Acabo de ver minha "sorte de hoje" no Orkut: A dança é a linguagem oculta da alma.
\O/
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
music makes the people come together

Decorridos já 16 dias de 2009, minha anotação de filmes vistos já conta ... 04! Nada muito promissor, e estou com preguiça agora de procurar a agenda do ano passado pra confirmar, mas acho que 2008 foi mais escasso ainda.
A amostra é pequena, mas já se nota uma predominância de gênero: 03 musicais para uma comédia. Se bem que são três musicais bem diferentes entre si:
* uma fábula de Jacques Demy (Pele de Asno)
* o que já foi definido pelo seu diretor como uma "comédia musical neo-realista" - Uma Mulher É uma Mulher (Une Femme est une Femme, 1961), um dos melhores filmes de Godard, com Anna Karina radiosa e algumas cenas inesquecíveis, que mostram desde referências aos musicais clássicos de Hollywood, como Cantando na Chuva, até uma maneira ótima de forrar a cama.
* o último visto, bem hollywoodiano: Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho (Dreamgirls, 2006).
Perdi de ver o filme de Bill Condon no cinema, quando passou aqui em Campina, e depois sempre ficava deixando pra outro dia; até havia começado a ver e parei bem no início, mas ontem vi todo, e não me arrependi.
É uma espécie de biografia disfarçada das Supremes e de um pouco da história da gravadora Motown, que revelou alguns dos mais brilhantes artistas americanos negros do século XX, mas mesmo quem não conhece muita coisa do assunto pode se empolgar com a história e com as ótimas músicas, além dos atores estarem muito bem, principalmente Eddie Murphy (que eu acho muito chato, mas não aqui) e Jennifer Hudson, como a mais talentosa mas também mais gorda e menos bonita do trio de cantoras que sonha com - e consegue - o sucesso. Beyoncé Knowles não é exatamente uma boa atriz, mas é linda e canta bem, mesmo que sem o vozeirão de Hudson; estou curiosa pra vê-la como Etta James em Cadillac Records.
Não chega a ser tão bom quanto Chicago ou Moulin Rouge - Amor em Vermelho, e poderia ter sido menos superficial e mais bem resolvido - por exemplo, na metade inicial a música aparece apenas nas canções dos artistas que se apresentam, mas do meio para o fim os personagens resolvem agir como nos mais tradicionais musicais da Metro: param no meio da ação e começam a cantar e dançar. Mas é divertido, tem um final redentor e, como costuma ser com a maior parte dos musicais, deixa a gente feliz e com vontade de sair por aí abrindo os braços para o mundo e cantando coisas como the hills are alive...
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vale tudo

É hoje!
Tudo bem que a última semana não foi das mais verossímeis - como aquela fuga mirabolante de Flora da ambulância - e parece que o autor se esqueceu de alguns acontecimentos mais antigos, como os dólares que Donatella deixou para Lara, em uma conta no exterior, ou a morte da jornalista Maíra, mas isso pouco importa. O que importa mesmo é o que acontecerá hoje à noite, no último capítulo de A Favorita, uma das mais interessantes e inventivas novelas dos últimos anos.
O que eu queria: um final feliz para Donatella e Zé Bob, claro, e um castigo para Flora, assassinada por sua filha, Lara, que recuperaria tudo que a vilã roubou dos Fontini e fugiria com Halley pra bem longe, deixando Irene a ver navios. Lara teria herdado de seus pais - Flora e Dodi - os genes da desonestidade e da dissimulação, que só revelaria bem no finalzinho da história...
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
é verão!
... e Campina segue como sempre, no mês de janeiro: deserta, com a população dividida em dois grupos:
* quem foi veranear em João Pessoa (= Camboinha)
* quem não foi, mas não sai de casa de jeito nenhum, só pra não ser visto e passar por sem-dinheiro-pra-viajar.
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* quem foi veranear em João Pessoa (= Camboinha)
* quem não foi, mas não sai de casa de jeito nenhum, só pra não ser visto e passar por sem-dinheiro-pra-viajar.
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domingo, 11 de janeiro de 2009
sereníssima

De volta aos anos '80!
A VogueParis (Dezembro/Janeiro) traz na capa e com destaque absoluto ao longo da revista ninguém menos que a princesa Stéphanie de Mônaco, ainda bela aos quase 44 anos, fotografa por Mario Testino (no interior da revista) e Mert Alas & Marcus Piggott, na foto da capa.
Stéphanie de Monaco règne sur ce numéro, diz o editorial, que a chama de ideal feminino inconteste dos anos '80 e rainha de sua época.
E eu já peguei o meu exemplar, claro.
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para onde os patos vão no inverno?

Dia desses eu estava assistindo à reprise de Mulheres Apaixonadas (ócio, doce ócio) e revi uma cena que já chamara minha atenção da primeira vez que vi a novela: José Mayer (César) presenteia sua filha Marcinha com uma edição especial de três livros de J. D. Salinger, falando principalmente, claro, de O Apanhador no Campo de Centeio.
Embora pareça um tanto forçada a cena, e nenhum dos personagens ali pareça ter lido ou, menos ainda, sido influenciado pela narrativa de Holden Caulfield, não deixa de ser interessante a referência ao clássico americano, um dos mais reverenciados e polêmicos do século XX - principalmente depois que Mark Chapman surtou e resolveu apontar o livro como influência para matar John Lennon, gerando toda uma especulação sobre o caráter "nocivo" dele.
Nada mais injusta, aliás, do que essa fama de malditos para um livro e um personagem tão envolventes e honestos, puros mesmo, no melhor sentido dessa palavra.
Lembrei, ao rever a cena, da defesa de Salinger pelo autor italiano Roberto Cotroneo, em seu livro Se uma Criança, Numa Noite de Verão... (Cartas para meu filho sobre o amor pelos livros):
Aí falarei de outro autor, nosso contemporâneo. É um sujeito estranho, escreve em inglês e se chama Jerome David Salinger. Vou lhe contar a respeito do seu jovem Holden, isto é, do personagem central de O Apanhador no Campo de Centeio, para mostrar-lhe o que é a transgressão, mas também a ternura, e de como a transgressão e a ternura podem ser companheiras de viagem (no fundo você é um transgressor).
(...) Mas aí, no fim, vamos entender que este romance de Salinger não quer apenas relatar a história de um jovem que decide quebrar todas as regras, mas sim algo mais: é a história de um jovem irônico perdido num mundo de plantações de centeio que ficam à beira de um abismo onde os apanhadores são raros. É um livro que fala de um adolescente em busca desesperada de generosidade, é um tratado contra o egoísmo, contra um mundo intolerável feito de mediocridade disfarçada de grandeza, de retórica que só serve para esconder mesquinharias de todo tipo. É um grande livro, Francesco, porque mais uma vez parece escrito de forma simples. Mas não se deixe levar pelas aparências. Salinger também precisa ser lido nas entrelinhas, precisa de muitos apartes.
(...)É realmente incrível como este livro consegue ser ao mesmo tempo um exemplo de crítica feroz da sociedade e uma grande lição de tolerância.
(...) Tornar-se adulto exige um preço que Holden tentou até o fim não pagar. (...) Tornar-se adulto quer dizer mudar a maneira como se vê o mundo, e até mudar a maneira de cometer enganos, de errar. Nem sempre é agradável, mas é necessário. O importante, querido Francesco, é saber que em algum lugar há um apanhador qualquer, perdido num imenso campo de centeio. Pronto a salvar as crianças - pelo menos elas - antes de caírem naquele abismo assustador. É apenas um sonho. Que contrasta com todas as realidades idiotas que Holden tem continuamente de enfrentar. Mas com ele funcionou, e pode funcionar com você também. Mesmo que algumas vezes, após sonhar demais, você se sinta imbuído da melancolia da frase final do romance:
"É engraçado. Não contem coisa alguma a ninguém. Se contarem alguma coisa, acabarão sentindo falta de todos. "
É a pura verdade, Francesco.
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
far far away

Qual a cor ideal de roupa para se iniciar um novo ano?
Cor do tempo (bom tempo, claro)? Cor da lua? Cor do sol?
E qual o tipo de filme para se iniciar um novo ano?
Fiquei com a dúvida acima hoje de manhã, e ela foi resolvida logo depois do café: um filme leve, belo e com começo-meio-e-fim (feliz! feliz!), exatamente nesta ordem. Pode até ser um meio lelé, ou absurdo, para alguns. E agora, quem poderá nos salvar?
- Jacques Demy, claro!
Levantei o braço até a prateleira dos "comprei-mas-não-vi" e de lá escolhi Pele de Asno (Peau d'Âne, 1970), mais um dos musicais que ele fez com Catherine Deneuve, bela até encoberta pela pele nada douce do título.
O filme é baseado num conto de Charles Perrault, um daqueles que os psicanalistas adoram interpretar - afinal, seu ponto de partida é um impensável amor incestuoso entre pai e filha, numa história-pra-criança-dormir... Deneuve interpreta a princesa belíssima, que precisa viver escondida de seu pai (Jean Marais, a fera de Cocteau, já envelhecido) e disfarçada como uma criada suja e repugnante, vestida com a pele de um asno, até ser descoberta por um jovem príncipe (Jacques Perrin).
Elegante, com música linda de Michel Legrand e cenas de beleza e humor encantadores, sem efeitos especiais mirabolantes mas com grande criatividade visual, o filme tem algumas imagens difíceis de esquecer, como a dos vestidos da princesa, sugeridos pela sua fada-madrinha (Delphine Seyrig) por serem quase impossíveis, ou o surreal baile de gatos e pássaros.
Um deslumbre.
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