
As filmagens de Os Guarda-Chuvas do Amor foram uma experiência feliz e enriquecedora para Catherine. Não podia saber que esse filme a transformaria numa estrela, mas pela primeira vez interpretava um papel que se adequava a ela maravilhosamente. E Jacques Demy soube exatamente como tirar vantagem de sua aparência delicada e romântica.
O cinema francês estava precisando de um rosto novo, menos mundano que os de Jeanne Moreau e Simone Signoret, e com uma sensualidade menso agressiva que o de Brigitte Bardot. Foi uma lacuna que Catherine preencheu em seu primeiro grande papel.
Roger Vadim,
Bardot, Deneuve & Fonda - As Memórias de Roger Vadim.
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Mas o que será que ele quis dizer com o rosto mundano de Jeanne Moreau?
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4 comentários:
Talvez para ele, " mundano" significasse "feio".
Vadim era mais interessado em um carreira de conquistador do que cineasta.
Em que pese Bardot ter sido um grande ícone, ícone máximo de uma época, Moreau é mil vezes melhor atriz. É, inclusive, superior à querida e talentosa Deneuve.
E Moreau nem era feia, mas não tinha a beleza dos padrões habituais a la Bardot e Deneuve.
Nem era feia mais tinha um aspecto vulgar.
Certos rostos representam, ou falam, naturalmente. Resumem o infinito na sua expressão, seja ela qual for.
Por outro lado a beleza, seja clássica ou exótica, nos emudece, apesar de decantada seguidamente em prosa e verso. Uma tentativa vã de explica-la, talvez.
Este era o segredo do cinema mudo, pegando carona em Norma Desmond: as fisionomias “falavam”, para que as palavras? Uma profusão de faces expressivas e belas que, na visão dela, no cinema sonoro sobrevivia apenas através de Greta Garbo.
Quanto a Roger Vadim... Poderia perdoar-lhe tudo menos Barbarella, imbatível no quesito filme insuportável. Onde esconde a beleza facial expressiva da jovem Jane Fonda sob a nudez oportunista de seu corpo.
Certamente ele jamais assistiu aos filmes mudos. Ou compreendeu seu valor.
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