sexta-feira, 30 de maio de 2008

do you know the way to...


Será que há um nome de cidade mais bonito que São José dos Ausentes?
Não tenho a menor idéia de onde fica - só que é no Rio Grande do Sul - mas será que lá se encontra também some peace of mind?
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sexta-feira, 23 de maio de 2008

nature boy


A idéia de fuga da civilização e de busca de valores mais "verdadeiros" no contato com a natureza não é das mais novas; mas ainda é das mais atraentes, mais ainda quando vivemos um tempo de certo desencanto com o mundo globalizado. E, bem mais ainda, quando a proposta nos é apresentada por mãos hábeis e confiáveis, que nos transmitam sinceridade e emoção, e não oportunismo ou ingenuidade.
É o que acontece com "Na Natureza Selvagem"(Into the Wild, 2007), o belo filme dirigido por Sean Penn, um dos melhores e mais conscientizados atores de Hollywood hoje. Baseado num relato real, do jovem americano Christopher McCandless, que no início dos anos '90 abandonou a estabilidade confortável e aparente em que vivia e foi viver like a rolling stone, literalmente - história contada em livro pelo jornalista Jon Krakauer - o filme escapa, felizmente, das armadilhas possíveis ao tema. Escapa, assim, à pieguice, à crítica social mais panfletária e, claro, chata, e até mesmo ao endeusamento de seu personagem principal, mostrado em sua jornada como um misto de rebeldia, idealismo mas também ingenuidade, ao fugir à realidade insuportável da vida planejada por seus pais e seguir seus instintos e as palavras libertárias de autores como Jack London ou Henry David Thoreau.
Belas imagens e belas idéias, ainda mais com a música belíssima de Eddie Vedder, quase isolado numa das trilhas sonoras mais "vivas" e emocionantes dos últimos anos.
Cada vez admiro mais Sean Penn, bravo e inteligente como ator e como diretor, capaz de transmitir ao filme toda a verdade e insatisfação de seu personagem. Um astro e um filme visceralmente políticos, se pensarmos em política como ato de repensar o lugar em que (e a forma como) vivemos.
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quarta-feira, 21 de maio de 2008

high school musical


Li há alguns dias, no blog de Astier (que está nos links, claro) um rápido comentário sobre o fato de algumas pessoas só irem ver peças com famosos no elenco, e a frase ficou na minha mente. Vou pouquíssimo ao teatro, mais por uma questão de falta de opções aqui em Campina do que por falta de vontade minha. OK, há também a falta de tempo de ir mais vezes a João Pessoa ou, o que seria bem melhor, ir mais ao Recife, onde se pode acompanhar um pouco melhor o que acontece de interessante nos palcos. Acompanho o que acontece no teatro mais por leituras sobre do que pelas obras propriamente ditas, o que é um bocado frustrante. Sempre que estréia por aqui, então, quase qualquer peça - há certas comédias que são insuportáveis, não acho a menor graça e acabo me aborrecendo muito; prefiro nem ver - eu faço o possível pra ir assistir. Muitas vezes há atores famosos (mesmo que não do primeiro escalão) no elenco, mas iria mesmo se não houvesse.
Me incomoda essa falta de opções, e também a valorização exagerada de nomes nem sempre muito brilhantes, mas fico sempre pensando: e se a gente não for nem pra essas peças mais "populares"? se mesmo pessoas razoavelmente informadas (eu me incluo aqui!) freqüentam tão pouco o belo TMSC, como pensarão que há na cidade um público que gosta, que espera mais do teatro que apenas um espaço para recitais onde crianças da família mostram seus talentos ao piano ou dançando, a cada final de ano?
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A propósito: talvez já estivesse meio amarga com a derrota do Treze, mas não achei nada de especial na peça que estava em cartaz no último domingo, aqui [ Um Certo Van Gogh] . Bruno Gagliasso, astro da peça, é um ator que, mesmo não especialmente talentoso, ao menos parece se esforçar (afe. Esforçado não é elogio, Alana) e foge um pouco ao estilo Malhação de atuar e escolher papéis. Mas tudo parece um pouco adolescente demais, e me ficou uma impressão de "quero ser rebelde" que é sempre incômoda.
O ator declarou sobre a peça, em que também participa da produção: "O que a gente quer é apresentar um olhar sobre os sentimentos do Van Gogh, não sobre sua vida. Eu sentia uma necessidade de falar mais sobre o Van Gogh artista, que sobre sua vida... Essa coisa de ter sido internado todo mundo sabe. A dimensão artística do Van Gogh me impressiona muito. Ao mesmo tempo em que ele é tido como um paradigma na história da arte, é um cara que só vendeu um único quadro durante a vida. Um certo Van Gogh é um projeto de vida, não só um trabalho."
Devo estar mesmo me tornando cínica, infelizmente.
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terça-feira, 20 de maio de 2008

mr. nice guy


“Você ganhou um grande presente, George: uma chance de ver como o mundo seria sem você. (...) Estranho, não é? A vida de cada homem toca tantas outras vidas. Quando ele deixa de existir ele deixa um vazio terrível, não é?”.

A frase é dita por Clarence a George Bailey, em A Felicidade Não se Compra (It's a Wonderful Life, 1946).

Mas poderia ser dita por Alfred Hitchcock, ou Antony Mann, ou Frank Capra, ao ator que vivia Bailey no filme: James Stewart, nascido há 100 anos.

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domingo, 18 de maio de 2008

auto-estima: é de comer?


Uma das coisas de que mais gostei na Bahia, além dos milhares de acarajés consumidos, foi a impressão de auto-estima nas alturas que os baianos e, mais ainda, as baianas têm. Toda menina baiana tem um jeito - nós, estrangeiros, podemos até nem ver esse tal jeito, mas elas se garantem, sempre, e eu acho essa uma ótima, saudabilíssima atitude.
Pena que nem todas as brasileiras seguem o exemplo, e muitas de nós oscilamos entre um padrão de auto-estima baixa ou o extremo à la Andrea Schwartz. O primeiro tipo nem sempre fica tão evidente, mas pode ser percebido quando lembramos, por exemplo, que o Brasil é um dos líderes em cirurgia plástica estética, no mundo; ou na quantidade de loiras absolutamente fake (como eu, ainda com algumas mechas ainda presentes em meio ao castanho original) que vemos.
Ou em atos falhos que escapam em conversas como o que ouvi ontem, numa mesa perto da minha, enquanto tomava um café no shopping. Um rapaz explicava a duas moças a trama de Eu Sou a Lenda (I am Legend, 2007), e uma delas lembrou que a atriz do filme é "a filha de Sonia Braga", para espanto dos outros - que não sabiam da informação nem do real parentesco da atriz Alice Braga, sobrinha de Sonia. Lembrou também que era "a mesma de Cidade Baixa" (filme em que a atriz está encantadora como uma prostituta dividida entre dois amigos), o que também foi ouvido com espanto. "Mas ela tava muito diferente", disse o rapaz. "Muito derrubada, com aquele cabelo...", disse a outra moça (com mechas ainda mais claras que as minhas). "Pois é", disse a mais informada do trio, "ela está muito bonita no filme [Eu Sou a Lenda], nem parece que é brasileira, parece americana."
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quinta-feira, 15 de maio de 2008

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(Adão Iturrusgarai)
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quarta-feira, 14 de maio de 2008

e finjo que finjo que finjo


balançam os cabides
lustres se acenderão

E se, apesar de tudo, a gente ainda se sente tão Lovemar, arrumando a casa e esperando a visita que vai deixar cair a brasa no tapete coração?
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