segunda-feira, 27 de abril de 2009

rosa-choque

No início deste mês foi lançada na Inglaterra uma campanha de alerta quanto à violência contra a mulher, sob responsabilidade da organização Women's Aid e com um vídeo curtinho mas de grande impacto, dirigido pelo inglês Joe Wright e estrelado por sua atriz mais constante, a bela Keira Knightley.
Pena que foi justo o impacto que o vídeo proporciona que fez com que o anúncio fosse censurado pelos órgãos encarregados pela regulação dos anúncios promocionais na TV inglesa, conforme uma nota divulgada hoje. O vídeo foi considerado "muito duro" e "excessivamente violento" para ser exibido na TV, e então proibido.
É mesmo violento, a ponto de dar um certo mal-estar enquanto se vê, por exemplo, Keira Knightley já ao chão, sendo chutada pelo namorado. Mas era esse tipo de reação que a campanha buscava, esse tipo de choque que deveria ocorrer frente a demonstrações da violência a que ainda são submetidas mulheres de qualquer idade, qualquer classe social, até nas melhores famílias de Londres, ao que parece. Ao mostrar a vítima representada por uma atriz bela, jovem e mais relacionada a papéis glamourosos ou de mulheres "fortes", o choque é certamente maior.
Não é fechando os olhos ao fato, ou tentando diminuir o desagrado que o assunto desencadeia, que haverá alguma diminuição, ou ao menos alguma atenção maior para ele.
O vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=ctoZbeD-GlY
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variações google (de novo)


Hoje, em código Morse.
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domingo, 26 de abril de 2009

t.o.c.


Ontem à tarde tive que encarar a verdade: não dava mais para adiar o que precisava fazer. Por mais cansada que pudesse ficar depois, nem eu aguentava mais aquela bagunça que virara meu guarda-roupa; fui começar a arrumação.
Com as mudanças do corpo, as roupas estão praticamente divididas em duas categorias: as que posso vestir agora, mais de 10 Kg depois do início da gravidez, e as que não cabem mais ou, no máximo, me deixam parecendo que "o defunto era menor". Outro dia tentei vestir uma batinha que era até folgada, quando comprada, e vi parte da minha barriga aparecendo entre os botões, o que me fez imediatamente mandá-la de volta para o cabide de onde não deveria ter saído. Alguns vestidos têm me acompanhado, companheiros um pouco mais curtos que antes, mas valentes. As calças - prefiro não comentar; há muito já aderi aos modelos com elástico na cintura, bem longe do meu 34/36 habitual.
Tendo que separar e organizar tudo, não pude deixar de me perguntar: mas o que raios me faz manter tanta coisa que nem uso mais? E nem falo do que deixei só temporariamente, por causa da gravidez, falo do que não uso mais há anos, porque saiu de moda ou simplesmente porque não combina mais com meus gostos. Mas que eu mantenho ali, não me disfaço. Ilusão de que posso perder o passado se jogar aqueles casaquinhos que usei em outro lugar, em outro tempo? Ou tentativa de não reviver momentos ao ter que novamente encarar blusinhas usadas ainda na faculdade? Por que essas roupas continuam ali, ocupando espaços importantes, deixando outras peças - bem mais em uso agora - espremidas e amarrotadas?
Será que também tenho feito isso com as pessoas? Dou espaço para quem não tem mais protagonismo na minha vida, mesmo que seja um espaço meio esquecido, já quase mofado?
Mesmo com alguma dificuldade, consegui separar algumas coisas, afastar outras, decidir dar algumas delas. Aumentei meu campo de visão e meu espaço disponível para as novas e maiores roupas. A organização às vezes funciona de fora para dentro, e assim talvez algo internamente também se organize, quando fazemos essas faxinas.
Fui jantar e fiquei olhando para as pessoas e pensando em como elas agiriam com suas próprias arrumações. Alguns parecem que nunca arrumam nada; outros que não páram de arrumar, sem nunca vencer a bagunça; outros ainda parecem viver em dia com seu passado e nem passam pela confusão. Como se a (des)ordem do quarto, do guarda-roupa, espelhasse um pouco da narrativa de cada um de nós.
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

a hora do povo na tv

Há poucos dias li no novo blog de Astier - já aí nos links, ao lado - sobre uma certa tendência nossa (nós = brasileiros) à identificação mais frequente com bandidos que com a polícia. Um dos exemplos disso, a meu ver, é a reação que tive ao ver Cidade de Deus, e acho que não fui a única a ficar torcendo mais por Zé Pequeno e outros elementos do que pelos homens-de-farda.
Logo me lembrei de uma conversa inusitada que tive na manhã seguinte à cerimônia do Oscar-2004, referente aos filmes de 2003, entre eles Cidade... e O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, o super-premiado encerramento da trilogia de Peter Jackson. Na noite anterior eu havia ido dormir tardíssimo, assistindo até o final à transmissão na TV, e estava logo cedo tomando café ainda sonolenta, antes de ir pro trabalho, quando chegou na cozinha um rapaz que fazia algum serviço no quintal, que não lembro mais o que era. O tal rapaz entrou justamente quando eu comentava sobre os vencedores, e me surpreendeu ao dizer que também havia ido dormir tarde, esperando até o fim pra ver se o filme brasileiro ia ganhar.
- Eu fiquei acordado a noite toda e o filme não ganhou foi nada! Quem ganhou tudo foi o dos Anéis. Eu nem vi esse; o brasileiro eu vi no DVD, e duvido que o outro seja melhor. Mas americano não gosta de realidade, não, eles gostam é de mentira, de fantasia.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

sintonia de amor


Em tempos pós- Sex and the City fica mais engraçado ainda ver comédias como Médica, Bonita e Solteira (Sex and the Single Girl, 1964). Se, por um lado, o filme pode ser visto como antiquado ou até ingênuo demais, por outro não se pode deixar de admirar sua elegância, sua graça e sua leveza, tantas vezes imitadas depois, sem tanta classe ou sucesso. Talvez porque classe esteja se tornando algo cada vez mais antiquado, também.
O diretor é Richard Quine, um dos mais subestimados das décadas de '50 e '60, mas autor de alguns sucessos da época, como este e o ainda melhor Quando Paris Alucina (Paris When It Sizzles, 1964) - e o elenco não poderia ser mais charmoso: Natalie Wood e Tony Curtis (fazendo brincadeiras com seu parceiro travestido em Quanto Mais Quente Melhor, Jack Lemmon), jovens e belos, Henry Fonda e Lauren Baccall, nem tão jovens mas também maravilhosos, e Mel Ferrer, outro dos subestimados (não devia ser muito fácil ficar meio à sombra de Audrey Hepburn).
A história não tem nada de muito original - jovem e bela psicanalista escreve um best-seller sobre o comportamento da mulher americana solteira (que dá o título original do filme) e vira o alvo de uma revista de escândalos e seu editor nada escrupuloso. Claro que os dois vão se conhecer e se apaixonar, vão rever suas opiniões iniciais e haver certa confusão envolvendo os outros personagens, mas tudo muito leve, bem-humorado e elegante como seus atores. E como pouco se vê nas comédias românticas que vieram nas décadas seguintes.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009

dona beija


Você sabe que está ficando velha quando estréia o remake de uma novela que você acompanhou na versão original. Não só você assistiu na época, e por isso se lembra de toda a história, como se lembra até do tema de abertura - e sente falta daquela voz linda de Ney Matogrosso cantando:

quem sabe o coração me dirá
dirá se cabe ou não no mesmo lugar
quem sabe o coração me dirá
dirá se cabe ou não no mesmo lugar
quem sabe o coração...

não precisava não acenar
não precisava não promessas demais
não precisava não acenar
tanta felicidade é um rio que vai
o rio que vai
o rio que vai me levar não passa na sua cidade
o paraíso
o paraíso começa, é só começar um sorriso
...
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sexta-feira, 3 de abril de 2009

cinemin


Cumpriu sua sentença, encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre.

Ariano Suassuna,
O Auto da Compadecida.

Li a notícia enquanto assistia a partes da enésima reprise de O Auto da Compadecida, exibida agorinha mesmo na Sessão da Tarde:

Revista SET é cancelada
Publicação chegava às bancas há 21 anos com as notícias mais quentes do cinema
Marcelo Forlani
A revista SET foi cancelada.
Há 21 anos a publicação trazia notícias e informações de Hollywood direto da fonte. Não era difícil ver edições em que todas as grandes matérias tinham sido feitas de Los Angeles, de onde os nossos amigos Roberto Sadovski, Ricardo Matsumoto e Rodrigo Salem ou algum outro colaborador enviavam artigos quentinhos.
(...)
Resta a torcida para que a SET consiga uma nova editora para dar continuidade ao trabalho.

Esta nota foi copiada & colada diretamente do site Omelete, mas a notícia me chegou através do blog do Renato Félix, e fui correndo ver a fonte que ele citava, claro.
Nos últimos tempos eu comprava a SET mais por obrigação (coisa de doido, mesmo, mas a expressão é exata: o-bri-ga-ção) que por prazer em ler suas matérias; aliás, de algumas delas eu pouco li, mas como compro a revista desde o número 01, para mim era impensável deixar o vício, mesmo quando dava mais raiva do que alegria - houve fases atrozes ao longo dos mais de 20 anos da revista, convenhamos. Apesar disso, fiquei triste ao ler sobre a mudança - segundo RF, a revista talvez continue como site apenas, sem a edição das bancas.
Claro que pode ser só meu mau humor ou meu anacronismo, mas não consigo me convencer a substituir a edição de papel pela eletrônica, seja dela ou de qualquer outra revista.
O que me entristece: a revista era uma das poucas (e eu não consigo me lembrar agora das outras ainda vivas) em circulação dedicadas ao cinema exclusivamente, mesmo que muitas vezes seu foco estivesse quase todo voltado somente para o que era mais blockbuster; há já uma história de mais de 20 anos de SETs, e devo muito à revista em relação a informação, conhecimento, até mesmo lembranças pessoais (por exemplo, meu primeiro namorado era leitor assíduo da revista e muitas vezes ela estava presente no namoro, seja nas fichas de cine & vídeo colecionadas pelos dois, seja nas votações dos melhores de cada ano, seja pelo simples ato de ir à Banca do Orlando juntos para comprarmos nossos exemplares, o que era um programão na época); a gente se sente tão velha quando percebe que acompanhava uma coisa há vinte anos e, mais ainda, quando vê que ela acabou, que talvez não haja interesse em sua manutenção. Afe.
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