terça-feira, 10 de novembro de 2009

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

fino all'ultimo respiro


Minha cinefilia (palavrinha meio metida, e que uso agora por não encontrar outra melhor) tem várias lacunas, equívocos e pecados com os quais já me acostumei e nem me deixam mais culpada - no máximo, envergonhada.
Tem também algumas contradições, pudores (por exemplo: eu nunca assisti a muitos dos clássicos "censura 18 anos", mesmo já sendo de maior há alguns - nem tantos assim, beibe - anos), e idiossincrasias. Um exemplo que talvez envolva esses três aspectos é Pier Paolo Pasolini.
Não que eu seja tão expert em cinema italiano - quem dera - mas Pasolini é uma espécie de última fronteira pra mim, um grande cineasta de que não consigo mesmo gostar, um diretor de cinema que mais gosto de ler (e ler sobre) do que ver seus filmes. Pode?! Mas que me emociona e atrai, sem que eu mesma entenda muito bem a razão.
Me envergonha pensar que a origem de meu interesse por PPP seja mais sensacionalista que cinematográfica, porque a primeira informação que tive dele foi justo sobre sua morte absurda. Mas não era só pelo escândalo que a notícia evocava, era mais por uma sensação de profundas pena e revolta , uma comoção algo desproporcional, mas que se mantém ao longo do tempo.
Como naquele poema tão belo de Eugénio de Andrade,

Eu pouco sei de ti mas este crime
torna a morte ainda mais insuportável.

Pode ser essa lua ou esse conhaque, ou só minha melancolia que volta & volta, mas outro dia quase choro, só por ler um poema de Pasolini que não conhecia, inspirado pelo Acossado de Godard:


Come in un film di Godard: solo
In una macchina che corre per le autostrade
Del Neo-capitalismo latino – di ritorno dall’aeroporto –
[là è rimasto Moravia, puro fra le sue valige]
solo, “pilotando la sua Alfa Romeo”in un sole irriferibile in rime
non elegiache, perché celestiale
il più bel sole dell’anno –
come in un film di Godard:
sotto quel sole che si svenava immobile
unico,
il canale del porto di Fiumicino
una barca a motore che rientrava inosservata
i marinai napoletani coperti di cenci di lana
un incidente stradale, con poca folla intorno…

come in un film di Godard – riscoperta
del romanticismo in sede
di neocapitalistico cinismo, e crudeltà –
al volante
per la strada di Fiumicino,
ed ecco il castello (che dolce
mistero, per lo sceneggiatore francese,
nel turbato sole senza fine, secolare,

questo bestione papalino, coi suoi merli,
sulle siepi e i filari della brutta campagna
dei contadini servi)…

sono come un gatto bruciato vivo,
pestato dal copertone di un autotreno,
impiccato da ragazzi a un fico,

ma ancora almeno con sei
delle sue sette vite,
come un serpe ridotto a poltiglia di sangue
un’anguilla mezza mangiata

le guance cave sotto gli occhi abbattuti,
i capelli orrendamente diradati sul cranio
le braccia dimagrite come quelle di un bambino
un gatto che non crepa, Belmondo
che “al volante della sua Alfa Romeo”
nella logica del montaggio narcisisti
cosi stacca dal tempo, e v’inserisce
Se stesso:
in immagini che nulla hanno a che fare
con la noia delle ore in fila…
col lento risplendere a morte del pomeriggio…

La morte non è
nel non poter comunicare
ma nel non poter più essere compresi.
E questo bestione papalino, non privo
di grazia – il ricordo
delle rustiche concessioni padronali,
innocenti in fondo, com’erano innocenti
le rassegnazioni dei servi –
nel sole che fu,
nei secoli,
per migliaia di meriggi, qui, il solo ospite,

questo bestione papalino, merlato
accucciato tra pioppeti di maremma,
campi di cocomeri, argini,
questo bestione papalino blindato
da contrafforti del dolce color arancio
di Roma, screpolati
come costruzioni di etruschi o romani,
sta per non poter più essere compreso.

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E ele era de Peixes.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

nóis na fita


"Você vive mesmo no mundo da lua. É desligado, meio doidinho e ninguém consegue acompanhar muito as suas viagens. Sonhador, cabeça de vento, sensível e com aptidão pras artes e pra tudo que envolve criatividade. De vez em quando você cisma com umas pessoas, né?Coitada da Ruthinha e da Raquel! Você tem tendências a desenvolver amores platônicos, a confundir a realidade com a fantasia e trocar as bolas sempre. No entanto, seu coração é enorme e as pessoas gostam bastante de você! Todo doido tem seu charme... "

(meu resultado no teste "Que personagem de novela você seria?")
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

você conhece...?

E por falar em bocas-do-inferno, que coisa aquela de Maitê Proença mangando dos portugueses - "esquisitos", segundo ela...
Será que ela achou até o Miguel Sousa Tavares esquisito?
Aliás, achei uma matéria da QUEM em fevereiro deste ano que mostra a atriz com um suposto affair, um homem desconhecido. Quem era? O próprio, o belo filho de Sophia de Mello Breyner Andresen!

http://revistaquem.globo.com/Revista/Quem/0,,EMI26515-9531,00.html

Garota de sorte.
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cinema falado


É a opinião dele e todo mundo tem direito a ter opinião sobre tudo e expressá-la livremente & tal. Mas concorda quem quer. Eu, por exemplo, achei meio equivocado...

Caetano Veloso fala sobre Woody Allen, para o suplemento Correio das Artes, d' A União:

"É um careta, um cineasta pequeno."

"Fizeram uma espécie de festival Woody Allen no Telecine Cult. Vi por acaso: passavam os filmes nas horas em que vou me deitar. Gostei de todos: dos que revi e dos que nunca tinha visto. Mas sei que ter saído de casa para ir ao cinema era um pouco demais para filmes tão estreitos. A TV é o perfeito veículo para Allen.O primeiro filme dele que vi foi Boris Gruschenko e achei que parecia um programa de TV meio malfeito.
"Depois, ele melhorou a estrutura dos roteiros e o uso da câmera. Passou a fazer filmes melhores. Mas sempre muito anti-sixties,um tanto reacionário. Muito hétero, muito reverente com os amantes de ópera que vivem no Upper East Side, muito chegado a uma decoração creme por trás de roupa beje. Careta até não poder.
"Gay, maconha, rock, Bob Dylan, tudo isso é desprezado por ele. Eu entendo: vemos peças da Broadway pós-rock (o pós-rock que se usa na Broadway) e pensamos em quão genial eram Porter, Gershwin e Rogers: essas baladas que se ouvem nos espetáculos novos ( dos 70 para cá) são chatérrimas- o mesmo se dando com os desenhos animados em longa metragem: em Branca de Neve, quando os personagens param para cantar é um alumbramento; em Aladim ou Moisés, Príncipe do Egito, é um bocejo: são uma mistura de campo com igreja, um negócio que sempre parece que a Mariah Carey vai cantar, com dramaticidade negra de igreja mas abastardada, sem a malícia e a urbanidade, a inteligência de uma canção de Berlin ou de Kern. Então, é gostoso que um cara velho seja sincero a esse respeito. E muitas das piadas ( 'one liners') são excelentes. Mas sempre se revela uma visão estreita.
"O público que o adorava quando ele era uma novidade com filmes ruins não gosta nem dos bons que às vezes ele faz. Meu filme favorito dele é Bullets Over Broadway: é uma comédia de verdade. Diane Wiest está genial (nada da chatice que ela apresenta quando faz personagens 'sensatos' em filmes de outros diretores: ela é falsa, parece uma maluca fingindo que é sã), tem situações ótimas. E Allen tem a grande elegância de dar a seus filmes a duração que os filmes tinham quando ele era menino. Talvez isso contribua para para o seu relativo frascasso comercial nos EUA: o público exige supersized movies.
"Os produtores descobriram que o povo pensa que se um filme não dura mais de duas horas e quinze ele não está sendo 'bem servido'. É como um restaurante vulgar - e como o ar-condicionado dos cinemas: os idiotas pensam que, quanto mais frio, melhor.
"Allen faz filmes do tamanho de filmes. Adoro Nova Iorque - e ele a conhece e sabe filmar a arquitetura da cidade. Além disso, ele é o grande herdeiro do cinema novaiorquino, independente de Los Angeles. Ele não é nenhum Cassavetes, mas merece estar ligado à tradição que este iniciou. É um careta, um cineasta pequeno, mas é um cara legal, com frases brilhantes, com algunas cenas espetaculares como ator- e canta muito, muito bem na cena curta em que o faz, em Everybody Says I Love You. Considero uma conquista imensa ele ter o 'final cut' dos seus filmes."
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

kids


Para hoje.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009


Eu, em Mad Men.
Daqui:

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