
Um dos meus subgêneros favoritos é o de "filmes sobre a Segunda Guerra", o que me faz ver de Top Secret-Superconfidencial a Pearl Harbor (gosto demais do primeiro, não gosto nem um pouco do segundo).
Não daria, então, pra resistir a A Espiã ( Zwartboek, 2006), filme holandês de Paul Verhoeven, diretor que não me empolga, nem em suas produções hollywoodianas nem nas anteriores, em que dirigia Hutger Hauer (onde anda?) em filmes escandolosos, na década de '70. Mas aqui, nesse filme, gostei finalmente dele.
Há os momentos exagerados, as fugas meio MacGyver da heroína - Carice van Houten, bela e ótima no papel, uma certa vontade de chocar (mas hoje algo ainda choca?) com algumas cenas mais, hm, explícitas - só que bem colocadas no filme, ao contrário daquela coisa que era Showgirls, por exemplo... Mas há momentos luminosos e personagens inesperadamente atraentes, como o oficial nazista por quem a personagem principal se apaixona, Müntze (Sebastian Koch). Além de uma impressão de tensão permanente, que não sossega nem com a libertação da Holanda invadida pelos nazistas - aliás, o terror depois parece até mais cruel que antes. Não há heróis perfeitos na história, muito pelo contrário - o grande herói celebrado pelos holandeses é uma farsa - nem há ufanismos maniqueístas, e só por isso, por relativizar, já dá pra gostar do filme, mesmo com seu pessimismo todo.
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