeito que se gosta, sem moralismos, com risos. Depois, ficar na cama conversando. Ou dormindo. Ao acordar, ir à geladeira trazer água. É pegar duas toalhas de banho no armário. Perguntar aonde vamos comer depois. Dar um abraço a caminho do elevador. É entregar-se a viver o dia-o-dia.
Sendo assim, quero mais é fazer amor por toda a minha vida.


de:
Ailin Aleixo.
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lady day


quanto abismo cabe
na palavra abismo,


quantos passos até a borda
da estrela-pantera-negra,


quantas brumas brancas,
quantos acordes de blues,


quantas noites sem sono
quantos abalos sísmicos


para sossegar o dragão
que cospe esse fogo-azul


chamado névoa, vulcão,
solitude?


Ademir Assunção.
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imagem: Billie Holiday.
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amor = humor

http://videos.sapo.pt/nzsYwioZWK4kvqZCLoyh
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eu não sei colocar o vídeo.
:(

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

such small hands


My funny valentine
Sweet, comic valentine
You make me smile with my heart
Your looks are laughable, unphotographable
yet your my favorite work of art

Is your figure less than Greek?
Is your mouth a little weak?
When you open it to speak,
are you smart?
But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine
Stay
Each day is valentine's day.

Is your figure less than Greek?
Is your mouth a little weak?
When you open it to speak,
Are you smart?
But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine
Stay
Each day is Valentine's Day


My Funny Valentine,
de Rodgers & Hart.
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imagem: cartão de e.e. cummings para Marion Morehouse.
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

a resposta é - recuso


Eu já fui uma daquelas fãs chatas de cinema que se recusam a ver em Steven Spielberg mais do que um cineasta "pipoca", de filmes "pipoca", cheios de efeitos especiais e destinados a amealhar dólares pelo mundo, sem maior profundidade.
Mas o tempo passa, o tempo voa.
E a gente cresce e vê que há poucas coisas mais burras que o maniqueísmo, e poucas coisas mais bobas que cinéfilos com cara-de-conteúdo.
Um cineasta de técnica irrepreensível, aliada a um amor ao cinema e uma cultura cinematográfica invejáveis, que estão presentes em seus filmes e em muitas de suas atitudes deste lado da tela, como financiar um octogenário [valhamenossasenhora! será que é octAgenário?] David Lean, ao final da década de '80, quando o mestre do cinema clássico tentava fazer sua versão de Nostromo, de Joseph Conrad, enfrentando a reserva dos produtores americanos. Ou realizar um filme seguindo as orientações de outro grande diretor, como fez no kubrickiano A.I. - Inteligência Artificial.
E agora, mais uma vez, Spielberg surpreende com uma atitude das mais políticas, ao renunciar ao cargo de "consultor artístico" das Olimpíadas de Pequim, a se realizarem em 2008, alegando que a China não está pressionando suficientemente o seu aliado Sudão no sentido de o país por fim ao "continuado sofrimento humano" que se prolonga na região do Darfur. Segundo Spielberg, a situação é grave e urgente, tendo morrido mais de 200 mil pessoas, e chegando a dois milhões o número de refugiados: "A minha consciência não me permite continuar a trabalhar como antes."
Ele diz, em sua declaração: "Neste momento, o meu tempo e a minha energia devem ser gastos, não em cerimônias olímpicas, mas em fazer tudo o que puder para por fim aos indescritíveis crimes contra a humanidade que continuam a ser cometidos no Darfur." E ainda: "O governo do Sudão é o principal responsável por estes crimes, mas a comunidade internacional, em particular a China, devia fazer mais."
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hitch (iv)


Visto hoje Psicose (Psycho, 1960) pode até parecer ingênuo, e aquela explicação dada pelo psicanalista ao final do filme é certamente dispensável; mas o filme mais popular de Hitchcock é reconhecido até por quem nem sabe quem é o diretor, e foi o seu maior sucesso comercial, marcando o início de uma década menos brilhante que a anterior, mas ainda assim de grandes filmes.
E quem não se assusta com a trilha perfeita de Bernard Herrmann? Ou com o mil vezes citado banho de Janet Leigh - aqui, Marion Cotillard?
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

hitch (iii)


A Sucessora?
Não: Rebecca, a Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940), a primeira produção hollywoodiana de Hitchcock, revisitada com Keira Knightley e Jennifer Jason-Leigh nos papéis de Joan Fontaine e da excelente Judith Anderson, respectivamente.
A presença de Rebecca, a primeira esposa do nobre Maxim de Winter, assombra a mansão onde vai morar a nova Lady de Winter (que nem nome tem, coitada, para acentuar a sua personalidade algo, hum, apagada), principalmente por obra & graça da governanta Mrs. Danvers (Judith Anderson), saudosa (demais?) da antiga patroa. Já em sua estréia em Hollywood, Hitchcock mostrava genialidade e uma mente cheia de malícia, gerando dúvidas até hoje sobre a amizade entre a falecida e sua governanta.
Também conhecido como Recível, a Mulher Inesquebeca - como já ironizou o grande Paulo Francis .
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hitch (ii)


Claro que Naomi Watts é bem mais bela que 'Tippi' Hedren, e certamente teria um desempenho mais convincente e menos sonâmbulo que o da mãe de Melanie Griffith na "obra-prima doente" de Hitchcock. A cleptomaníaca frígida e cheia de traumas de infância é um ícone fashion, adorada por uns (como Marc Jacobs, Bertolucci, Truffaut) e execrada por outros tantos - ou seja, uma personagem polêmica, num filme polêmico.
Anyway, a foto ficou linda.
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

hitch(i)


(Começando ...)

Uma das mais belas fotos [do ensaio da Vanity Fair] é a que repete Disque M para Matar (Dial M for Murder, 1953), na mais famosa cena do filme, em que Grace Kelly - aqui Charlize Theron - é atacada por um invasor enquanto fala ao telefone.
Charlize é linda, clássica, hitchcockiana (tá, o clichê foi inevitável), e a cena é uma das melhores do mestre, mesmo num filme não tão genial.
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alfred hitchcock presents


Na mesma revista em que Alice Braga está na capa há um daqueles ensaios maravilhosos que só a Vanity Fair faz pra você: em fotos de Julian Broad, astros atuais, americanos, europeus e australianos, recriam algumas cenas clássicas de filmes de Alfred Hitchcock, com resultados inspirados ou nem tanto, mas sempre interessantes.
(em homenagem ao meu amigo *Fernando* , também fã da VF e de Annie Leibovitz, descobridor desta e de outras preciosidades da revista americana)
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let's get lost


*obrigada, James ;)*
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Envolvida em confusões & confusões, em meio a internações para desintoxicação, boatos sobre overdose, lamúrias públicas por um marido que nem vale lá muita coisa, brigas, consumo de drogas e uma aparência física alarmante de tão magra, visto negado para ir aos Isteites participar da cerimônia dos Grammy - nada impediu que Amy Winehouse ganhasse ontem alguns dos principais prêmios da noite: Gravação do Ano, Canção do Ano, Melhor Interpretação Vocal Pop Feminina (todos para Rehab, aquela maravilha), Artista Revelação e Álbum do Ano (Back to Black).

Bagaceira, sim, mas ótima!
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sônia? que sônia?


Ainda não fui assistir ao filme novo, com Will Smith - nem estou com tanta vontade assim, vou ver mais por ela - mas desde que vi Cidade Baixa adorei Alice Braga, e não acho nada exagerado esse falatório todo em torno do sucesso da atriz.
Bela e talentosa, ela está até na capa da Vanity Fair de fevereiro/2008 ( The Hollywood Issue), fotografada pela genial Annie Leibovitz como uma das Fresh Faces do cinema atual.
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domingo, 10 de fevereiro de 2008

mudança de comportamento


Sempre tive essa mania meio ridícula de tentar encaixar o cinema em tudo na minha vida. Às vezes eu me dano.
Imaginar histórias romanticamente aventureiras, ver amorespossíveis onde pouco há de real, idealizar pessoas por parecerem personagens queridos, investir sentimentos/ ações/ minha pele naquelas velhas conhecidas "histórias que não dão futuro a ninguém, mas dão um passado".
Ao perceber o quanto de ilusão havia naquilo, a reação também é posada, como alguma personagem mais sarcástica de algum filme europeu: um risinho cínico no canto da boca, aquele que fica quando se faz algo friamente, só pela experiência. Imaginando que tudo bem, o tempo das Irmãs Brontë já vai longe.

Mas, enquanto fecha a porta do elevador e ouço o barulhinho do Sonho de Valsa abrindo, me lembro de Chico Buarque cantando: "e dou risada do grande amor".
Mentira.
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sábado, 9 de fevereiro de 2008

faça fazer sentido


Sometimes I feel so happy
sometimes I feel so sad
Sometimes I feel so happy
but mostly you just make me mad
Baby, you just make me mad

Linger on your pale blue eyes
Linger on your pale blue eyes

Thought of you as my mountain top
thought of you as my peak
Thought of you as everything
I've had but couldn't keep
I've had but couldn't keep
Linger on your pale blue eyes
Linger on your pale blue eyes

If I could make the world as pure
and strange as what I see
I'd put you in a mirror
I put in front of me
I put in front of me

Linger on your pale blue eyes
Linger on your pale blue eyes

Skip a life completely
stuff it in a cup
She said money is like us in time
it lies but can't stand up
Down for you is up

Linger on your pale blue eyes
Linger on your pale blue eyes

It was good what we did yesterday
and I'd do it once again
The fact that you are married
only proves you're my best friend
But it's truly, truly a sin

Linger on your pale blue eyes
Linger on your pale blue eyes
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Há alguns dias não paro de ouvir Pale Blue Eyes, na versão original do Velvet Underground.
Talvez porque haja sempre esses dias em que a gente se vê perdida numa aldeia esquecida, sonhandoacordada com outra vida. Talvez tão contraditória e confusa quanto a que tem. Só que real.
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da vida das marionetes (x)

Espero que dê pra ir ver amanhã, enfim...
Tim Burton meets Johnny Depp mais uma vez, agora num musical de época: Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet ( Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street, 2007).
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

the rain people


Não é razoável que tenha chovido tanto em minha infância. Mas me vejo menino, e chove. Minha irmã já adolescente, e chove. Os dois no riacho, em roupa de banho, queimados de sol, e chove. O sol, vejo o sol no cimento, vejo o gato deitado no sol do cimento, e chove. Pode ser que então não chovesse; a chuva imprimiu-se mais tarde na minha memória.


Chico Buarque,
Estorvo.
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

by the way


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Quino.
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perguntas não vão lhe mostrar


" A Beatlemania pode não ter sido mais popular que o Cristianismo, como disse John Lennon na polêmica entrevista, mas antes dos Beatles países da Ásia, como Japão ou Filipinas, não consumiam música inglesa e americana em larga escala. Os Beatles fizeram a aproximação entre a música do oriente e do ocidente. Numa viagem aos Estados Unidos, ficaram amigos do grupo Byrds, pioneiro do folk-rock. Um empresário chamado Dick Bock tinha um selo de jazz em Los Angeles, o World Pacific. (...) O selo lançou os discos do citarista indiano Ravi Shankar e até um disco de meditação do Maharishi Mahesh Yogi. O guitarrista e compositor David Crosby, do Byrds (que mais tarde formou o trio Crosby, Stills & Nash) levou do estúdio um disco de Shankar e mostrou a George Harrison, que ficou encantado com o som novo. (...)"


The Beatles - Letras e Canções C0mentadas.
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George Harrison, o Beatle quieto, pisciano e místico, se encantaria não só com a música oriental, mas também com outros aspectos da cultura do outro lado do mundo. Como tantos outros na década de '60 (e como os beatniks anos antes), ele - e logo mais os outros Beatles - passaram a se envolver com as religiões e filosofia indianas, chegando a viajar para o Himalaia, em 1968, para conhecer pessoalmente o Maharishi Mahesh Yogi, guru praticante da Meditação Transcendental. Uma viagem polêmica - entre ouras coisas, parecia uma espécie de submissão dos colonizadores (as maiores estrelas da Inglaterra) à colônia (a Índia, antes sob longo domínio da coroa inglesa) - e com resultados não tão positivos - alguns dos participantes não estavam mesmo interessados em meditar, mas em estar ao lado das celebridades; Paul McCartney e Ringo Starr logo foram embora; John Lennon se decepcionou com o guru após suspeitas de que ele teria assediado uma das garotas que os acampanhavam.
Enfim, o prestígio do Maharishi foi arranhado, mas George continuaria sempre ligado ao oriente - amigo de Ravi Shankar por toda a vida, por exemplo - e ainda hoje há muitos adeptos da MT, como o genial David Lynch.
Adeptos que ficaram órfãos, com a morte do Maharishi Mahesh Yogi, na madrugada de hoje, aos 91 anos, em sua casa na Holanda.
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A propósito, a reação de Lennon à decepção com o guru aparece (disfarçada) em Sexy Sadie, canção do disco 2 do White Album.
Segundo o The Beatles - Letras... :

" Música de mágoa e rancor, lançada em novembro de 1968 no The White Album. (...) John ficou revoltado com uma fofoca de que o guru tiha dado em cima de uma garota. Descobriu que era um homem que estava ali, não um ser acima do sexo, com ele havia suposto. Ficou profundamente desapontado e foi embora brigado, dizendo que o guru era um picareta. George convenceu-o a mudar o nome da canção, que era ' Maharishi', e também a tirar os palavrões da letra. O nome do indiano foi substituído pelo da personagem Sadie, a sensual. (...)"

Sadie, a que "made a fool of everyone."
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

deus, um delírio


Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.

Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.


Fernando Pessoa,
Deus.
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sábado, 2 de fevereiro de 2008

que ti-ti-ti é esse que vem da sapucaí?


Mas é carnaval, não me diga mais quem é você...


Como sempre alheia a toda a folia meio histérica do Carnaval, meu sábado começa com o tipo de notícia capaz de me fazer rodopiar pela Sapucaí: mais um filme de Truffaut lançado em DVD, oba!
Chegou O Garoto Selvagem (L' Enfant Sauvage, 1970), um de seus filmes de menos sucesso, mais criticado que elogiado, mas que para mim é um dos mais interessantes, trazendo mais um dos garotos perdidos de que tanto o diretor gostava. Lembra um pouco O Enigma de Kaspar Hauser (posterior), e é o filme mais rosselliniano que Roberto Rossellini não fez.

\O/
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