
Minha arrogância cinematográfica me faz ficar desconfiada de filmes cult, ou que se proclamem cool, mas às vezes sou forçada a baixar o narizinho empinado e concordar com os elogios. E é ótimo quando isso acontece, muito mais prazeroso do que ficar do contra.
Foi o que ocorreu na semana passada, quando finalmente vi (500) Dias com Ela [(500] Days of Summer, 2009], comédia romântica (mesmo que não se pretenda assim, superficialmente) que fez sucesso quando lançada e eu ainda não tinha podido ver.
Não que seja daqueles filmes inesquecíveis, mas certamente merece um lugar entre os melhores recentes desse gênero tão injustiçado e subestimado.
Há várias coisas boas a apontar: a trilha sonora nostálgica e moderninha, ao mesmo tempo; as referências divertidas a outros filmes; a originalidade, a leveza, a elegância; mas há principalmente a atriz principal, que é a cara e a razão de ser do filme, mesmo com uma personagem que poderia sem bem melhor desenvolvida - a bela Zooey Deschanel, que há tempos merecia um filme para ela. Com olhões de iluminado azul e uma beleza doce mas um tanto séria, até mesmo antiga (como convém a Summer e seus cabelos e roupas 60's), Zooey ilumina as cenas em que aparece e justifica a quase obsessão de Tom (Joseph Gordon-Levitt), arquiteto frustrado que começa o filme escrevendo aqueles cartões para-quem-não-quer-perder-tempo-pensando.
Já li que o filme é considerado uma espécie de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa da geração i-Pod - uma comparação meio lesa mas também verdadeira, guardadas as devidas proporções, claro. Mas, independente de comparações, (500)... tem vida própria, emociona, diverte e faz a gente se sentir melhor ao final - o que eu acho uma qualidade das mais elogiáveis em qualquer filme - mesmo para quem é, na vida de cá, mais Tom que Summer e, portanto, nem sempre entende o que já dizia Carlos Drummond: "Carlos, sossegue, o amor /é isso que você está vendo: /hoje beija, amanhã não beija, /depois de amanhã é domingo / e segunda-feira ninguém sabe /o que será. "
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1 comentários:
Eu adorei também ! Identifiquei-me com o fato de a paixão ter sido um produto articulado pela psiquê dele, absolutamente propensa a fantasiar e ela contribuindo com o fato de ser irritantemente bela, adorável e intrigante.
Zooey interpreta ela mesma em todos os filmes (até em " O Guia do Mochileiro das Galáxias) e isso pode ser muito irritante. Aqui encontra o veículo perfeito : se fosse outra atriz, não teria a menor graça.
P.S. : Ela é irritantemente adorável também como cantora na dupla indie-pop She And Him !
P. S 2 : Que olhos são aqueles ?!
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