segunda-feira, 25 de junho de 2007

embriagai-vos!


"De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor!"

Assim aconselhou Charles Baudelaire, o Pai do Simbolismo Francês, o criador da Poesia Moderna.
Baudelaire lançava há exatos 150 anos uma obra revolucionária para a poesia, iniciando uma nova época, uma nova poética, uma nova beleza: ele lançava, em 25 de Junho de 1857, o escandaloso As Flores do Mal.
Alvo de grande polêmica então, o livro foi mutilado - retiraram-se dele seis poemas - e seu autor multado. Mas nada impediria que se tornasse um clássico da literatura francesa e mundial, capaz de influenciar gerações & gerações de "poetas malditos", como Mallarmé ou Rimbaud.
Uma das belezas da obra:


Às vezes, por prazer, os homens de equipagem
Pegam um albatoz, enorme ave marinha,
Que segue, companheiro indolente de viagem,
O navio que sobre os abismos caminha.

Mal o põem no convés por sobre as pranchas rasas,
Esse senhor do azul, sem jeito e envergonhado,
Deixa doridamente as grandes e alvas asas
Como remos cair e arrastar-se a seu lado.

Que sem graça é o viajor alado sem seu nimbo!
Ave tão bela, como está cômica e feia!
Um o irrita chegando ao seu bico em cachimbo,
Outro põe-se a imitar o enfermo que coxeia!

O poeta é semelhante ao príncipe da altura
Que busca a tempestade e ri da flecha no ar;
Exilado no chão, em meio à corja impura,
As asas de gigante impedem-no de andar.

O Albatroz,
Charles Baudelaire (traduzido por Guilherme de Almeida).
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imagem: La Promesse, de René Magritte.
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