O clichê é verdadeiro, como qualquer clichê que se preze: a cegonha torna você mais doce, sim. Mais doce, mais tolerante, mais generosa - com as outras mães e seus exageros (e isso inclui a sua própria mãe, cada vez mais compreendida), com quem não tem sucesso na amamentação exclusiva, com quem lhe oferece qualquer ajuda, por mínima que pareça ser, e até mesmo com filmes assistidos.
Pode até ser que antes um filme tenha lhe parecido açucarado demais, ou tolo, e então, quando visto pós-bebê, eis que você passa a enxergar nele qualidades que antes não vira. Por exemplo: que o filme em questão não é a mais original ou profunda análise sobre a maternidade (Ingmar Bergman e outros cuidaram bem melhor do tema), mas ele consegue emocioná-la e fazê-la refletir sobre que tipo de mãe você quer ser; que não é a melhor nem mais divertida adaptação de best-seller vista nos últimos tempos ( O Diabo Veste Prada?), mas tem diálogos inteligentes e boas atuações; que uma idéia pode parecer até simplória - as aventuras de uma babá não são um tema tão auspicioso... - mas ainda assim render momentos de satisfação e interesse, mais agradáveis que alguns filmes bem mais pretensiosos, quando conduzida com ironia e emoção na medida certa.
E agora vou parar por aqui pra dar mais um beijo de boa noite na minha cria.
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