sábado, 8 de março de 2008

dia da mulher


As mulheres e as crianças são as primeiras que
desistem de afundar navios.

Ana Cristina Cesar,
Cartilha de Cura.
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sexta-feira, 7 de março de 2008

para o resto de nossas vidas

É a coisa mais simples do mundo: ou se gosta ou não se gosta do que se vê.
Mas até agora, com mais de uma semana assistindo quase diariamente à minissérie Queridos Amigos, da GLOBO, ainda não sabia mesmo a minha opinião sobre o programa.
Geralmente gosto muito do que Maria Adelaide Amaral escreve; adorei a viscontiana adaptação de Os Maias feita por ela & Luiz Fernando Carvalho, por exemplo. Desde alguns meses atrás, quando li as primeiras matérias falando da produção, ela me despertou o interesse, que aumentou mais ainda ao ver as propagandas ao batidíssimo (mas que de vez em quando me faz quase chorar) som de "amigo é coisa pra se guardar...", de Milton Nascimento.
Algumas coisas me incomodam nela, como o excesso de personagens e, mais ainda, um certo endeusamento da geração mostrada, a-que-lutou-contra-o-regime-militar-e-amava-os-Beatles-e-os-Rolling-Stones-e-Gil-e-Caetano. O maniqueísmo pouco disfarçado poderia não estar ali. Os atores estão ótimos, e é tão bom ver um elenco escolhido mais pelo talento que pelo apelo de estrelas. Se não, o que estariam fazendo ali o paraibano Luiz Carlos Vasconcelos, ou Emílio de Melo, maravilhoso ator pouco visto na TV? A trilha sonora é das melhores, o que ficou evidente logo no primeiro capítulo, iniciado com Janis Joplin (Cry Baby) e encerrado com My Baby Just Cares for Me, com Nina Simone!
Mas duas citações, em meio às tantas que são feitas (às vezes pecando pelo didatismo), me seduziram de vez para, yes, I enjoy it! Ontem, a personagem de Fernanda Machado celebrava seu amor enfim "livre" com belos versos de Camões, de um soneto que adoro (tá aqui embaixo, viu?). Quer coisa mais linda?!
E, hoje, o grande golpe: Bia (logo ela, uma personagem meia-boca) citou ... tchan-ran! - as pequenas epifanias de Caio Fernando Abreu, amigo e admirador da autora Maria Adelaide (a Levíssima, como ele a chamava em suas cartas): " Há alguns dias, Deus (...) enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. "
Continuando com ele: Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.
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da mágoa, sem remédio, de perder-te


Pensamentos, que agora novamente
cuidados vãos em mim ressuscitais,
dizei-me: ainda não vos contentais
de terdes quem vos tem tão descontente?

Que fantasia é esta, que presente
cada hora ante meus olhos me mostrais?
Com sonhos e com sombras atentais
quem nem por sonhos pode ser contente?

Vejo-vos, pensamentos, alterados;
e não quereis, de esquivos, declarar-me
que é isto que vos traz tão enleados?

Não me negueis, se andais para negar-me;
que, se contra mim estais alevantados,
eu vos ajudarei mesmo a matar-me.

Luís de Camões.
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quinta-feira, 6 de março de 2008

quarta-feira, 5 de março de 2008

your house or mine?


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she's going to smile to make you frown


Monroe? Uma relaxada, na verdade, uma divindade desleixada, no sentido em que uma banana split ou cherry jubilee são divinos desleixos.
Seus lábios úmidos, o exagero como loura, as tiras escorregadias do sutiã, o debater rítmico da massa inquieta a lutar por espaço dentro de um abrigo insuficiente - tais são os emblemas, as qualidades caricaturais que, pode-se supor, a tornaram imeditamente reconhecível no mundo inteiro. Contudo, no que consta ser a vida real, Monroe não é facilmente identificável. Ela circula pelas ruas de Nova York sem ser molestada por olhares ávidos, acena para táxis que não param, toma suco de laranja no Nedick's da esquina servido por um atendente que não percebe ser a freguesa a razão de suas ambições mais ambiciosas: na verdade, com freqüência a pessoa tem de ser avisada que Monroe é Monroe, pois ela parece à primeira vista apenas mais um espécime da gueixa norte-americana, a garota conquistada pelo cartão de crédito, uma das beldades de cabaré cujas carreiras progridem do cabelo pintado aos doze a um ou três maridos confiscados aos vinte.
No entanto, por mais estereotipados que sejam certos aspectos de Monroe, ela não representa genuinamente o gênero, pois falta-lhe a dureza indispensável; ademais, ela é capaz de uma concentração sensível, sempre o segredo capaz de fazer qualquer talento avançar, o que acontece em seu caso: o personagem que incorpora, uma imagem do abandono plena de ternura insolente, é coerente e convincentemente charmosa: dá para entender, pois há pouca diferença entre sua imagem na tela e a impressão que ela transmite pessoalmente - o apelo das duas personalidades deriva da mesma circunstância: que ela é órfã de fato e de espírito; ela é estigmatizada e iluminada pelos traços do pensamento órfão: embora não confie em ninguém, não muito, ela se esforça feito um estivador para agradar a todos, ela quer fazer de cada um de nós seu protetor afetuoso, e conseqüentemente nós, a platéia, e seus conhecidos, ficamos presumidos, compassivos e excitados. A profundidade de sua ansiedade (quem chega sempre mais de uma hora atrasado para seus compromissos é contido por insegurança e angst, não vaidade; é angst também a tensão decorrente da necessidade contínua de agradar, que também causa as freqüentes dores de garganta, as unhas roídas, as palmas úmidas e os ataques de riso à japonesa) induz uma simpatia melosa que o comportamento exuberante nada faz para dissipar: o que poderia ser mais potente, ilusório, irresistível do que uma pessoa esfuziante de quem podemos e devemos sentir pena; em tal situação os participantes podem comer o bolo e levá-lo.
Ouvimos repetidamente que Monroe é uma "instituição", um "símbolo". Até o onipresente marido, o teatrólogo Arthur Miller, escreveu um artigo para nos informar a esse respeito. Contudo, as instituições tendem a ser sombrias, e aos símbolos falta sangue: seria um dia horrível se uma moça tão adorável e animada aceitasse seriamente uma prisão verbal tão sufocante.


Truman Capote,
sobre Marilyn.
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domingo, 2 de março de 2008

i should be so lucky


O Oráculo do Orkut me avisa hoje:

"Você subirá de posição social sem nenhum esforço especial."
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Talvez ele tenha lido o último post, gritando a queixa do "muito trabalho sem diversão", e tenha se preocupado.
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