quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

retrô


Vou terminar 2008 me enquadrando na categoria "cinéfila não-praticante" (com ou sem hífen, meu Deus? continuo totalmente por fora da nova reforma ortográfica), tenho que admitir.
Poderia apontar vários culpados pelo descanso: o trabalho (you know I work all day...); a falta de mais opções nos cinemas e locadoras locais; o fato de ser uma dona-de-casa, agora; a preguiça, mesmo.

O fato é que, como manda a tradição dos finais de ano, estava pensando hoje, logo ao acordar, em quais teriam sido os melhores filmes vistos ao longo de 2008. Nem sei se serão 10, como também manda a tradição, mas vamos tentar:


1. Na Natureza Selvagem (Into the Wild) - o filme mais tocante do ano, com a melhor trilha sonora. Fiquei ainda mais fã de Sean Penn.
2. Desejo e Reparação (Atonement) - já havia me apaixonado pelo livro, o que quase me fazia não ver o filme, pra que não lhe diminuísse o impacto. Graças a Deus mudei de idéia, a tempo de ver e gostar muito da adaptação, quase perfeita. E tem, além de tudo, Vanessa Redgrave mais uma vez iluminada.
3. Não Estou Lá (I'm Not There) - este foi um ano definitivamente Bob Dylan, para mim. E as múltiplas versões deste filme, principalmente a de Cate Blanchett, me encantaram.
4. Batman - O Cavaleiro da Trevas (The Dark Knight) - uma das notícias mais tristes do ano foi a morte de Heath Ledger, fazendo aumentarem ainda mais as expectativas em torno do novo filme do homem-morcego. Expecativas muito bem respondidas por Christopher Nolan e seu filme; ainda que não seja, sempre para mim, claro, melhor que os dois filmes de Tim Burton...
5. Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street) - por falar em Tim Burton, olha ele aqui! Tudo bem que é um musical estranho, e que Johnny Depp às vezes se pareça perigosamente com Bento Carneiro... mas é um filme ótimo, original e mórbido-na-medida-certa, como quase tudo do diretor.
6. Sangue Negro (There Will Be Blood) - a melhor atuação do ano foi a de Daniel Day-Lewis, pra variar.
7. Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men ) - não é o melhor filme dos Irmãos Coen, mas é um dos melhores, o que já garante estar acima de muitos outros. Dá pra perdoar até o cabelo do Bardem.
8. Vicky Cristina Barcelona - Bardem de novo, agora bem mais charmoso, irresistível mesmo. Por falar no filme mais divertido de Woody Allen nos últimos tempos, acho que vou ouvir a trilha pela centésima vez.
9. Ensaio sobre a Cegueira (Blindness) - [e eu ainda não li o livro] Para confirmar (precisava?) o talento de Fernando Meirelles, um filme excelente, com elenco perfeito e impactante como poucos.
10. Juno - ser original, divertido, leve e sem julgamentos de valor fazem dele - junto com a luminosa atuação de Ellen Page - um dos melhores dos últimos tempos, sem qualquer dúvida.
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sopro, golpe


Você tem interpretado bon vivants que esquecem os males do coração embarcando em novas paixões. Soa como um Antoine Doinel [personagem de filmes de Truffaut como "Beijos Proibidos" e "Amor em Fuga"] dos anos 2000, não? Enquanto admirador confesso de Jean-Pierre Léaud [intérprete de Doinel], como vê essa comparação?
Sou mais que um admirador de Jean-Pierre Léaud, sou um aficionado. Deveria fazer um período de desintoxicação em Léaud, porque sou dependente. A questão é que, se puder dar às pessoas a gana de viver a vida como uma aventura como Doinel me deu, ficarei feliz.


Trecho de entrevista com o belo ator francês Louis Garrel, um dos mais interessantes do cinema europeu recente.
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domingo, 28 de dezembro de 2008

boas festas


(foi copiado descaradamente do meu amigo André, mas tudo bem...)

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

angry young man


Hoje, 25 de Dezembro, é dia de festa, de celebração e de presentes, mas acabei de ver uma notícia triste e impossível de ignorar. Morreu ontem, na Inglaterra, um dos mais importantes dramaturgos britânicos do século XX: Harold Pinter, aos 78 anos, vencido por um câncer.
Pinter foi revolucionário nos palcos ingleses e também escreveu e até atuou no cinema - como em Palácio das Ilusões, uma adaptação de Jane Austen por Patricia Rozema - sendo responsável, entre outros, pelo roteiro dos maravilhosos O Criado, de Joseph Losey, e A Mulher do Tenente Francês, de Karel Reisz.
Em 2005 foi premiado com o Nobel de Literatura, que recebeu fazendo um belo e contundente discurso em que criticava os planos bélicos de George W. Bush e Tony Blair.

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Aqui, na íntegra, o discurso:

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bizarre love triangles


É uma conclusão recorrente: desde mais os menos 1988 não se passa um ano em que eu não veja ao menos um filme de Woody Allen, e quase sempre gostando muito. OK, isso acontece também com Hitchcock, é verdade, mas o assunto agora é Woody.
Ontem, plena véspera de Natal, me dei um presente e fui ver, à tarde, sem pressa e numa sessão surpreendemente populosa (e eu achava que não ia dar quórum...) Vicky Cristina Barcelona, com o saldo final mais comum: saí ainda mais fã de Woody Allen do que ao entrar no cinema, e com ainda mais vontade de ver seus filmes.
É cheio de clichês de turistas-americanos-se-perdendo-na-liberdade-européia? É. Os personagens são estereótipos? São, mas não tão unidimensionais assim. Parece que o diretor, mais uma vez, homenageia outros de seus colegas, ao filmar ao estilo deles? Também.
Mas nada disso atrapalha, muito pelo contrário, e mais contribui para a alegria de ver um filme divertido, charmoso, com boas atuações de atores exatos para os papéis, trilha sonora ótima. Faz parte da diversão tentar identificar a "presença" de diretores europeus, sempre admirados por WA; se na década de '70 ele queria-ser-Ingmar-Bergman e em Memórias era felliniano, em Match Point se aproximava de Truffaut e, agora, chega muy cerca de Almodóvar, a referência mais óbvia (há até uma cena tão parecida com a participação de Caetano em Fale com Ela) e, talvez, de Eric Rohmer e sua busca pela liberdade amorosa, sem grandes dramas, sem grandes tragédias.
Saí do cinema feliz, e me lembrando de uma das declarações do diretor sobre o filme: "Já é bastante difícil conseguir viver com uma pessoa. Com duas, tende a ser mais complicado. Na vida real, a maioria das pessoas não pode conviver com essa situação. Mas, no cinema, dá para fazer isso."
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

mais uma lista


Listas, listas...
...e eu continuo não resistindo a elas.
A última que vi divulgada pode não ser definitiva - qual delas é? - mas que tem prestígio, ah, isso tem!
A über Cahiers du Cinéma lança um livro com a sua seleção dos 100 filmes que considera imperdíveis - 100 Films pour une Cinémathèque Idéale.
Aqui:

http://www.omelete.com.br/cine/100016903/Principal_revista_de_cinema_do_o_solta_lista_com_100_filmes_obrigatorios.aspx
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

tudo é conjetural

Antes de concluir este capítulo, fui à janela indagar da noite por que razão os sonhos hão de ser assim tão tênues que se esgarçam ao menor abrir de olhos ou voltar de corpo, e não continuam mais. A noite não me respondeu logo. Estava deliciosamente bela, os morros palejavam de luar e o espaço morria de silêncio. Como eu insistisse, declarou-me que os sonhos já não pertencem à sua jurisdição. Quando eles moravam na ilha que Luciano lhes deu, onde ela tinha o seu palácio, e donde os fazia sair com as suas caras de vária feição, dar-me-ia explicações possíveis. Mas os tempos mudaram tudo. Os sonhos antigos foram aposentados, e os modernos moram no cérebro da pessoa. Estes, ainda que quisessem imitar os outros, não poderiam fazê-lo; a ilha dos sonhos, como a dos amores, como todas as ilhas de todos os mares, são agora objeto da ambição e da rivalidade da Europa e dos Estados Unidos.
Era uma alusão às Filipinas. Pois que não amo a política, e ainda menos a política internacional, fechei a janela e vim acabar este capítulo para ir dormir. Não peço agora os sonhos de Luciano, nem outros, filhos da memória ou da digestão; basta-me um sono quieto e apagado. De manhã, com a fresca, irei dizendo o mais da minha história e suas pessoas.


Machado de Assis,
Dom Casmurro.
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...na espera por Capitu, que estréia amanhã.

Há duas semanas revi partes de Os Maias; vi todo o início, com a história de Pedro da Maia e Maria Monforte, pulando para o final, quando Marília Pêra já ocupa o papel que fora de Simone Spoladore.
Sempre me deslumbro com as cenas, com aquele clima meio O Leopardo, com a música do Madredeus.
Hoje É Dia de Maria e A Pedra do Reino também são encantadoras, então só posso esperar algo muito bom da adaptação de Dom Casmurro por Luiz Fernando Carvalho.
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agenda

Para quem está em João Pessoa, uma ótima pedida para toda a semana que inicia hoje: o IV Fest Aruanda do Audiovisual Universitário Brasileiro:

http://www.bc10.com.br/aruanda/?p=programacao

Vão, e me contem tudo, plis.
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domingo, 7 de dezembro de 2008

ligações perigosas

Acabei de me sentir de volta para o passado, mais exatamente para os anos '80 e as revistas Manchete, cheias de informações absolutamente inúteis - mas tão divertidas - sobre celebridades.
Em meio às matérias sobre a crise no casamento de Charles & Diana ou as aventuras amorosas das belas princesas de Mônaco, nem tudo era só fofoca: havia também as notícias "sérias", como a polêmica que envolvia o "Caso von Bülow" - caso de polícia e dos mais graves, gente.
Martha 'Sunny' von Bülow era uma herdeira americana, casada durante alguns anos com um príncipe europeu, pai de dois de seus filhos. Em meados dos anos '60 casou-se com outro europeu, menos nobre e ex-rico falido, o playboy Claus von Bülow, pai de sua filha Cosima. Com episódios freqüentes de depressão, enquanto seu marido divertia-se nas festas do jet-set (viva a Manchete!) mundial, Martha se tornava mais e mais anímica e dependente ao longo dos anos, até que, em 21 de dezembro de 1980, sucumbiu a um coma profundo do qual nunca se recuperaria. A causa: dose excessiva de insulina endovenosa - além de ser pouco usual a via de administração, nada mais estranho que seu uso em alguém que não era diabética...
E assim surgiu o mistério: como foi que aconteceu a superdosagem? Uma tentativa de suicídio pela depressiva 'Sunny'? Ou uma tentativa de assassinato por seu marido tão suspeito? A dúvida - e os julgamentos - renderam matérias e matérias na imprensa mundial, o envolvimento de advogados famosos e muito dinheiro, sendo Claus von Bülow, ao final, absolvido.
'Sunny' viveria em coma pelos próximos 28 anos, encerrados ontem, dia 06, com sua morte em um asilo em Nova York.
O caso rendeu também um ótimo filme, que foi a minha primeira imagem ao ver a notícia hoje (a Manchete veio logo depois): O Reverso da Fortuna (Reversal of Fortune, 1990), de Barbet Schroeder, que proporcionou a Jeremy Irons seu Oscar de Melhor Ator - perfeito e charmosíssimo como von Bülow - e a 'Sunny' uma imagem nada simpática, na ótima atuação de Glenn Close.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

e a vida continua

Mais um iutube, agora pra lembrar que hoje, dia 1° de Dezembro, é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS.
Desde os anos '80, e mais ainda a partir dos '90, surgiram campanhas, movimentos, filmes, livros & tudo & tal (como diria uma das mais queridas vítimas da doença), sendo que um dos primeiros foi uma reunião de versões de standards de Cole Porter por astros pop em evidência, dirigidos por cineastas idem: Red, Hot + Blue.
Como esta, que sempre me emociona, de Every Time We Say Goodbye, por Annie Lennox:

http://www.youtube.com/watch?v=ON0qcXzuUYU&eurl=http://sound--vision.blogspot.com/
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todas as mulheres do mundo

Na mais bonita seqüência, Domingos [Oliveira] radicaliza o processo de se aproximar da realidade e, fingindo esatr diante da personagem Maria Alice, filma Leila [Diniz] nua. Desde a separação, não a via assim. Num quarto no hotel Quitandinha, em Petrópolis, ele varre com a câmera, como se fizesse um longo carinho de despedida, cada detalhe do corpo da mulher que, cansada das traições, o abandonara. Nenhuma vulgaridade sexy. Há apenas um close em que ela aparece com um breve esgar de riso. É apenas uma mulher nua com a naturalidade do seu sexo.
Em off, Paulo José lê sobre aquelas imagens o texto que Domingos escrevera, minutos antes, na Kombi que levara a equipe para o hotel:

(...)

A equipe tinha subido ao Quitandinha para realizar outra seqüência. A do "poema" não existia no roteiro. Leila foi no banco da frente da Kombi, e Domingos, atrás, escrevia com uma esferográfica enquanto tentava esconder as lágrimas. Mário Carneiro tentou uma piada: "É disso que eu gosto, cinema escrito à mão. Quando começa a datilografia, começa a acabar o cinema." Mas Domingos sabia, mesmo que depois visse falhas no estilo, que estava escrevendo as poucas linhas de um dos seus textos mais sérios.
Ele reconhece:

Era o último bilhete de amor. A gente não ia voltar mesmo. Leila estava em outra, embora minha paixão prosseguisse desvairada. Eu queria filmá-la nua, venerar a deusa, mostrar ao mundo o deslumbramento que sua alma e seu corpo tinham me causado. Gritar, numa palvra bela, um segredo que durante muito tempo tinha sido só meu.

Leila entendeu que a cena fazia todo o sentido - era o momento de reaproximação de Maria Alice e Paulo após a separação por causa da traição dele com a argentina - e topou fazer, o que aconteceu, segundo Domingos, "num silêncio de missa". O diretor não esquece a imagem grave de Mário Carneiro acionando a câmera. Todos sabiam da história por trás da cena e acrescentavam, com gestos mudos e delicadezas extras, um algo a mais à liturgia tradicional de filmar uma mulher nua.
"Eu gravava um plano e ia lá dentro chorar um pouco", lembra Domingos. "Por isso a comédia saiu tão boa."

Leila Diniz
(Perfis Brasileiros),
de Joaquim Ferreira dos Santos.
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Aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=PQVCDCBDYuI
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

enquanto isso, na sala de justiça

Finalmente uma notícia boa!
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

mudanças no meu comportamento

Fico chateado quando dono de blog não responde comentário ou - isso é pior ainda - responde uns e não outros.

Astier Basílio,
em seu blog.
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Agora me deu até vergonha de mim mesma.
Mas não é por mal que quase nunca respondo, Astier, juro.
Vou repensar isso.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

the old fashioned way


Quando era pequeno, em Santos, todo domingo eu corria para pegar o suplemento do jornal “O Diário de Santos”. Ia direto ver o que havia escrito a correspondente dos Diários Associados em Hollywood, Dulce Damasceno de Brito, que invariavelmente havia entrevistado algum astro famoso de um filme novo. Sempre tinha uma foto da jornalista posando com a personalidade - como a que ilustra esse texto, em que ela aparece ao lado de Bette Davis ("A Malvada").
Mais tarde, soube que houve outros brasileiros que moraram em Hollywood e haviam trabalhado como correspondentes, Vinícius de Moraes (como diplomata), Alex Viany, Louis Serrano (da revista "Cinelândia"). Mas eram todos intelectuais, não se fixavam nas celebridades – palavra, aliás, não usada tanto quanto hoje.

Como sempre disse Dulce, ela não era nem nunca quis ser crítica, era apenas uma fã.
Talvez seja por isso que eu me identifiquei com ela. No fim dos anos 60 e início dos 70, por problemas pessoais e profissionais, dentre eles o fim do sistema dos estúdios e dos Associados, Dulce retornou ao Brasil e escreveu um livo chamado "Hollywood Nua e Crua". Vale a pena procurá-lo em algum sebo porque foi o primeiro a contar toda a verdade do ponto de vista dela. Até então, todos os correspondentes estrangeiros compactuavam com a lei da mentira, um acordo de cavalheiros segundo o qual nunca se publicava coisas como o romance entre Katherine Hepburn e Spencer Tracy ou o fato de Rock Hudson ser gay. Embora ela se intitulasse fofoqueira, no livro revelou os fatos sem moralismo e com certa nostalgia.
Afinal, ela foi testemunha do fim de uma era que nunca mais vai voltar. Teve a chance de conviver com as estrelas de modo muito próximo. Não as figuras desglamurizadas de hoje, mas as lendas vivas, que viviam num Olimpo e hoje ainda são ícones. Assim, o filho dela brincava com o filho de Marlon Brando, Kim Novak a tratava como amiga pessoal, Marilyn Monroe também gostava dela. Dulce chegou a pedir para a atriz ajudar um dançarino brasileiro que atuava no número musical de “Os Homens Preferem as Loiras” – quanto mais próximo dela em cena, mais alto era o cachê.
Muitas vezes, Dulce me brindou com suas lembranças. Eleanor Parker como a mulher mais bela que já tinha conhecido. Sua paixão por Gregory Peck, sempre seu ídolo maior. Seu pequeno romance com o astro Fredric March. Com o tempo, ficamos amigos, cheguei a visitar sua casa e vasculhar seus incríveis arquivos. Era uma pessoa muito reservada, muito discreta e vaidosa, não gostava que as pessoas a vissem quando não estava no melhor de sua forma.
Eventualmente, publicamos pela “Coleção Aplauso” [da Imprensa Oficial] seu livro de memórias visuais, que foi enorme sucesso. Nesta altura, ela já estava bastante doente e o livro só saiu por causa da amizade e fidelidade do amigo cineasta e jornalista Alfredo Sternheim. Por causa do Mal de Parkinson , tinha dificuldade para escrever e foi o Alfredo que organizou o livro, sempre fiel às lembranças da amiga. Aliás, era Alfredo a única pessoa que ela consentia ver, foi seu grande esteio nos últimos tempos.
Não mencionei Carmen Miranda, sobre quem escreveu um livro chamado "ABC de Carmen Miranda", onde colocou tudo que podia sobre a melhor amiga. Ela foi a última pessoa que não era da família com quem Carmen esteve antes de morrer. Muitas vezes, se emocionou falando de Carmen, sua alegria contagiante, suas dores, seu final trágico e inesperado.
São tantas as lembranças que Dulce nos trouxe e nos provocou que só agora com sua passagem, seu desaparecimento, que a gente se dá conta da importância que ela sempre teve em nossa vida. De uma certa maneira realizou o sonho de todos nós, fãs e jornalistas, de entrar na intimidade dos ídolos, ganhar seu respeito e por vezes a amizade. Sem nunca perder ou destruir a ilusão que, afinal de contas, é a razão de ser da própria Hollywood.



Rubens Ewald Filho,
Adeus a Dulce Damasceno de Brito.
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Há sempre quem torça o nariz para REF. Ou para Dulce Damasceno, com seu estilo antigo de escrever, seus "mexericos da Candinha", sua tendência a valorizar quase que exclusivamente o cinema hollywoodiano antigo, e quase nada falar do mais recente. Ou melhor, valorizar quase que exclusivamente um certo tipo de cinema hollywoodiano, sob apenas certos pontos de vista; nada de muito analítico ou intelectual. Nada muito Cahiers du Cinéma.
Mas eu lia seus textos desde a adolescência - a minha, não a dela, claro - e nunca deixei de ter simpatia por eles, ou pelos de Rubens Ewald Filho. Ainda hoje prefiro, por exemplo, assistir à transmissão do Oscar com ele narrando, mesmo com suas gafes hilárias.
"Ela não era nem nunca quis ser crítica, era apenas uma fã.Talvez seja por isso que eu me identifiquei com ela." (2)
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sábado, 8 de novembro de 2008

cidade dos cegos


Viveca, você não está só: eu também não li o livro de José Saramago, mas gostei, e muito, do filme de Fernando Meirelles.
Assisti na última quarta-feira e, desde então, já paquerei o livro na Cultura algumas vezes, mas estou resistindo ao impulso porque sei que estou ainda sob o impacto do filme, e talvez apenas comece e acabe deixando pra lá, assustada por aqueles parágrafos quilométricos e pelo fato de que vontade é assim mesmo, dá e passa rapidinho. Vou deixar passar uns dias, pra ler (ou não) o livro por ele mesmo, sem a tentação da comparação.
Então, sem pensar que é a adaptação do livro de Saramago, o que já dá certo peso - Ensaio sobre a Cegueira é um ótimo filme, muito bem dirigido e com uma atuação perfeita de Julianne Moore (mais uma!), além da música do Uakti e de algumas cenas memoráveis, que emocionam e fazem refletir sem nunca parecerem piegas ou excessivamente "filosóficas". Gostei especialmente da igreja com os santos vendados e da cena em que Julianne Moore, sozinha e quase no escuro total, se percebe tão vulnerável quanto os cegos, justo num momento em que precisaria mais de sua visão, ao ter que escolher alimentos em um depósito de supermercado. Só por deixar o espectador tão perplexo, tão pouco confortável, o filme já mereceria aplausos.
Falar em solidariedade nesses tempos cínicos parece antiquado, mas é impossível não pensar, quando termina o filme, em idéias como O presente é tão grande, não nos afastemos./ Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas, de Carlos Drummond - somos todos irmãos.
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talvez desde pequeno tenha sido habituado a enxugar prantos

Gostava de ser recordado como o escritor que criou a personagem do cão das lágrimas, no Ensaio sobre a Cegueira. É um dos momentos mais belos que fiz até hoje enquanto escritor. Se no futuro puder ser recordado como "aquele tipo que fez aquela coisa do cão que bebeu as lágrimas da mulher", ficarei contente. Se alguém procurar naquilo que eu tenho escrito uma certa mensagem, atrevo-me pela primeira vez a dizer que essa mensagem está aí. A compaixão dessa mulher que tenta salvar o grupo em que está o seu marido é equivalente à compaixão daquele cão que se aproxima de um ser humano em desespero e que, não podendo fazer mais nada, lhe bebe as lágrimas.

José Saramago
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sábado, 1 de novembro de 2008

festa estranha, com gente esquisita

Esperar mais de 15 anos pra ver um filme nem sempre é bom, porque as expectativas, as cenas imaginadas (é, eu fico imaginando como será, como será...), a impressão esperada, enfim, nem sempre são alcançadas.
Mas uma das melhores coisas é quando sim, o filme era tudo aquilo mesmo, valeu a pena esperar!
Como aconteceu hoje, quando finalmente matei minha curiosidade em relação a Petulia, Um Demônio de Mulher (Petulia, 1968), o filme de Richard Lester que esperava ver desde que comecei a me interessar pelo cinema inglês da década de '60. Aliás, que filmes difíceis de achar, afe. Falo, claro, do mercado convencional de DVD, porque ainda estou no período dos DVDs oficiais, quase nada baixado do computador, ao menos por enquanto.
O que me interessava - e encontrei - nele: a psicodelia, fartamente presente naquelas cores sessentistas berrantes, nas minissaias lindas de Julie Christie, na própria estrutura narrativa do filme, bastante inusitada ainda hoje; Julie Christie linda, linda, a mais luminosa das atrizes inglesas sempre; a fotografia de Nicolas Roeg, que depois viraria um diretor dos mais interessantes; George C. Scott, grande ator, um charme; Joseph Cotten colorido!
Mesmo achando meio estranho demais, ao começar a ver, logo me envolvi com seus tempos confusos, sua edição mais rápida (e sem maiores explicações) do que outros filmes da época, o elenco ótimo e toda a presença hippie da São Francisco da época, com direito até a Janis Joplin logo no comecinho do filme.
Próximo passo: Lindsay Anderson!
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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

lili marlene


Um dos meus subgêneros favoritos é o de "filmes sobre a Segunda Guerra", o que me faz ver de Top Secret-Superconfidencial a Pearl Harbor (gosto demais do primeiro, não gosto nem um pouco do segundo).
Não daria, então, pra resistir a A Espiã ( Zwartboek, 2006), filme holandês de Paul Verhoeven, diretor que não me empolga, nem em suas produções hollywoodianas nem nas anteriores, em que dirigia Hutger Hauer (onde anda?) em filmes escandolosos, na década de '70. Mas aqui, nesse filme, gostei finalmente dele.
Há os momentos exagerados, as fugas meio MacGyver da heroína - Carice van Houten, bela e ótima no papel, uma certa vontade de chocar (mas hoje algo ainda choca?) com algumas cenas mais, hm, explícitas - só que bem colocadas no filme, ao contrário daquela coisa que era Showgirls, por exemplo... Mas há momentos luminosos e personagens inesperadamente atraentes, como o oficial nazista por quem a personagem principal se apaixona, Müntze (Sebastian Koch). Além de uma impressão de tensão permanente, que não sossega nem com a libertação da Holanda invadida pelos nazistas - aliás, o terror depois parece até mais cruel que antes. Não há heróis perfeitos na história, muito pelo contrário - o grande herói celebrado pelos holandeses é uma farsa - nem há ufanismos maniqueístas, e só por isso, por relativizar, já dá pra gostar do filme, mesmo com seu pessimismo todo.
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deus dos delicados

tudo está no seu lugar
minha namorada está sozinha na janela
o sonho está dormindo na cabeça do homem
o homem está andando na cabeça de Deus
minha mãe está no céu em êxtase,
eu estou no meu corpo.

murilo mendes
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eu sempre preferi o donald

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domingo, 5 de outubro de 2008

enfant gâté

Santa deselegância, Batman...
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ô diferença...


Mas o que eu queria mesmo era estar no Rio, só pra poder votar lá.
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everybody comes to rick's

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topolino


O cartaz de La Strada versão Clube do Mickey é mesmo irresistível.
De onde vem: Fellini, como tantas pessoas inteligentes & bem humoradas, era apaixonado por cinema e também por quadrinhos, e era correspondido. Um exemplo é essa historinha - expressão novinha-em-folha; acabou de me fazer lembrar os sábados à tarde em que ia comprar gibis & chocolates no Globo, ali pertinho da Praça da Bandeira, depois GloboSom e hoje nem sai mais o quê - criada por Massimo Marconi e desenhada por Giorgio Cavazzano, alguns dos responsáveis pela versão italiana dos desenhos de Walt Disney. Foi publicada em 1991, ainda a tempo de ser vista e aprovada pelo cineasta italiano.
Por falar nisso, há também uma versão de Casablanca, estrelada por: Mickey (Rick Blaine), Minnie (Ilsa Lund) e Pateta (Sam). Eu quero.
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primeiro turno

Quem pode impedir que o povo queira ser mal governado? É um direito anterior e superior a todas as leis.

Machado de Assis,
06 de Janeiro de 1895.
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

do you speak english?


Falava sobre o filme de Bruno Barreto que quer ir ao Oscar e me lembrei de alguns filmes não-americanos que ganharam o prêmio, fazendo da categoria Filme de Língua Não-Inglesa uma das mais interessantes.
Lembrei-me especialmente do primeiro a ganhar o tal prêmio, incluído apenas a partir de 1956 entre os que são submetidos à votação pelos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, como informa o Tudo Sobre o Oscar, de Fernando Albagli:

"Até 1955, o Melhor Filme de Língua Não-Inglesa ganhava um prêmio honorário concedido pela Junta de Diretores. A partir de 1956, a votação foi aberta a todos os membros da Academia que comprovadamente tenham assistido, em cinema, aos cinco indicados.
"As indicações são selecionadas por um comitê especial. Todos os países são convidados a submeter filmes a esse comitê, mas apenas um filme de cada país pode ser selecionado.
" Esta categoria não exige que o filme tenha sido lançado comercialmente em Los Angeles para ser escolhido. Mas deve ser exibido em seu país de origem, entre 01 de Novembro de um ano e 31 de Outubro do ano seguinte, durante sete dias consecutivos. Essa habilitação especial explica porque um filme podia ser indicado entre os melhores de língua não-inglesa num ano, e seu elenco, ou equipe técnica, indicado em outras categorias, em algum ano seguinte, ao ser exibido em Los Angeles. Atualmente, apenas os que não forem indicados poedm concorrer, em anos seguintes.
"(...) Segundo as novas normas, pelo menos duas das três pessoas responsáveis por ocupações-chave no filme (direção, roteiro e produção) devem ser do país que fez a inscrição. Parte significativa do elenco também tem que ser do país de origem. "

Sim, mas...
... mas o que me fez começar o post foi a lembrança do primeiro a ganhar o prêmio, já disse. E que filme! Foi o primeiro Oscar para um filme de Fellini, e um de seus melhores: A Estrada da Vida (La Strada), produzido por Carlo Ponti e Dino de Laurentiis e, claro, com Giulietta Masina inesquecível como Gelsomina.
Não sou das maiores fãs de Fellini, admito. Mas seus filmes eram sempre melhores com Giulietta, uma atriz que conseguia ser comovente, engraçada, bela, forte, frágil, lírica como pouquíssimas. E nesse filme, nesse papel, mais do que nunca.
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atualizando

Pra quem ainda não sabe:
o escolhido do Brasil como possível indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira: Última Parada 174, de Bruno Barreto. Ainda nem estreou comercialmente; foi exibido apenas por bem pouco tempo, acho que apenas em uma sala no interior de São Paulo (não tive tempo de ler mais, sorry), mas é condição obrigatória que os concorrentes tenham sido exibidos em seu país de origem no ano da premiação.
Ô força.
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sábado, 13 de setembro de 2008

eu sou um falso profeta

Não fui eu, foi Paulo Coelho...

Toda cor tem seu propósito, embora pensem que são escolhidas por acaso. Branco significa pureza e integridade. Negro intimida. Vermelho choca e paralisa. Amarelo chama a atenção. Verde faz com que tudo pareça tranqüilo, é possível seguir adiante. Azul acalma. Laranja confunde.

O Vencedor Está Só.
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verdade é, meu Senhor, que hei delinqüido


Reclamo & reclamo dos cinemas daqui e acabo deixando de ver alguns filmes quando passam, por falta de tempo, oportunidade ou, mais feio, de coragem de sair de casa e ir ao Shopping. Foi assim que não vi, pouco depois do Oscar, Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007), mesmo com Daniel Day-Lewis & tudo.
Só esta semana vi o filme de Paul Thomas Anderson, e fico pensando se a espera e a quantidade de coisas lidas sobre ele não diminuíram um pouco o seu impacto. Porque claro que gostei, que é um dos melhores filmes do ano, e que DDL reina soberano, tão magnético que nem consegui olhar muito para os outros atores (nem Paul Dano, que não me impressionou muito, aliás). Mas não me pareceu que tenha sido o grande filme, o Cidadão Kane dos anos 2000...
Para mim, tá mais pra Assim Caminha a Humanidade: grandioso, com personagens fortes e uma história maior que a vida; mas também um pouco cansativo em certos momentos. E talvez eu tenha perdido algo no caminho (são mais de duas horas de filme), mas parece faltar alguma coisa, algum sentido maior nas ações dos dois principais personagens (Daniel Plainview e Eli Sunday, o pastor da Igraja da Terceira Revelação), cada um tão ganancioso quanto o outro, mais diferentes na aparência do que no que pretendem de verdade.
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capas (vi)


Mais de 40 anos após sua morte, Marilyn Monroe continua sendo notícia e aparecendo em belas capas de revista.
Fotografada por Bert Stern, no famoso último ensaio que faria, a atriz aparece na capa da Vanity Fair de outubro/2008:

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terça-feira, 9 de setembro de 2008

sereias (iii)


Julianne Moore brinca de Ariel, para Annie Leibovitz.
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todos juntos, vamos


E começam os pitacos para o próximo Oscar.
O Ministério da Cultura divulgou hoje a relação dos filmes brasileiros que se candidataram a uma possível vaga brasileira na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira de 2008; deles será escolhido apenas um, a ser conhecido no dia 16 de Setembro próximo.

Há chances para:

- A Casa de Alice, de Chico Teixera
- A Via Látea, de Lina Chamie
- Chega de Saudade, de Laís Bodanski
- Era Uma Vez, de Breno Silveira
- Estômago, de Marcos Jorge
- Meu Nome Não É Johnny, de Mauro Lima
- Mutum, de Sandra Kogut
- Nossa Vida Não Cabe num Opala, de Reinaldo Pinheiro
- Olho de Boi, de Hermano Penna
- Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado
- O Passado, de Hector Babenco
- Os Desafinados, de Walter Lima Júnior
- O Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli
- Última Parada 174, de Bruno Barreto
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

solos de guitarra não vão me conquistar


Notícia lida há alguns dias, já antecipada num daqueles flashes do Jornal MTV: Pesquisa comprova vínculos entre tipos de personalidade e uma gama grande de estilos musicais.

O estudo foi feito por um professor da universidade escocesa Heriot-Watt, chamado Adrian North, e chegou a algumas conclusões, após avaliar a personalidade e as preferências musicais de 36.518 pessoas, no mundo todo:

* "As pessoas freqüentemente definem seu senso de identidade por seu gosto musical, as roupas que vestem, pelo fato de frequentar determinados pubs e usar certos tipos de gíria. Assim, não surpreende que a personalidade também guarde relação com os gostos musicais."
* "Os fãs do jazz e da música erudita são criativos e têm boa auto-estima, embora os primeiros sejam mais extrovertidos e os segundos, mais tímidos."
* "Os fãs de música country e western foram classificados como pessoas trabalhadoras e tímidas, os fãs do rap, como extrovertidas, e os fãs da música indie têm baixa auto-estima e não são muito gentis."(indie bom é indie morto?!)
* "As pessoas que curtem música soul são criativas, extrovertidas, gentis, têm boa auto-estima e sentem-se à vontade com elas mesmas.."
* "Pessoas que optam por ouvir música agressiva e excitante têm mais probabilidade de ter bastante dinheiro, enquanto aquelas que curtem sons relaxantes tendem a ganhar menos."

OK. Primeira providência depois de ler os tais resultados: show de Scorpions, em Olinda.
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domingo, 7 de setembro de 2008

i coulda been a contender

O tempo passa, o tempo voa...

Já vai longe o tempo em que se ouvia essa musiquinha na propaganda de um banco. E já vai tão longe quanto o tempo em que se ouvia falar (e ler) sobre Mickey Rourke como astro de cinema, ou promessa de astro rebelde, à la Marlon Brando, que ele emulava em um de seus mais celebrados papéis, o Motorcycle Boy de O Selvagem da Motocicleta (Rumble Fish, 1983), de Coppola, o pai.
Dos anos '80 pra cá, o ator americano percorreu a trajetória clássica de certo tipo de celebridade: de astro promissor a sex-symbol (quem esquece suas cenas com Kim Basinger?), de sex-symbol a bom ator, contracenando com Robert De Niro em Coração Satânico (Angel Heart, 1997, de Alan Parker), de bom ator a astro pretensioso, querendo ser Charles Bukowski em Barfly (1987), seguindo então ladeira abaixo, com direito a filmes horríveis (Orquídea Selvagem, por exemplo); uma mudança frustrada de profissão, que acabou por destruir o que havia de belo em seu rosto, como boxeador; o casamento com uma top model que acabou em escândalos de violência (a bela Carré Otis, hoje modelo de roupas super size); tentativas de volta ao topo, com atuações elogiadas como em Sin City - A Cidade do Pecado(2005).
Na adaptação dos quadrinhos de Frank Miller, aliás, é perturbador vê-lo ainda mais monstruoso que na vida real, triste e trágico como se imagina que estivesse mesmo - anos antes, ele filmara novamente com Francis Ford Coppola em O Homem que Fazia Chover (The Rainmaker, 1997) e dera conselhos melancólicos sobre como lidar com a fama a Matt Damon, o protagonista do filme, então em ascensão. O filme dirigido por Frank Miller e Robert Rodríguez também foi bom para me tirar uma dúvida antiga: não, Mickey Rourke e Bruce Willis não são a mesma pessoa.
E não é que agora, 21 anos depois daquela bela capa da primeira edição da SET, volta a se falar em Rourke como astro, já previamente cotado para o Oscar? Seu filme dirigido por Darren Aronofsky, The Wrestler, foi ontem o vencedor do 65° Festival de Cinema de Veneza, e vem sendo elogiadíssimo, assim como a atuação dele como um lutador de luta livre; não ganhou o prêmio de melhor ator, o que causou certa polêmica, mas era um dos favoritos.
De quem será o próximo retorno dos 80's? Don Johnson?!
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

para todas as outras existe mastercard


Há algumas atrizes que sempre me fazem ver seus filmes: Audrey Hepburn, Ingrid Bergman, Jeanne Moreau, Isabelle Adjani, Nastassja Kinski, Audrey Tautou. Pode até nem ser um bom filme - o que vale especialmente para Kinski, mas não se aplica a Adjani ou Hepburn, que não têm filmes ruins.
Quanto a Audrey Tautou, é o já velho clichê: claro que adorei Amélie Poulain e desde o filme fiquei fã dela, procurando ver o que estivesse à mão: do anterior Instituto de Beleza Vênus, que é ótimo, ao hollywoodiano O Código Da Vinci, nada tanto assim. E, graças a Amélie também, certamente, têm chegado aos cinemas daqui alguns dos filmes dela, o que não é nada comum para as produções européias.
Como o francês Amar... Não Tem Preço (Hors de Prix, 2006), de Pierre Salvadori, que vi ontem. Parece uma versão século XXI de Bonequinha de Luxo, mais uma vez forçando um pouco a semelhança entre as duas Audreys, mas não deixa de ser charmoso, leve. Poderia descambar para um moralismo mais chato, ou para a seriedade de falar sobre a prostituição e o consumismo exacerbado, mas prefere o romantismo e o bom humor, felizmente, ao contar uma história de amor entre uma garota que depende da bondade de estranhos (velhos escandalosamente ricos) e um garçom tímido que ela confunde com mais um milionário, e que até ficará por um tempo como uma versão masculina dela, em hotéis maravilhosos da Riviera francesa.

Enfim, nada como uma comédia romântica pra alegrar a vida.
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capas (v)


Notícia véia, mas me lembrei hoje dessa foto que acho maravilhosa, e que causou polêmica no início deste ano, estampada na capa do Le Nouvel Observateur (de Janeiro/2008): Simone de Beauvoir nua (mas de saltinho), fotografada de costas arrumando seus cabelos, aos 50-e-poucos-anos. Num momento em que se celebravam os cem anos de nascimento de uma das mais famosas intelectuais do século XX, ícone feminista, mostrá-la em posição tão inesperadamente indiscreta, ainda por cima retocada (a imagem parece haver passado por algum daqueles processos digitais, que a teriam tornado mais "certinha"), causou furor entre os admiradores da escritora francesa, ao ponto de até passeatas serem feitas para a retratação da revista. Adoro isso.
A foto foi feita em 1952, quando Simone vivia um romance com o americano Nelson Algren, um dos seus amores-contigentes na longa relação com Jean-Paul Sartre. Ela estava em Chicago, na casa de um amigo de Algren, o fotógrafo Art Shay, então estagiário da revista Life, que a teria surpreendido e feito o registro. A reação dela? "Você é um menino mau." Só.
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terça-feira, 2 de setembro de 2008

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- Que frase resume você?
- Estou ansiosa pra virar zen.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

onde estavas quando as luzes se apagaram?


Existe afinal diferença entre a apreciação de um filme, dependendo de onde o vemos? Ou: será mesmo que o cinema, a sala de cinema, por si só, já melhora qualquer filme?

O site IMDB perguntou aos seus visitantes, há alguns dias, "Como você viu seu filme favorito a primeira vez?" E obteve como principais respostas: 46,6% -> em DVD/ vídeo; 28,9% -> em salas de cinema.
Sinal dos tempos? Perhaps perhaps perhaps. Mudança no comportamento dos cinéfilos, buscando mais o lar para a experiência cinematográfica? Ppp.

Anyway, eu, como boa fã dos rituais, prefiro ver filmes no cinema, mas moro no meio do mato e isso me faz ter visto a maior parte dos meus filmes favoritos no DVD e na TV, mesmo.
Mas o favorito, o überfavorito, eu vi primeiro no cinema, com muito orguio, mesmo que (ou talvez isso tenha contribuído mais ainda para a sua importância pra mim) em condições bem adversas. Numa noite especialmente solitária, véspera de uma prova de residência, no meio de uma fossa abissal, quem me salvou foi Os Incompreendidos, e eu agradeço até hoje.
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domingo, 31 de agosto de 2008

blog day

Graças ao querido Juan - logo ali nos links, olhem! - soube que hoje, 31 de Agosto, é o Blog Day.

http://www.blogday.org/pt.htm
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hold my poodle


Notícia lida no UOL Bichos, há alguns dias:

Poodle é o cachorro ideal para a família Obama, diz pesquisa

Nova York, 28 ago (EFE).- O poodle é a raça de cachorro ideal para a família do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, segundo uma enquete do American Kennel Club divulgada hoje.
A organização explicou em comunicado que teve a idéia de consultar os americanos ao saber que Obama prometeu a suas filhas Malia e Sasha, de dez e sete anos, que compraria um cachorro para elas depois das eleições, independentemente dos resultados do pleito.
Para realizar a enquete, o clube fez uma pré-seleção dos candidatos a se tornar o cão da família Obama, levando em conta que as filhas do candidato democrata sofrem com alergias.
Outros requisitos para o cachorro dos Obama eram que deveria ser de uma raça sociável com as crianças, um bom companheiro de viagem a bordo do avião presidencial Air Force One, ter um nível de energia moderado e um temperamento estável de modo a "se adaptar a uma ampla variedade de visitantes, desde chefes de Estado a membros da imprensa".
Na votação, em que participaram mais de 42 mil pessoas, o poodle conseguiu vencer "por poucas centenas de votos" o wheaten terrier de pêlo suave, "em uma disputa quase tão acirrada como a de Hillary Clinton e Obama para ganhar a nomeação democrata à Presidência", assinalou o American Kennel Club.
O American Kennel Club lembrou ainda que o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, tem 24 animais de estimação, entre eles cinco cachorros, enquanto para a família Obama esse seria o primeiro cão.
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Viva Kalu!
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sábado, 30 de agosto de 2008

olhos de ressaca


Mais um motivo para eu amar os Simpsons sobre todos os outros desenhos (desculpe, Manda-Chuva): só hoje descobri - descobriram pra mim, na verdade - que, num longínquo episódio da quarta temporada da família, entre várias outras referências cinematográficas, aparece uma especialmente querida para mim.
A certa altura de Kamp Krusty, Lisa é vista toda misteriosa, encapuzada e enevoada, encontrando-se com um homem a cavalo. Filmada de perfil, ela arregala os olhões à la Meryl Streep em A Mulher do Tenente Francês (The French Lieutenant's Woman, 1981), um dos meus filmes favoritos, adaptado de um dos meus livros favoritos. A mesma expressão de mistério, solidão e loucura que hipnotiza o cientista Charles (Jeremy Irons) e quem lê o livro ou vê o filme.

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shiny happy people

Pára tudo!
Nem coleção de VEJA, nem novas visitas ao Shopping, nadanadanada.
Mesmo que eu fique a roer ossos, mas não posso deixar de seguir a ordem:

*O REM fechou contrato para tocar no Brasil. Serão provavelmente cinco shows, em Porto Alegre, Rio e São Paulo, entre 5 e 12 de novembro. As datas e os locais estão sendo definidos pela produtora Mondo.*

Como se já não bastassem a possibilidade de ver Madonna e a viagem - esta já jurada e sacramentada na CVC - de outubro, ainda mais essa!
E eu não posso deixar de querer ver ELE - Michael Stipe. Depois dos Beatles e do choro dos babys, o REM deve ser o que eu mais ouço na vida, e o que, mais grave, mais me escuta e responde. Se não fosse por Losing my religion, Man on the moon (uma música tão linda para um ator tão chato), a música pra Montgomery Clift etc. etc., Michael Stipe já seria o máximo só por ser tão assumidamente humano a ponto de eternizar duas das coisas mais ridículas (e boas) da TPN (tensão pré-namoro), em At my most beautiful: I read bad poetry/into your machine/I save your messages/just to hear your voice...
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http://www.youtube.com/watch?v=WFt_E4fl_sA
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ligue djá

Dúvidas, dúvidas...
É quase sempre difícil resistir ao meu impulso colecionista, que pode abarcar de Barbies a filmes de Truffaut, passando por marcadores de livro roubados de amigos, irmão, livrarias...
E agora, ou melhor, domingo passado, a VEJA chega com um DVD e um livrinho prometendo "especialmente para você uma superseleção de 50 grandes sucessos do cinema. (...) O melhor de cada gênero (...) tão indispensável como cinema."
Começa com A Cor Púrpura e termina com Um Sonho de Liberdade (nenhum dos dois particularmente atraente pra mim), mas no meio há Hitchcock (Disque M para Matar e Intriga Internacional), Monty Python, O Informante etc. Há alguns que já tenho - A Malvada, Edward Mãos de Tesoura, Ligações Perigosas, por exemplo - outros que não faço muita questão em ter (ou mesmo ver, como Mad Max).
O preço até que não está tão extorsivo, mas me incomoda a obrigatoriedade (eu gosto de minhas coleções, minhas escolhas), a impressão de livro comprado a metro.

Aqui:
http://www.assineabril.com.br/assinar/colecao-cinemateca-veja/
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hey, ho, let's go

1. Try a Little Tenderness - Ottis Redding, em Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights)
2. No Ceiling - Eddie Vedder, em Na Natureza Selavagem (Into the Wild)
3. A Whiter Shade of Pale - Procol Harum, em Ondas do Destino (Breaking the Waves)
4. Across the Universe - Rufus Wainwright, em Uma Lição de Amor (I am Sam)
5. Come Pick me Up - Ryan Adams, em Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown)
6. Twisted Nerve - Bernard Herrmann, em Kill Bill, Vol. 1
7. The Sounds of Silence - Simon & Garfunkel, em A Primeira Noite de um Homem (The Graduate)
8. Just Like Honey - The Jesus & Mary Chain, em Encontros e Desencontros (Lost in Translation)
9. It Wouldn't Have Made Any Difference - Todd Rundgren, em Quase Famosos (Almost Famous)
10. Most of the Time - Bob Dylan, em Alta Fidelidade (High Fidelity)
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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

a vida como ela era

E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saia delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!

O Primo Basílio,
de Eça de Queirós.
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(estou vendo a minissérie de novo, e de novo achando incrível como Daniel Filho conseguiu fazer tudo tão perfeito e, quase vinte anos depois, estragar daquele jeito...)
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spanglish

Ainda a propósito de Vicky Cristina Barcelona:
O Ilustrada no Cinema trouxe, há alguns dias, trechos do diário de filmagens de Woody Allen, publicados no New York Times.
Mas é claro que não parece ser sério.
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2 de janeiro:
Recebi uma oferta para escrever e filmar em Barcelona. Preciso ser cauteloso. A Espanha é ensolarada, e eu tenho sardas. O dinheiro não é grande coisa, mas o agente negociou para mim um décimo de 1% de tudo o que o filme fizer acima de US$ 400 milhões depois de cobertos os custos da produção.
Nenhuma idéia para Barcelona, a não ser talvez adaptar a história de dois judeus de Hackensack (Nova Jersey) que abrem uma empresa de embalsamamento por correspondência.

5 de março:
Encontrei Javier Bardem e Penélope Cruz. Ela é arrebatadora e muito mais sexual do que eu imaginava. Durante a entrevista, minhas calças pegaram fogo.
2 de abril:

Ofereci o papel para Scarlett Johansson. Ela disse que, antes que pudesse aceitar, o roteiro teria de ser aprovado por seu agente, depois por sua mãe, de quem ela é muito próxima. A seguir, pela mãe do agente. No meio das negociações, ela mudou de agentes; depois, mudou de mães. Ela é talentosa, mas pode ser problemática.
15 de junho:

Trabalho finalmente em curso. Filmei uma tórrida cena de amor entre Scarlett e Javier. Se fosse há alguns poucos anos, eu teria feito o papel de Javier. Quando mencionei isso a Scarlett, ela disse: "U-hu!", com uma entonação enigmática.
26 de junho:

Filmamos na Sagrada Família, a obra-prima de Gaudì. Estava pensando que tenho muito em comum com o grande arquiteto. Ambos desafiamos as convenções, ele com seus projetos de tirar o fôlego e eu usando um babador de lagosta no chuveiro.
3 de agosto:

O diretor é parte professor, parte psicólogo, parte figura paterna, guru. É então alguma surpresa que, após algumas semanas de filmagens, Scarlett e Penélope estejam interessadas em mim?
10 de agosto:

Dirigi Javier numa cena dramática hoje. Tive que ler as falas para ele. Enquanto ele me imita, vai bem. No momento em que decide atuar por conta própria, se perde. Depois chora e se pergunta como conseguirá sobreviver quando eu não for mais seu diretor.
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da vida das marionetes (xiv)


Woody Allen e parte do elenco de seu Vicky Cristina Barcelona (2008): Javier Bardem, Penelope Cruz e Scarlett Johansson.
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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

sugar blues


Muita tinta foi gasta psicoanalisando-se a causa da bulimia de Diana. Está claro que sua aflição começou como um contra-ataque em represália às três pesadas refeições diárias, acrescidas do bolo da hora do chá em Windsor, cujos resultados eram fielmente retratados nas fotos diárias da "menina gorda" espalhadas pelo mundo inteiro. As revistas de celebridades de hoje estão cheias de rostos encovados de estrelas cujas silhuetas já foram proporcionais, que se transformaram, pela exposição ininterrupta, em fantasmas famélicos ressecados, presos a cabelos de aplique. Todos agora tinham os olhos voltados para a tímida Di, com suas maçãs do rosto tão vermelhas quanto os tapetes do palácio. Maltratar o corpo era como uma segunda natureza das mulheres na família de Diana - tal como escrever cartas de agradecimento. A bulimia, de uma certa maneira, é a greve de fome das meninas educadas. Primeiro você agrada seu anfitrião comendo com gosto, depois você purga seus pecados curvando-se e vomitando tudo. Depois de um tempo, é a purgação, e não a comida, o mais importante. Diana sempre disse que se sentia "mais calma", quase que sedada, depois de vomitar. Quando o casamento de sua mãe com Shand Kidd estava desmoronando, Frances muitas vezes "esquecia" de comer e, em vez disso, tomava líquidos no almoço. A anorexia de Sarah foi tão ruim para os impressionáveis anos do início da adolescência de sua irmã Diana que lady Elizabeth Anson, ela mesma uma bulímica "recuperada", recusou-se a contratar Sarah para um emprego na Party Planners. Lady Elizabeth acreditava que os pacientes com bulimia gastam toda a energia em mentiras secretas e protetoras e não queria ser acusada de piorar a situação de Sarah, que já era crônica.


Diana - Crônicas Íntimas,
de Tina Brown.
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Lembrei imediatamente este trecho da biografia da Princesa Diana, ao ler a notícia no UOL:

Fatia de bolo de casamento de Diana e Charles é leiloada.

Uma grande fatia de um bolo preparado para celebrar o casamento de lady Diana Spencer com o príncipe Charles foi vendida por 1.000 libras (cerca de R$ 2.980) em um leilão no Reino Unido.
A porção tem a forma de um quadrado com 23 centímetros e havia sido dada a Moyra Smith, uma faxineira da residência real de Clarence House, em Londres, por um chef da família real, em 1981. (...)
A fatia foi comprada por um colecionador privado do Reino Unido que deseja permanecer anônimo.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

about me

Dia de faxina na casa e no Orkut - que às vezes é mais demorada do que a primeira, e isso é absurdo.
Começo e vejo que há recados sem resposta - vários! - de pessoas queridas ou apenas contatos virtuais que mandam aquelas mensagens automáticas cheias de bichinhos e tenha-fé-em-Deus-tenha-fé-na-vida. Antes eu respondia a todos, tinha mais tempo e mais dedicação às amizades das grades azuis, algumas delas transportadas também para este lado do paraíso, pessoas que, mesmo sem proximidade (ou aquelas de quem me reaproximei apenas virtualmente), sempre são companhia. Aí tento me desculpar pelo atraso e retorno as mensagens, mas nem sempre dá, claro. Como agradecer só agora, mais de cinco meses depois, a um Feliz Aniversário?
A verdade é que tô meio cansada, preguiçosa para conversar até por aqui. E olha que ao vivo tá bem pior, com esta gripe no-jen-ta e uma tosse a cada duas sílabas.
E tenho medo de ser mais interessante no Orkut & etc. do que na vida real.
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noia

Também esta noite passará

Esta solidão em torno
sombra titubeante de fios viários
sobre o úmido asfalto

Olho como os cocheiros
a meio-sono
cabeceiam


Tédio,
Giuseppe Ungaretti,
na tradução de Haroldo de Campos
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terça-feira, 26 de agosto de 2008

hilário eletoral

É louvável que se incentive o voto consciente, a escolha responsável para cargos públicos, e todo recurso pode ser válido para o objetivo.
Opa - quase todo.
Talvez para que as campanhas se tornem menos "sérias", ou menos didáticas, a cada período que antecede as eleições (engraçado que nos anos ímpares é tudo meio esquecido) surgem algumas novidades nos intervalos da TV. Este ano já vi umas cinco vinhetas, acho, e têm me parecido mais engraçadinhas que as de outros anos. Mas, por outro lado, algumas achei de um mau gosto que me incomodou.
Sabe aquela do observador que perde a oportunidade de ver o cometa, porque foi procurar pilha para a luneta? Dessa eu até gostei. E da do outro que perde de ultrapassar a linha do trem por causa da bagunça no carro.
Para as outras me faltou mais humor. Talvez eu tenha levado mais a sério do que o necessário (pra variar), e eu nem sou politicamente correta nem nada, mas me incomodou o que parecem ser piadas às custas de ações que, em outro contexto, poderiam ser sintomas, manifestações patológicas, e não só esquisitices.
A primeira vez que vi a vinheta do homem que cismou ter uma abelha no ouvido, alimentando-a inclusive, fiquei atenta em frente à TV pensando que se tratava de alguém com TOC. Como também poderia ser aquela moça que fica andando em círculos em momentos de maior pressa. O rapaz que sapateia quando nervoso também poderia estar em certos ambulatórios, não muito diferente de alguns portadores da Síndrome de Gilles de la Tourette.
Não há muita graça em rir de sintomas, especialmente se você já teve algum deles, ou alguém muito próximo a você. Ou algum paciente seu. E eles estão bem longe de ser tão voluntários quanto um voto.
Ou talvez eu apenas não tenha entendido a mensagem, claro.
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

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Quando um amor termina
tenho vontade de desenterrar
todos os outros, os já terminados
mil anos atrás

Fico com saudades daquele boboca
que achava-se poeta.
Todos se achavam poetas...
ou poetas.

Tenho essa mania:
compulsão por repetição.
São todos tão parecidos,
são todos Eu com pau,

Mas piorados.

Quando o amor termina
quero recolher a beleza que
ofereci como uma espécie de soro.
Radicais livres sugados num canudo.

O amor me faz uma bondosa enfermeira.
Quando termina peço a conta da clínica
geriátrica e vou visitar os mortos, aqueles
amores antigos, no cemitério.

Mas a boa assistente já secou a sua
paciência.

E todas as rosas que não recebeu,
e mesmo as que recebeu: também estão secas.
Aí eu fico com uma imensa vontade de
mijar.


Fernanda Young
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quais são as cores que são suas cores de predileção?


Encontrei a lista a seguir no blog do Vlademir - O Olhar Implícito - não resisti e a arrastei pra cá, claro. Porque listas têm sempre esse poder sobre mim, eu tenho listatropismo +, talvez porque elas sejam geralmente fonte de coisas boas de se pensar e conversar. Ou apenas de moídos, em bom idioma campinense.
Decupando: trata-se de uma seleção de filmes feita por Martin Scorsese, que é, sem muita dúvida, um dos maiores cineastas vivos, além de ser um dos que mais amam e conhecem o cinema. O critério: as mais belas fotografias em cores, em fimes de língua inglesa e não-inglesa.
Claro que sempre há quem leia e pense "mas, o queeeeeê?! faltou Tal Filme?!" , "E Aquele Outro, então?! O Scorsese não é mais aquele, olha a cara dele..."
Mas a lista é dele, e começa logo com quem? Com o melhor filme que Stanley Kubrick fez:


FILMES EM LINGUA INGLESA:

1. Barry Lyndon (1975)
- de Stanley Kubrick
- fotografia de John Alcott

2. Duelo ao Sol(Duel in the Sun,1946)

- de King Vidor
- fotografia de Lee Garmes, Ray Rennahan, Hal Rosson

3. Os Invasores de Marte (Invaders From Mars,1953)

- de William Cameron Menzies
- fotografia de John F. Seitz

4. Amar Foi Minha Ruína (Leave Her to Heaven, 1946)

- de John M. Stahl
- fotografia de Leon Shamroy

5. Moby Dick (1956)

- de John Huston
- fotografia de Oswald Morris

6. O Fantasma da Ópera (Phantom of the Opera,1943)

- de Arthur Lubin
- fotografia de W. Howard Greene, Hal Mohr

7. Os Sapatinhos Vermelhos(The Red Shoes, 1948)

- de Michael Powell, Emeric Pressburger
- fotografia de Jack Cardiff

8. Rastros de Ódio (The Searchers (1956)

- de John Ford
- fotografia de Winton C. Hoch

9. Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain,1952)

- de Stanley Donen, Gene Kelly
- fotografia de Harold Rosson

10. Um Corpo que Cai (Vertigo,1958)

- de Alfred Hitchcock
- fotografia de Robert Burks.


FILMES EM LINGUA NÃO-INGLESA

1. O Desprezo(Le Mépris, 1963)

- de Jean-Luc Godard
- fotografia de Raoul Coutard

2. Gritos e Sussurros (Viskningar Och Rop, 1972)

- de Ingmar Bergman
- fotografia de Sven Nykvist

3. Portal do Inferno (Gate of Hell, 1953)

- de Teinosuke Kinugasa
- fotografia de Kohei Sugiyama

4. Amor à Flor da Pele (In the Mood For Love,2000)

- de Wong Kar-Wai
- fotografia de Christopher Doyle, Mark Lee Ping-bin

5. O Último Imperador (The Last Emperor,1987)

- de Bernardo Bertolucc
- fotografia de Vittorio Storaro

6. Deserto Vermelho (Red Desert,1964)

- de Michelangelo Antonioni
- fotografia de Carlo Di Palma

7. O Rio Sagrado (The River,1951)

- de Jean Renoir
- fotografia de Claude Renoir

8. Satyricon (1969)

- de Federico Fellini
- fotografia de Giuseppe Rotunno

9. Sedução da Carne (Senso,1954)

- de Luchino Visconti
- fotografia de G.R. Aldo, Robert Krasker, Giuseppe Rotunno

10. Shadows of Forgotten Ancestors (1964)

- de Sergei Paradjanov
- fotografia de Viktor Bestayev, Yuri Ilyenko
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