
Nem lembro mais há quanto tempo eu havia sonhado com artistas. Deve ser culpa dessa lua, desse conhaque, que botam a gente comovido como o diabo.
O fato é que, nas poucas horas de sono que a FAP me permitiu ontem, o cansaço foi maior que o interesse em ver o jogo do Brasil (quem ganhou? quem ganhou?) e dormi e sonhei. Sonhei que a vaga aberta na Emergência era ocupada por um médico novo na cidade, mas que eu, euzinha, reconhecia: Jean-Pierre Léaud. E não o Léaud envelhecido e melancólico do Os Sonhadores (e da vida real) mas o Antoine Doinel de Domicílio Conjugal, jovem, confuso e meio gauche na vida.
Ninguém mais o reconhecia (metida a besta até nos sonhos, afe), o que ele parecia preferir. Mas era até melhor, ficava sendo um segredo nosso.
Ao longe, uma música me desperta do segredo. Charles Trenet? Não, un vieux clocher me chamando ao mundo, duas da manhã.
E fiquei pensando no que teria comido à noite pra provocar esse tipo de sonho: algodão-doce?
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