sexta-feira, 12 de novembro de 2010

médicos sem fronteiras


Há dois meses padecendo com mais uma daquelas crises pavorosas de tosse ladrante e sibilância, humildemente marquei consulta com um pneumologista de verdade para hoje à tarde.
Lá ia eu então no táxi quando chegamos ao destino e, até ali caladinho, o cachorro que se abriga na minha garganta resolveu se manifestar, para espanto do taxista, que logo se virou para trás e me disse, solícito:
- Sabe que eu estava com uma tosse dessas semana passada? Parece que tá pegando todo mundo. E eu fiquei bom sabe com o quê? Limão com mel; pode tomar que é tiro e queda.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

la demoiselle de cherbourg


As filmagens de Os Guarda-Chuvas do Amor foram uma experiência feliz e enriquecedora para Catherine. Não podia saber que esse filme a transformaria numa estrela, mas pela primeira vez interpretava um papel que se adequava a ela maravilhosamente. E Jacques Demy soube exatamente como tirar vantagem de sua aparência delicada e romântica.
O cinema francês estava precisando de um rosto novo, menos mundano que os de Jeanne Moreau e Simone Signoret, e com uma sensualidade menso agressiva que o de Brigitte Bardot. Foi uma lacuna que Catherine preencheu em seu primeiro grande papel.


Roger Vadim,
Bardot, Deneuve & Fonda - As Memórias de Roger Vadim.
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Mas o que será que ele quis dizer com o rosto mundano de Jeanne Moreau?
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010


Não consegui colocar aqui o original, que é muito mais interessante e animado, com um trechinho de Imagine ao clicar na seta.
Por quê a imagem? Porque, se estivesse vivo, John Lennon hoje estaria completando 70 anos.
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terça-feira, 28 de setembro de 2010

amores possíveis


Minha arrogância cinematográfica me faz ficar desconfiada de filmes cult, ou que se proclamem cool, mas às vezes sou forçada a baixar o narizinho empinado e concordar com os elogios. E é ótimo quando isso acontece, muito mais prazeroso do que ficar do contra.
Foi o que ocorreu na semana passada, quando finalmente vi (500) Dias com Ela [(500] Days of Summer, 2009], comédia romântica (mesmo que não se pretenda assim, superficialmente) que fez sucesso quando lançada e eu ainda não tinha podido ver.
Não que seja daqueles filmes inesquecíveis, mas certamente merece um lugar entre os melhores recentes desse gênero tão injustiçado e subestimado.
Há várias coisas boas a apontar: a trilha sonora nostálgica e moderninha, ao mesmo tempo; as referências divertidas a outros filmes; a originalidade, a leveza, a elegância; mas há principalmente a atriz principal, que é a cara e a razão de ser do filme, mesmo com uma personagem que poderia sem bem melhor desenvolvida - a bela Zooey Deschanel, que há tempos merecia um filme para ela. Com olhões de iluminado azul e uma beleza doce mas um tanto séria, até mesmo antiga (como convém a Summer e seus cabelos e roupas 60's), Zooey ilumina as cenas em que aparece e justifica a quase obsessão de Tom (Joseph Gordon-Levitt), arquiteto frustrado que começa o filme escrevendo aqueles cartões para-quem-não-quer-perder-tempo-pensando.
Já li que o filme é considerado uma espécie de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa da geração i-Pod - uma comparação meio lesa mas também verdadeira, guardadas as devidas proporções, claro. Mas, independente de comparações, (500)... tem vida própria, emociona, diverte e faz a gente se sentir melhor ao final - o que eu acho uma qualidade das mais elogiáveis em qualquer filme - mesmo para quem é, na vida de cá, mais Tom que Summer e, portanto, nem sempre entende o que já dizia Carlos Drummond: "Carlos, sossegue, o amor /é isso que você está vendo: /hoje beija, amanhã não beija, /depois de amanhã é domingo / e segunda-feira ninguém sabe /o que será. "
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

12

Mais um niver (palavrinha hor-ro-ro-sa) do Gúgol.
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

é difícil como quê

Tem coisas que a gente escuta só porque tem ouvidos, mesmo.
Estava hoje na sala de espera de um consultório e a notícia que o plantão do telejornal mostrava dizia:
- Adolescente paraibano de 16 anos é mantido escravo no Rio Grande do Sul, trabalhando 12 horas por dia sem receber salário.
O que um rapaz ao meu lado achou disso?
- Pelo menos tá trabalhando, não tá por aí roubando, matando.
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

lula-lá



Como minha mãe diz, triste do poder que não pode.
Lula, o Filho do Brasil, de Fábio Barreto, foi escolhido hoje como indicado brasileiro entre os candidatos a uma vaga de concorrente ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.
Pois é.
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sábado, 18 de setembro de 2010

half agony, half hope


Não consigo mais ouvir em silêncio. Tenho de falar com você com os meios que estão ao meu alcance. Você trespassa a minha alma. Sou agonia e esperança. Não me diga que é tarde demais, que tais preciosos sentimentos se foram para sempre. Eu volto a me oferecer a você, com um coração ainda mais seu do que quando você quase o partiu, oito anos e meio atrás. Não ouse dizer que os homens se esquecem mais rápido do que as mulheres, que o amor deles morre mais cedo. Só a você tenho amado. Posso ter sido injusto, fui fraco e ressentido, mas nunca inconstante. Só por você vim a Bath. Só por você eu penso e faço planos. Será que você não conseguiu entender meus desejos? Não teria esperado nem estes dez dias, se tivesse podido ler os seus sentimentos, como acho que você entendeu os meus. Mal consigo escrever. Estou a cada instante ouvindo coisas que me esmagam. Você abaixa a voz, mas posso distinguir tons nessa voz que aos outros passariam despercebidos. Criatura excessivamente boa, excessivamente excelente! Você nos faz justiça, sem dúvida. Acredita que o verdadeiro afeto e constância existam entre os homens. creia que tal afeto é mais do que fervoroso e mais do que constante em

F.W.


Tenho de ir, incerto de meu futuro; mas vou voltar para cá ou acompanhar o seu grupo, assim que possível. Uma palavra, um olhar serão o bastante para decidir se entrarei na casa de seu pai esta noite ou nunca mais.
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Eu particularmente prefiro a ironia de Orgulho e Preconceito, mas foi impossível não me emocionar com a carta do Capitão Frederick Wentworth para Anne Elliot em Persuasão. Talvez porque, como Anne, eu também espero já ter passado da idade de corar, mas certamente não superei a idade de me comover.
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010


"A Bucky Ball e a molécula mais redonda e mais simétrica que o Homem conhece."
É o que o Google informa sobre a simpática bolinha aqui mostrada, ilustre desconhecida até então (para mim, claro).
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sábado, 7 de agosto de 2010

lá vem a noiva (i)


Catherine Deneuve e David Bailey, bem sixties.
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!

Feliz Dia, papais!
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domingo, 1 de agosto de 2010

sobre o que eles conversavam? (ii)


Mais uma contribuição valiosa de Renato Félix!
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sábado, 31 de julho de 2010

uni duni tê


A novela é ótima, mesmo que não tanto quanto outras mais antigas de Sílvio de Abreu (como A Próxima Vítima, por exemplo). E, como já até coloquei antes aqui, a inspiração no cinema italiano já me deixou fã de Passione desde o início.
No site da novela (http://passione.globo.com/) alguns atores citam os seus favoritos entre os filmes italianos:

Aracy Balabanian – A Estrada da Vida (La Strada, 1954), de Federico Fellini
Tony Ramos – Amarcord (1973), de Federico Fellini
Germano Pereira – Os Girassóis da Rússia (I Girasoli, 1970), de Vittorio De Sica
Miguel Roncato – A Vida é Bela (La vita è Bella, 1997
Marcelo Médici – Rocco e Seus irmãos (Rocco i Suoi Fratelli, 1960), de Luchino Visconti
Daniel de Oliveira – Ontem, Hoje e Amanhã (Ieri, oggi, domani, 1963), de Vittorio De Sica
Emiliano Queiroz – A Doce Vida (La Dolce Vitta, 1960), de Federico Fellini
Bruno Gagliasso – Morte em Veneza (Morte a Venezia, 1971), de Luchino Visconti.
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Qual o seu?
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

chanel (i)


Em Louise Brooks.
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(é um clichê, mas existe cabelinho mais lindo que o-velho-e-bom Chanel, em suas tantas variações? Eu sei que é mais feminino - e sensual etc. etc. - aquele cabelão solto & livre, estilo comercial de shampoo, mas ainda prefiro o curtinho arrumadinho.)
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a saudade é o revés de um parto

Meu filho está mais vivo do que nunca. Quem morreu fui eu.

Cissa Guimarães.
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Eu tento evitar pensar muito em algumas tragédias muito alardeadas pela mídia, mas algumas tocam tanto que fica difícil manter a distância.
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catecismo

Claro que não tem mais volta da internet e seus filhos - Google & tudo & tal. Mas às vezes eu ainda me surpreendo.
Semana passada fui à reunião de Batismo de Mariana, que começou com uma espécie de revisão sobre São João Batista, o criador do sacramento.

- Quem foi João Batista?
- O que ele era de Jesus?
- A história de João Batista é tão rica e tão bonita que, se a gente fosse falar só sobre ele, ficaria a tarde toda aqui, sairia direto para a missa das seis. Mas se vocês quiserem saber mais, quando chegarem em casa, procurem...

E eu pensei, religiosamente concentrada: "na Bíblia, na palavra do Senhor, nas Sagradas Escrituras?"

- No Google.
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terça-feira, 27 de julho de 2010

sobre o que eles conversavam? (i)


Já era pra ter agradecido e colocado aqui há séculos... mas antes tarde do que nunca, ok, Renato?
;)

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domingo, 11 de julho de 2010

espanha x holanda


Brigam Espanha e Holanda

Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.

Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar.

Leila Diniz
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ole, furia roja!


Sem muitas surpresas: lembrando que hoje se encerra a Copa do Mundo.
E, não, não torço hoje de jeito nenhum - eu sou muito pé-frio.
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terça-feira, 6 de julho de 2010


Aniversário de Frida Kahlo.
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o homem errado


Mas uma questão precisa ser encarada agora.
Por que um biógrafo se interessa em descrever a estranha psicologia de Hitchcock ou sua conduta ainda mais estranha, por melhor que ele possa documentá-las? O que esse tipo de informação pode adicionar ao nosso conhecimento ou apreciação de um grande cineasta e eterno entertainer?

(...)
As fantasias tecidas por Hitchcock, às quais os roteiristas davam forma e estrutura e às quais os atores davam vida, dependiam da emergência de imagens misteriosas que vinham de seu interior - imagens que eram frequentemente aterradoras e violentas, às vezes delicadas. De seus desejos secretos e de sua imaginação vívida vinham histórias preciosas.(...)
Sua vida torturada e solitária - e particularmente seus sentimentos complexos e não resolvidos em relação às mulheres - permitiu a ele (na verdade, o forçou) usar um reservatório humano comum de imagem e sonho, medo e desejo. Se seus filmes fossem simples representações de suas próprias fantasias e sonhos, sem uma referência mais ampla, ele talvez tivesse apenas um pequeno grupo de admiradores parecidos com ele. Mas ele expressou essas imagens, desejos e sonhos mal lembrados em termos que emocionaram, impressionaram, divertiram , amedrontaram e maravilharam milhares de pessoas em todo o mundo, de culturas muito diferentes.
(...)
Se há algo que pode ser dito sobre sonhos e desejos é que eles são intensamente particulares. Mesmo quando são articulados, é difícil colocar em palavras a estranheza de uma imagem, as distorções cômicas e grotescas do tempo e do espaço interno, os estranhos amálgamas des entimento que nos deixam menos certos do artifício confortável com o qual tão frequentemente nos apresentamos ao mundo. Ao dar forma às suas fantasias, Hitchcock explorou e expôs coisas não só dele, mas também de outros - realidades mais o menos concretas, mais ou menos latentes. Ele nos mostrou não o que toda vida é, mas o que alguma vida é, o tempo todo, em todo lugar - e o que a vida corre o risco constante de se tornar.

Trechos de capítulos diferentes de Fascinado pela Beleza - Alfred Hitchcock e Suas Atrizes,
de Donald Spoto.
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Ao longo da leitura de Fascinado... eu fiquei dividida entre uma impressão boa - é sempre interessante ler sobre Hitchcock e seus filmes, e minha bisbilhotice de sempre adora fofocas de bastidores - e outra nem tanto - por que esmiuçar tanto os aspectos mais condenáveis do grande diretor? Por que fazer tanta questão de dividir os méritos de suas obras, de questionar sua autoria?
Os detalhes da relação tumultuadíssima com 'Tippi' Hedren são o maior chamariz do livro - desde sua capa - e são o que deve haver de mais escandaloso na carreira e na vida do cineasta, pelo que sei, mas não o mais importante, que é sua genialidade. Eu nunca havia lido tão explicitamente sobre o caso, então tinha muita curiosidade, mas confesso que talvez preferisse não conhecer tantos pormenores.
Não deixei de amar Marnie, não deixei de colocar Hitchcock no sala VIP do meu Hall of Fame particular.

E agora olho com desconfiança para o outro livro de Donald Spoto na minha estante: que revelações esperar de Francisco de Assis - O Santo Relutante?
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plis...

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/6367

Assina, assina!
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sexta-feira, 2 de julho de 2010

thank you for smoking (iii)


Paul Henreid e Bette Davis em A Estranha Passageira.
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amor i love you


Não dera certo para Ingrid Bergman e Leslie Howard anos antes, nem daria para Jennifer Jones e William Holden depois; por que teria que dar então para Bette Davis e Paul Henreid? Ou: por que pedir a lua, se nós temos as estrelas?
Romances impossíveis são um dos mais clássicos clichês do cinema, daqueles que não cansam e sempre tocam quem assiste e não é cínico ou pragmático demais. Assim, mesmo que o final feliz (feliz mesmo, sem sublimações) seja raro, a gente sempre gosta das lágrimas que correm ao ver Intermezzo, Suplício de uma Saudade ou A Estranha Passageira (Now, Voyager, 1942), melodrama de Irving Rapper que marcou a carreira de Bette Davis e que vi ontem, numa rara pausa dos DVDs de Baby Einstein.
Não é um filme para quem tem preconceito contra melodramas, definitivamente, porque aqui estão vários dos elementos mais queridos desse subgênero tão menosprezado: uma heroína que supera adversidades ( mãe cotroladora, auto-confiança mínima, problemas "nervosos", aparência pouco atraente), doenças, culpa, paixões súbitas e arrebatadoras - de preferência platônicas (e deve haver menos do que os quatro beijos de Casablanca, outro amor impossível clássico), renúncia e belas e memoráveis cenas. Quem esquece os dois cigarros que Paul Henreid acende, cena que hoje seria quase impossível, em tempos de antitabagismo correto?
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quarta-feira, 16 de junho de 2010

a angústia da influenza


Gripada, tôdaidubida, fanhosa e com o nariz vermelho.
Saco.
Gripe me lembra depressão, me deixa quase do mesmo jeito: mole, sem querer nada além da minha cama, com frio (eu sempre tenho frio quando estou triste, mesmo que esteja calor no mundo em volta, o que não é verdade hoje, agora), minha tosse arde a garganta e eu reclamo o tempo todo. Como agora.
O melhor da gripe é tirar a fome, mas nem isso.
E fico morrendo de medo de passar pra Mariana.
Chatice.
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canis et circences (vii)


Com Alfred Hitchcock.
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alguma coisa ausente


Não, por mais que ela queira, ela não é uma personagem de Jane Austen. Portanto, não espera (mais) por seu Mr. Darcy encantado com um buquê de rosas brancas, pronto para tirar-lhe os pés do chão.
Ainda chora, porém, com as cenas românticas e os amores difíceis. Ainda acredita em promessas de felicidade e detesta pensar que desperdiçou certas chances da vida, ao dizer alguns nãos e também alguns sins.
Mas era tão jovem... queria viver a beleza do mundo... e sua perdição também.
Agora que havia deixado de ser uma mocinha, já não sonhava com despedidas lacrimosas em estações de trem, embora permanecesse fiel às possibilidades de outros devaneios (mesmo que não realizáveis). Definitivamente já não era uma personagem vitoriana. Mas ainda gostaria de receber rosas brancas.
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domingo, 13 de junho de 2010

da vida das marionetes (xviii)


Roberto Rossellini, Ingrid Bergman e ?, provavelmente nas fimagens de Stromboli.
Afe, eu estou mesmo enferrujada.
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sábado, 12 de junho de 2010

consolo


As representações das coisas belas seguiram sempre um certo cânone, deixando um espaço limitado para a imaginação do artista. Com o Feio, os artistas podem ser mais inventivos. Tente imaginar a descrição literária de uma mulher bela: depois de enaltecer os olhos, o perfil, os lábios ou os cabelos, resta muito pouco a acrescentar (exceto no caso em que o escritor não descreve simplesmente qualidades físicas, mas sugere uma espécie de misterioso glamour, ou um apelo impalpável). Pelo contrário, na representação do horrível e do repugnante a fantasia do artista pode ter rédea solta. A Beleza tem limites canónicos. A Fealdade é ilimitada nas suas possibilidades.

Umberto Eco.
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funny valentine

Um buquezinho romântico para o Dia dos Namorados.
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sexta-feira, 11 de junho de 2010

sai que é sua...


Em ritmo de Copa do Mundo.

A propósito: não, eu não ligo a mínima para quem vai ganhar a Copa; nunca me importei com isso e nem mesmo tenho muita paciência pra ver jogo. Até começo a assistir, mas logo pego uma revista e me distraio fácil, fácil.
Mas estou adorando essa história de não trabalhar nos horários dos jogos do Brasil.
Que chegue à final, Dunga!
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sábado, 5 de junho de 2010


Ok, nem eu sei porque continuo colocando aqui essas imagens do Google, sem qualquer constância ou utilidade - não me refiro ao Google, claro, e sim às postagens - e mesmo já tendo "perdido" várias, já que quase não entro mais aqui.
Mas acho bonitinho.

A de hoje: centenário de Dennis Gabor, um Engenheiro Eletricista e inventor húngaro-britânico que ficou notalvemente conhecido pela invenção e aperfeiçoamento do método holográfico, pelo qual recebeu o Nobel de Física de 1971. (copiado diretamenta da Wikipédia, ohoh).
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quinta-feira, 27 de maio de 2010

strange behaviour


E de repente ele viu sua mulher naquele vestido roxo da noite em que a conhecera, reviu a expressão do rosto dela quando os seus olhares se cruzaram pela primeira vez - aquela expressão que o fizera se apaixonar imediatamente. À época, ele pensara que a expressão se devia ao vestido, à insegurança de usar um vestido tão sofisticado, num clube sofisticado. Mas não, não fora bem isso. Era a expressão de terror, um terror mal reprimido, que nunca a abandonava. Era o pavor do mundo exterior - de trens, de bombas, de bondes chocalhantes, de britadeiras, de avenidas mergulhadas nas sombras, dos russos, de submarinos e de bares cheios de homens raivosos, de mares povoados de tubarões, de asiáticos com um livro numa das mãos e um rifle na outra.
Dolores tinha medo de tudo isso e de muito mais. O que mais a aterrorizava, porém, estava dentro dela, uma espécie de inseto dotado de uma existência sobrenatural, que sempre vivera no seu cérebro, brincando com ele, arrancando-lhe os cabos ao seu bel-prazer.

Dennis Lehane,
Paciente 67.
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

passione


Não que eu precisasse de alguma desculpa pra ver mais uma novela - e mais uma de Sílvio de Abreu, ainda por cima - mas essa é irresistível:

"'Passione' vem da paixão por um período específico do cinema italiano que eu adoro. A comédia e o melodrama italianos dos anos 1940, 1950 e 1960, juntos, eram humanos, cômicos, verdadeiros e abso­lutamente irresistíveis. Durante minha juventude tive o privilégio de acompanhar o auge desse cinema. Vittório de Sica, Mario Monicelli, Fellini, Visconti, enfim, os grandes diretores italianos, e os mais populares como Steno; os atores como Totó, Aldo Fabrizi, Alberto Sordi, Marcello Mastroianni, Sophia Loren, Gina Lolobrigida... Tudo isso formava um mundo muito fascinante. E a Itália, para mim, era um país cativante, mágico, ensolarado, divertido, para onde eu sonhava ir. Assistia a esses filmes com enorme prazer. "
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Há alguns dias, entrevistada por Jô Soares, Mariana Ximenes falava que achou lindo algo que Sílvio de Abreu dissera sobre como assistir aos filmes de Hollywood, como os musicais da Metro, o deixavam feliz, na juventude. Como o inspiravam, como o faziam sonhar.
Como eu poderia não gostar desse homem?

(só uma dúvida: aquele filme a que Tony Ramos & família assistiram no primeiro capítulo é Os Girassóis da Rússia? a história parece com a da personagem de Leandra Leal, o cabelo de Sophia Loren também...)
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sábado, 1 de maio de 2010

deus permite a todo mundo...


Feriado: Dia do Trabalho.
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terça-feira, 27 de abril de 2010

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benditos os que conseguem se deixar em paz.

Martha Medeiros.
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da vida das marionetes (xvii)


Martin Scorsese (Martin my dear) e Leonardo DiCaprio no set de Ilha do Medo (Shutter Island, 2010) - que eu, oh-vida! - perdi de ver no cinema. ~.~
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

brincadeira de criança


Ainda Norma Bengell:

Pesquisando no gúgol imagens da atriz, encontrei a capa de uma Contigo (antes do !) em que ela aparece ao lado de seu então marido Gabriele Tinti, galã italiano da década de '60, com quem ela esteve casada por alguns anos.
Mas o que me atraiu mais na revista foi uma manchete abaixo da que os chamava de "casal do ano"; me chamou a atenção "Quem é quem no cinema europeu".
Como Norma e Tinti se casaram em 1963, quando filmaram juntos o Noite Vazia de Walter Hugo Khouri, vamos supor que seja daquele ano a tal capa. Quem seria quem no cinema europeu, então?

*vamos imaginar, é só uma brincadeira...*

1. Marcello Mastroianni

Talvez o mais belo ator europeu, rivalizando apenas com Alain Delon, francês que também tem feito sucesso nas matinês. Ator de filmes polêmicos como A Doce Vida e O Belo Antônio, Mastroianni tem quase 40 anos e é casado há anos com Flora Carabella, com quem tem uma filhinha. Já trabalhou com alguns dos grandes talentos do cinema italiano, em comédias e dramas de igual brilho.

2. Sophia Loren

Outra italiana, amiga de Mastroianni e já ganhadora do primeiro Oscar para uma atriz em um filme estrangeiro (por seu papel em Duas Mulheres, do mestre Vittorio De Sica). Próxima dos 30 anos, com filmes italianos e em Hollywood - onde dizem ter deixado paixões em astros como Cary Grant e Peter Sellers - a belíssima atriz tem um envolvimento amoroso com o produtor Carlo Ponti, grande incentivador de sua carreira.

3. Alain Delon

Como já dissemos, é o único rival em beleza à altura de Mastroianni. O ator francês tem feito filmes em seu país e na Itália, e é noivo da eterna Sissi, a austríaca Romy Schneider - um namoro um tanto atribulado, mas um belíssimo casal.

4. Brigitte Bardot

A maior estrela francesa, a mais fotografada e a mais polêmica. Nos últimos anos tem se dedicado a filmes mais "sérios", mas a imagem de sex-symbol ainda é seu forte, com seus muitos romances e escândalos. Dizem que virá em breve ao Brasil, curiosa por conhecer nossa natureza e a Bossa Nova, da qual é fã.

5. Jeanne Moreau

Uma revista italiana deu a Jeanne e a seu colega francês Jean-Paul Belmondo uma capa em que eram apontados como "os astros mais feios do cinema". Feios (para alguns), mas extremamente charmosos e talentosos. Jeanne é a musa (nas telas e fora delas) de diretores como François Truffaut e Louis Malle, e sua coragem em interpretar heroínas de comportamento controverso é tão notável quanto seu talento - é considerada pelo genial Orson Welles "a maior atriz do mundo".

6. Peter O'Toole

Nem sempre são necessários muitos filmes para se reconhecer um grande ator. Para o irlandês O'Toole bastou Lawrence da Arábia, grande filme do inglês David Lean, para levá-lo à fama, à indicação ao Oscar - não venceu, mas deverá ser a primeira de muitas - e para outros papéis importantes em filmes ingleses e americanos.

7. Monica Vitti

Italiana que é a atriz favorita de seu compatriota Michelangelo Antonioni, das mais belas e talentosas de um país de mulheres notavelmente belas. Uma espécie de Brigitte Bardot mais séria e intelectual, tem grande futuro.

8. Jean-Paul Belmondo

Não tão belo quanto seu colega Delon, mas desde que fez Acossado, de Jean-Luc Godard, poucas se lembram de sua beleza não ser tão unânime. Charmoso, elegante, talentoso, Belmondo é talvez o melhor ator francês de sua geração.

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domingo, 25 de abril de 2010

a gente não se reconhece ali


Há algum tempo meu pai duvidou e só depois de ver os créditos do Toma Lá Dá Cá acreditou no que eu dizia: sim, aquela senhora obesa e nada atraente que interpretava Dona Deise, masculinizada e caricata, era mesmo Norma Bengell, a bela atriz que seduziu brasileiros e europeus (como o belo italiano Gabriele Tinti, com quem foi casada) na década de '60.
Envelhecer bem é privilégio de poucas - Fernanda Montenegro, Sophia Loren, poucas mais - mas ver a decadência física de musas é sempre melancólico. O caso de Norma, a primeira atriz a aparecer nua no cinema brasileiro, cantora de Bossa Nova, diretora de filmes não tão bons, envolvida em polêmicas com recursos públicos, ex-namorada de Alain Delon ("ele me pediu em casamento, eu é que não aceitei"), tem me parecido mais triste que outros. Estou bem desinformada há meses, então não sei se ela tem estado doente, mas uma entrevista que vi ontem da atriz me chamou a atenção para sua fala algo lentificada, sua labilidade emocional, a impressão de impregnação que o uso de algumas medicações dá (repito: tudo suposição, não digo que ela esteja tomando nada, não sei de nada).
Achei extremamente triste ela responder sobre "como era quando você era estrela?" Por que perguntar assim? custava fingir um pouco e não lembrá-la o tempo todo que o passado teve seus momentos de brilho, mas eles ficaram lá, bem escondidos e quase esquecidos no passado? Ao lembrar uma peça que fizera em Paris, com a atriz francesa Maria Casarès, Norma chegou a chorar ao repetir uma frase sobre que fazia alusão a ser esquecida, e aí eu por pouco não mudei de canal.
Se tem uma situação que particularmente me entristece é de quem teve um futuro glorioso, os Tenembauns da vida real, que tinham tudo pra ascender mas não se tornaram tão memoráveis como parecia que seriam - ou, como Norma, chegaram a brilhar muito, mas o tempo arrefeceu seu brilho.
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

sonhos de consumo (vii)


Arriscando revelar de uma vez minha idade provecta: eu tinha - e a-do-ra-va - bonequinhas de papel e suas roupinhas com pedacinhos dobráveis pra ajustar.
E essa, bem 50's, de Natalie Wood, então, que maravilha devia ser...
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terça-feira, 16 de março de 2010

1992,1993...

Vagas estrelas da Ursa,
eu não contava
Voltar ao hábito de vos olhar
Sobre o pátrio jardim esplendoroso
E conversar convosco das janelas
Deste refúgio onde morei menino
E vi o fim das minhas alegrias.

Não que seja alguma coisa são bonita ou tão melancólica quanto os versos de Leopardi que inspiraram Visconti.
Mas como algo banal como uma foto no Orkut pode trazer lembranças tão vivas...
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terça-feira, 9 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

amigos imaginários (ii)


Amélie é muito triste, muito solitária, muito introvertida, mas ela ainda permanece positiva o tempo todo.
(...)
Ela [Audrey Tautou] é engraçada. Ela tinha uma cara engraçada, mas, por outro lado, ela é muito bonita. É exatamente esta mistura que eu adoro. Eu a vi no poster e eu vi os grandes olhos. Algumas pessoas me perguntaram se era um efeito especial porque ela tem pupilas grandes. São enormes. É incrível. E ela foi perfeita. Fiz alguns testes e ela foi imediatamente perfeita. Ela vai ser uma estrela, acredite. E eu disse isso a ela: "A França vai ser muito pequena para você, muito em breve. Você tem que aprender inglês."

Jean-Pierre Jeunet,
sobre a protagonista de seu adorável O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.
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sábado, 6 de março de 2010

classe unida?

Era só o que faltava: Ronaldo Fenômeno torce por Marcelo Dourado.
Afe.
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quarta-feira, 3 de março de 2010

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

google


Tentando acompanhar diariamente os tais desenhinhos, sem muito sucesso.
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domingo, 14 de fevereiro de 2010

brrr


Para os Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, hoje.
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un certain regard


O que nos diferencia dos "artistas"? Um dom? O talento inato ou adquirido após estudo e prática? A sensibilidade? Talvez uma forma original de ver as coisas, de dar significados ao que veem que a outros não ocorreriam.
Uma "originalidade" que aparece mesmo fora da obra do artista, e é até mais tocante quando revelada sem querer, num momento mais pessoal:

- No dia 06 de maio de 1969, durante uma apresentação da peça Esperando Godot, em São Paulo, a atriz Cacilda Becker (vítima de um aneurisma) se sentiu mal e foi levada às pressas para um hospital, de onde não sairia viva. Por acaso passava à frente do teatro Marília Pêra, que viu a ambulância parada e resolveu entrar para ver o que acontecia. O que a então jovem atriz viu foi Cacilda sendo carregada nos braços de algumas pessoas ao longo da platéia, no meio das filas de cadeiras, um de seus braços caído e tocando uma cadeira após outra da fila do corredor.
Naquele braço caído Marília viu também um gesto de despedida, um adeus ao espaço que Cacilda tanto amava, e que só deixaria por morte.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

foi a saudade que me trouxe pelo braço


Já perdi várias dessas imagens bonitinhas do Google nesses dias sem qualquer passadinha por aqui, mas vamos ver se esta dá sorte e eu volto.
Ou talvez apenas dê vontade de tomar umas e outras e cair no passo...
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sábado, 9 de janeiro de 2010

h

Personagem da semana: Odile Jouve, de A Mulher do Lado.
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