domingo, 11 de julho de 2010

ole, furia roja!


Sem muitas surpresas: lembrando que hoje se encerra a Copa do Mundo.
E, não, não torço hoje de jeito nenhum - eu sou muito pé-frio.
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terça-feira, 6 de julho de 2010


Aniversário de Frida Kahlo.
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o homem errado


Mas uma questão precisa ser encarada agora.
Por que um biógrafo se interessa em descrever a estranha psicologia de Hitchcock ou sua conduta ainda mais estranha, por melhor que ele possa documentá-las? O que esse tipo de informação pode adicionar ao nosso conhecimento ou apreciação de um grande cineasta e eterno entertainer?

(...)
As fantasias tecidas por Hitchcock, às quais os roteiristas davam forma e estrutura e às quais os atores davam vida, dependiam da emergência de imagens misteriosas que vinham de seu interior - imagens que eram frequentemente aterradoras e violentas, às vezes delicadas. De seus desejos secretos e de sua imaginação vívida vinham histórias preciosas.(...)
Sua vida torturada e solitária - e particularmente seus sentimentos complexos e não resolvidos em relação às mulheres - permitiu a ele (na verdade, o forçou) usar um reservatório humano comum de imagem e sonho, medo e desejo. Se seus filmes fossem simples representações de suas próprias fantasias e sonhos, sem uma referência mais ampla, ele talvez tivesse apenas um pequeno grupo de admiradores parecidos com ele. Mas ele expressou essas imagens, desejos e sonhos mal lembrados em termos que emocionaram, impressionaram, divertiram , amedrontaram e maravilharam milhares de pessoas em todo o mundo, de culturas muito diferentes.
(...)
Se há algo que pode ser dito sobre sonhos e desejos é que eles são intensamente particulares. Mesmo quando são articulados, é difícil colocar em palavras a estranheza de uma imagem, as distorções cômicas e grotescas do tempo e do espaço interno, os estranhos amálgamas des entimento que nos deixam menos certos do artifício confortável com o qual tão frequentemente nos apresentamos ao mundo. Ao dar forma às suas fantasias, Hitchcock explorou e expôs coisas não só dele, mas também de outros - realidades mais o menos concretas, mais ou menos latentes. Ele nos mostrou não o que toda vida é, mas o que alguma vida é, o tempo todo, em todo lugar - e o que a vida corre o risco constante de se tornar.

Trechos de capítulos diferentes de Fascinado pela Beleza - Alfred Hitchcock e Suas Atrizes,
de Donald Spoto.
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Ao longo da leitura de Fascinado... eu fiquei dividida entre uma impressão boa - é sempre interessante ler sobre Hitchcock e seus filmes, e minha bisbilhotice de sempre adora fofocas de bastidores - e outra nem tanto - por que esmiuçar tanto os aspectos mais condenáveis do grande diretor? Por que fazer tanta questão de dividir os méritos de suas obras, de questionar sua autoria?
Os detalhes da relação tumultuadíssima com 'Tippi' Hedren são o maior chamariz do livro - desde sua capa - e são o que deve haver de mais escandaloso na carreira e na vida do cineasta, pelo que sei, mas não o mais importante, que é sua genialidade. Eu nunca havia lido tão explicitamente sobre o caso, então tinha muita curiosidade, mas confesso que talvez preferisse não conhecer tantos pormenores.
Não deixei de amar Marnie, não deixei de colocar Hitchcock no sala VIP do meu Hall of Fame particular.

E agora olho com desconfiança para o outro livro de Donald Spoto na minha estante: que revelações esperar de Francisco de Assis - O Santo Relutante?
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plis...

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/6367

Assina, assina!
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sexta-feira, 2 de julho de 2010

thank you for smoking (iii)


Paul Henreid e Bette Davis em A Estranha Passageira.
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amor i love you


Não dera certo para Ingrid Bergman e Leslie Howard anos antes, nem daria para Jennifer Jones e William Holden depois; por que teria que dar então para Bette Davis e Paul Henreid? Ou: por que pedir a lua, se nós temos as estrelas?
Romances impossíveis são um dos mais clássicos clichês do cinema, daqueles que não cansam e sempre tocam quem assiste e não é cínico ou pragmático demais. Assim, mesmo que o final feliz (feliz mesmo, sem sublimações) seja raro, a gente sempre gosta das lágrimas que correm ao ver Intermezzo, Suplício de uma Saudade ou A Estranha Passageira (Now, Voyager, 1942), melodrama de Irving Rapper que marcou a carreira de Bette Davis e que vi ontem, numa rara pausa dos DVDs de Baby Einstein.
Não é um filme para quem tem preconceito contra melodramas, definitivamente, porque aqui estão vários dos elementos mais queridos desse subgênero tão menosprezado: uma heroína que supera adversidades ( mãe cotroladora, auto-confiança mínima, problemas "nervosos", aparência pouco atraente), doenças, culpa, paixões súbitas e arrebatadoras - de preferência platônicas (e deve haver menos do que os quatro beijos de Casablanca, outro amor impossível clássico), renúncia e belas e memoráveis cenas. Quem esquece os dois cigarros que Paul Henreid acende, cena que hoje seria quase impossível, em tempos de antitabagismo correto?
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