
A idéia de fuga da civilização e de busca de valores mais "verdadeiros" no contato com a natureza não é das mais novas; mas ainda é das mais atraentes, mais ainda quando vivemos um tempo de certo desencanto com o mundo globalizado. E, bem mais ainda, quando a proposta nos é apresentada por mãos hábeis e confiáveis, que nos transmitam sinceridade e emoção, e não oportunismo ou ingenuidade.
É o que acontece com "Na Natureza Selvagem"(Into the Wild, 2007), o belo filme dirigido por Sean Penn, um dos melhores e mais conscientizados atores de Hollywood hoje. Baseado num relato real, do jovem americano Christopher McCandless, que no início dos anos '90 abandonou a estabilidade confortável e aparente em que vivia e foi viver like a rolling stone, literalmente - história contada em livro pelo jornalista Jon Krakauer - o filme escapa, felizmente, das armadilhas possíveis ao tema. Escapa, assim, à pieguice, à crítica social mais panfletária e, claro, chata, e até mesmo ao endeusamento de seu personagem principal, mostrado em sua jornada como um misto de rebeldia, idealismo mas também ingenuidade, ao fugir à realidade insuportável da vida planejada por seus pais e seguir seus instintos e as palavras libertárias de autores como Jack London ou Henry David Thoreau.
Belas imagens e belas idéias, ainda mais com a música belíssima de Eddie Vedder, quase isolado numa das trilhas sonoras mais "vivas" e emocionantes dos últimos anos.
Cada vez admiro mais Sean Penn, bravo e inteligente como ator e como diretor, capaz de transmitir ao filme toda a verdade e insatisfação de seu personagem. Um astro e um filme visceralmente políticos, se pensarmos em política como ato de repensar o lugar em que (e a forma como) vivemos.
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4 comentários:
Alana, tô louco pra ver esse filme. Já postei há um tempo lá no meu a foto deles.
Teu blog, lindo como sempre!
beijos
teu blog, minha fonte de cultura.
não sei por que, mas não simpatizei com o tal de Holbrook. (não, não é porque ele parece o wolverine)
Vi esse filme há alguns meses. É o tipo de filme que faz você pensar seriamente em abandonar tudo e sair com uma mochila nas costas vivendo por aí, na natureza, ou em qualquer lugar que não seja aqui, que seja lá.
Alana, tu és, por acaso, irmã de Alarcon? Assisti uma palestra dele hoje sobre Maio de 1968, e algumas coisas que ele falou me fizeram pensar, como: que tinha uma irmã louca por Maio de 1968; que era de signo tal com num sei o quê em num sei que lá (eu não sei nada de astrologia).
E, além disso, há o Agra, né?
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