Personagem da semana: Odile Jouve, de A Mulher do Lado.
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sábado, 9 de janeiro de 2010
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
amigos imaginários (i)

Aquele mesmo ano [1967] marcaria um novo sucesso na carreira de Catherine [Deneuve]. Ela encarou a heroína de A Bela da Tarde (Belle de Jour) de Luis Buñuel. O velho mestre não se enganou ao escolhê-la para viver a personagem de Sévérine, uma mulher de classe média, com rosto frio e puro, que realiza as obsessões eróticas de sua mente. Toda estrela, certa ou erradamente, acaba sendo identificada com um filme e uma personagem. Para Catherine foi A Bela da Tarde. O filme teve sucesso mundial e virou um clássico, mas quabdo estreou em Paris os críticos o receberam com indiferença e não lhe fizeram justiça. Um jornalista com mais percepção escreveu no Positif: "Os brilhantes cérebros de nossos críticos manifestaram em coro o desapontamento causado neles por A Bela da Tarde... mostrando com isso o enfraquecimento de seu córtex cerebral".
Lembro-me de Catherine, completamente consternada, mostrando-me as críticas que recortara dos jornais. Mesmo assim o público formava filas nas portas dos cinemas que exibiam A Bela da Tarde.
Roger Vadim,
Bardot, Deneuve & Fonda - As memórias de Roger Vadim.
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Na minha galeria particular de personagens favoritos, Sevérine Serizy, a esposa fria que leva uma vida dupla à tarde (ou parece levar, que no filme a gente não sabe ao certo se o que acontece é realidade ou se são apenas os sonhos dela), tem destaque.
A beleza de Catherine Deneuve, as roupas sensacionais de Yves Saint-Laurent (que começaria assim uma amizade para a vida inteira com a estrela francesa), o clima onírico e charme escandaloso do filme são irresistíveis. A história da esposa que tem desejos desconhecidos do seu marido é interessante sempre, e atraente mesmo quando não se está entendendo muita coisa do que se passa. Ou não provocaria em Dona Geralda, que não fala francês nem lê legendas, uma reação indignada, ao ficar comigo na sala enquanto eu assistia ao filme, há séculos:
- Mas Lane, que galega safada! O marido tão rico, tão bonito, dá tudo a ela, e ela ainda arraja outro?! Tem muita mulher que não presta...
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
retrospectiva (1)

2009 não acabou e eu não vi ainda vários de 2008 ou deste ano, além, é claro, de faltarem outros tantos de anos anteriores. Mas fiquei com vontade de começar minha listinha dos melhores filmes - do ano? não, da década!
E eles seriam...
1. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, 2001) - filmes franceses não precisam ser tristes ou elucubrativos, como quer um preconceito comum. O filme de Jean-Pierre Jeunet revelou Audrey Tautou e mostrou que inventividade, alegria, lirismo e otimismo podem, sim, resultar em qualidade e sucesso. Tudo funciona no filme, desde a cenografia cheia de objetos inusitados (o abajur porquinho é maravilhoso) à bela trilha sonora, passando pelo elenco perfeito - by the way, não custa lembrar uma homenagenzinha a François Truffaut, na presença de Claire Maurier (a mãe de Antoine Doinel) como a dona do café.
2. O Quarto do Filho (La Stanza del Figlio, 2001) - o mais elogiado filme de Nanni Moretti, um dos poucos filmes italianos a brilharem na década, e um dos mais dolorosos retratos da perda. Era um tema que poderia render um filme piegas ou insuportavelmente triste, mas que se revela humano, tocante, verdadeiro. E fez (re)conhecer a bela By This River, de Brian Eno.
3. Os Sonhadores (The Dreamers, 2003) - só faltava ser falado em francês, que Bertolucci considera "a língua do cinema". Mas as cenas clássicas e suas reproduções, o elenco belíssimo, a trilha emocionante e o amor pelo cinema que aparece em cada fotograma são inesquecíveis.
4. Match Point - Ponto Final (Match Point, 2005) - não é qualquer um que se reinventa aos 70 anos não, bebê... Mesmo que não tenha repetido depois o clima meio Hitchcock meio Truffaut, Woody Allen fez um dos mais interessantes filmes de sua longa (e prolífica) carreira ao se encantar por Scarlett Johansson e fazer dela sua musa na adaptação livre de Crime e Castigo, num filme elegante e charmosíssimo.
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O dever (= almoço, filha & marido) me chama. Depois termino.
Cenas dos próximos capítulos: Wong Kar-Wai, Sofia Coppola, famílias disfuncionais, sonhos de David Lynch, Polanski ganha o Oscar, uma galinha correndo desembestada, uma noiva em busca de vingança...
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still got the blues

Dormi calma por duas pastilhas brancas embalada,
como quem não tem ocupada a alma por tudo que dói.
Talvez, apartada de mim, minha dor tenha andado por aí perdida
ou tenha ficado o tempo todo aqui bem próxima
estendida sobre a cadeira
como essas roupas que se despem na véspera
e se vestem sem pudor no dia seguinte.
Simone Brantes
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009
sonhos de consumo (vi)
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