
Para François Truffaut, que chegara a ser seu assistente no início da década de 50, tratava-se do " homem mais inteligente que já conheci".
Em um filme de Bernardo Bertolucci, em certa cena um personagem diz que "Non si può vivere senza Rossellini" ( não se pode viver sem Rossellini), bela frase que o cineata brasileiro Paulo César Saraceni afirma ser sua.
Martin Scorsese nunca deixa de citá-lo como um de seus grandes inspiradores - ao ponto de Isabella Rossellini, filha do cineasta italiano e ex-esposa do americano já haver até declarado que o então marido parecia se interessar mais pelo seu genial pai que por ela própria.
E, claro, foi por ele que Ingrid Bergman, então uma das maiores e mais respeitadas estrelas americanas, aceitou deixar a segurança do seu mundo por amor, deixando carreira brilhante, marido chatinho e filha nos EUA e resolvendo viver sua história de amor na Itália, mesmo sendo chamada de "concubina" em pleno Senado norte-americano (e de outras coisas mais, provavelmente, pela grande Anna Magnani, abandonada por Rossellini ), e exilada pelo conservadorismo macarthista.
.
Mas, mesmo que nada disso fosse real, ainda assim Roberto Rossellini (nascido em 08 de Maio de 1906, em Roma) seria fundamental no cinema italiano, europeu e mundial, e definitivo seu lugar de sumo sacerdote e profeta do Neo-Realismo italiano, celebrado mesmo 30 anos após sua morte, ocorrida num outro dia 03 de Junho, em 1977.
“Para mim (o neo-realismo) é sobretudo uma posição moral em relação ao mundo. Dela, segue-se uma posição estética; mas o ponto de partida é moral.” - e não há mais o que se acrescentar às palavras do cineasta, autor de filmes essenciais como Roma, Cidade Aberta (Roma, Città Aperta, 1945), Paisà (1946), Alemanha, Ano Zero (Germania, Anno Zero, 1947) ou Francisco, Arauto de Deus (Francesco, Giullare di Dio, 1950), entre outros.
Dedicado em seus últimos anos à TV, Rossellini nunca deixou de exercer sua inteligência, seu espírito verdadeiramente cristão (mas nunca carola) e seu humanismo incorrigível, apesar das críticas e da diminuição do seu público e até do reconhecimento, em seus últimos dias de vida - nada que o tempo, senhor da razão (como fui associar Rossellini àquella camiseta?!), não tenha se encarregado de corrigir, devolvendo-lhe o prestígio merecido.
.
imagem: no início dos anos 50, Rossellini & Ingrid Bergman, com os filhos Roberto (Robertino), Isabella e Isotta.
.
3 comentários:
interessante a mobile Alana não citar Stromboli, um filme precioso sobre a mulher (e particularmente significativo, no que se refere a filmes sobre gênero, por ser o primeiro da Bergman, após a era Magnani).
Considero a efeméride do ano passado mais importante: 100 anos do nascimento de Rossellini...
Postar um comentário