sábado, 15 de agosto de 2009

mary poppins

O clichê é verdadeiro, como qualquer clichê que se preze: a cegonha torna você mais doce, sim.
Mais doce, mais tolerante, mais generosa - com as outras mães e seus exageros (e isso inclui a sua própria mãe, cada vez mais compreendida), com quem não tem sucesso na amamentação exclusiva, com quem lhe oferece qualquer ajuda, por mínima que pareça ser, e até mesmo com filmes assistidos.
Pode até ser que antes um filme tenha lhe parecido açucarado demais, ou tolo, e então, quando visto pós-bebê, eis que você passa a enxergar nele qualidades que antes não vira. Por exemplo: que o filme em questão não é a mais original ou profunda análise sobre a maternidade (Ingmar Bergman e outros cuidaram bem melhor do tema), mas ele consegue emocioná-la e fazê-la refletir sobre que tipo de mãe você quer ser; que não é a melhor nem mais divertida adaptação de best-seller vista nos últimos tempos ( O Diabo Veste Prada?), mas tem diálogos inteligentes e boas atuações; que uma idéia pode parecer até simplória - as aventuras de uma babá não são um tema tão auspicioso... - mas ainda assim render momentos de satisfação e interesse, mais agradáveis que alguns filmes bem mais pretensiosos, quando conduzida com ironia e emoção na medida certa.
E agora vou parar por aqui pra dar mais um beijo de boa noite na minha cria.
.


sexta-feira, 14 de agosto de 2009

radical chic


Há algumas semanas pude me sentir uma espécie de celebridade local, ou uma anônima famosa, como naquelas fotos de César de Cesário. Foi assim...
Enquanto esperava minha vez na recepção de uma clínica, uma conhecida repórter da cidade respondia às perguntas da recepcionista:
- Nome...
- Fulana. (pouco simpática)
- De quê?
- de Tal. (com cara ainda menos simpática)
- Profissão...
- Jornalista! (quase com raiva)
(eu torci pra ela ainda perguntar: - De onde? - mas parou por ali)

Aí chegou a minha vez e, depois do nome, a moça:
- Posso te perguntar uma coisa?
- Pode...
- Você estudou no Alfredo Dantas?
- Estudei.
- E era irmã do professor Alarcon?
- Sou sim. (mas queria mesmo ter dito: - Não só era como ainda sou...)
- Ah, eu nunca esqueço um rosto!

Como eu sou chique.
.

da vida das marionetes (xv)


Lá vem mais um Oscar: Sean Penn é dirigido por Gus Van Sant em Milk - A Voz da Igualdade (Milk, 2008).
(A propósito: quando será que os tradutores brasileiros perderão essa mania tola de colocar subtítulos "explicativos"?)
.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

bom trabalho, pantera!


Uma notícia que ficou meio eclipsada pelo choque com a morte de Michael Jackson: ontem também morreu a atriz Farrah Fawcett, outro dos símbolos da cultura pop dos anos '70, a Pantera mais bela e a dona de um dos cortes de cabelo mais copiados desde que sua escova para fora apareceu na TV. Não era especialmente boa atriz, e provavelmente será mais lembrada pelo cabelão e pelo famoso poster em que aparece sensual e sorridente, de maiô vermelho - uma bela imagem de uma das últimas pin-ups, uma estrela.
.

jackson one


Ele provavelmente foi uma das imagens mais bizarras e exemplares dos excessos que pode haver na vida de uma celebridade - excesso de fama, de dinheiro, de escândalos, de cirurgias plásticas, de futilidades, de exposição pública e de sucesso. Uma vida que a mídia e os próprios fãs acompanhavam como quem assiste a uma corrida de Fórmula 1: esperando a batida.
Não houve como escapar hoje ao fato: Michael Jackson morreu. Não foi fácil pra ele enquanto esteve vivo. Mas ele esteve. E tocou a vida de todas as pessoas contemporâneas a ele, ao dançar com suas músicas, ao se chocar com as notícias sensacionalistas, ao se espantar com sua imagem transformada e cada vez mais estranha.
Agora talvez seja a hora de deixá-lo descansar em paz, finalmente.
.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

tareco & mariola


Acho que eu sempre fui uma campinense errada: nunca sei qual é a Maciel Pinheiro e qual a Venâncio Neiva; durante muito tempo resisti a votar nos Cunha Lima (resistência hoje transferida aos irmãos Vital do Rego); não gosto de veranear em Camboinha; e, last but not least, nunca fui muito fã do São João.
E não gostar das festas juninas na cidade que se orgulha de ter O Maior São João do Mundo é bem esquerdo, mesmo. Se você mora ao lado do Parque do Povo, então... Ainda me lembro das noites em que meu irmão e a namorada insistiam para que eu saísse à noite com eles para o PP, e eu até saía, mas ficava na casa de titia Carmelita dormindo ou lendo suas Vogues e Cláudias até de madrugada, quando eles voltavam e me levavam pra casa (há milênios). Arrastá meu pezim naquela lama, com aquele barulho todo, eu, que nem danço forró que preste? Passo.

Mas algumas coisas se salvam nesta época, claro:

* bolo de milho verde
* pé-de-moleque
* as músicas de Flávio José
* um churrasquinho que ficava na entrada da Sebastião Donato, cinicamente chamado de Xugatinho. Sujinho, talvez, mas tão gostoso...
* a chuva e o frio do mês de junho
* o feriado do dia 24.
Anyway, bom São João a todos! (mas não me convidem para o PP, please)
.

terça-feira, 16 de junho de 2009

where's the rest of me?

Recado recebido há alguns dias, via Orkut:
" (...)Como faz tempo que não tenho mais notícias suas(...)"
Eu também, Sérgio, faz tempo que não tenho mais notícias minhas.
.