
Há alguns dias estava "convesando" no Facebook com o Renato Félix sobre coleções de DVDs, mais especificamente sobre a sensação de orgulho e alegria que me dá ao ver meus modestos filminhos - sensação que comparo à que Tio Patinhas tem ao mergulhar em suas moedas.
Várias vezes, em momentos de cansaço, tédio ou tristeza, o simples ato de limpá-los, vê-los, tentar alguma forma de organização menos aleatória que as que eu invento, já me deixa em paz.
Mas há dias bateu uma dúvida, reforçada agora por uma discussão no UOL: serão válidos só os DVDs oficiais ou também valerão os "outros"? Porque, por mais que se tente resistir - e eu tento bravamente, boa moça e caxias que sou - vem um Cisne Negro da vida e me faz cair em tentação.
É uma discussão bem fútil, com tanta coisa mais séria pra se preocupar, num assunto em que há tempos penso em me aprofundar mais - limites legais e éticos etc. - mas que me incomoda.
A exigência por produtos oficiais se tornou frescura (por exemplo, gostar de caixinhas, extras etc.)? A discrepância entre os preços dos DVDs oficiais e não-oficiais justifica a busca por estes? Vale a pena esperar meses para assistir a um filme que você está louca pra ver, quando há tantas formas de vê-los?
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1 comentários:
Well... Tudo se resume a um embate de forças: de um lado, Lady Alana, com sua paixão insaciável pelo cinema, sua sensibilidade a flor da pele, seus filmes organizados em seções que apenas ela imaginou...
Do outro, Lord Conscience, sempre nos apontando o dedo acusador ao invés da lança, montando seu cavalo célere na busca de culpas e remorsos enquanto cavalga nas plagas de nosso reino interior...
Lady Alana é valente, mas tende a se recriminar... Lord Conscience é cínico, posa de nobre representante da ordem. Apostaria as fichas na dama, ao invés do cavaleiro.
Existem dois tipos de colecionadores: os que colecionam edições e os que desejam os filmes ao seu alcance. Pode haver uma interseção de ambos, claro. Mas não costumo encontra-los com tanta freqüência, parece que se escondem na floresta de Sherwood.
Os limites legais e éticos são pessoais, porque a própria sociedade os tornou de ocasião e circunstanciais. Por outro lado, o sistema impõe sua força, te faz achar até que você financia o crime organizado através do consumo de produtos ilegais. Mas será a grana oficial menos desonesta? Quanto arbítrio, quanta falcatrua, quantas contas irregulares em paraísos fiscais deriva do lucro admissível de mercadorias?
Alguns racionais dirão: isso não é parâmetro, um erro não justifica o outro. Mas quem determina o certo e o errado? Somente os interesses convencionais, com toda certeza.
Não compro filmes piratas. Apenas porque muitas vezes tenho restrições à qualidade da cópia. Frescura mesmo, pegando carona no termo que usou. E se os comprasse, não os contabilizaria na coleção. Um limite individual, também ocasional e circunstancial.
No mais, Lady Alana, siga em frente derrubando os oponentes e colocando mais filmes na sua estante. A indústria, que volta e meia volta à carga inventando novos formatos (vide o Blu-ray) sem preocupar-se com o antigo, está muitíssimo longe de falir pelas novas seções que você cria nas suas prateleiras.
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