sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

criação de um padrão amoroso


Eu devia ter uns dez anos, ou mais, quando me apaixonei por Sting. Ou melhor, me apaixonei pelo seu "personagem" no clipe de Don't Stand so Close to Me '86 - aquele professor que quer-não-quer o assédio de uma aluna adolescente, just like the old man in /that man in the famous book by Nabokov.
Lembro bem das imagens da versão antiga do clipe, numa sala de aula, numa referência ao passado de professor de Matemática de Sting, alternada com cenas dos três integrantes girando, filmados separadamente, já que, àquela altura, as brigas internas da banda inglesa já eram definitivas. Aliás, eles já estavam separados havia uns três anos, mas se reuniram para lançar uma coletânea, em 1986. E ganhar alguns trocados com as vendas do álbum, claro.
Pensei nisso hoje de manhã, ao ver na TV as imagens da chegada da banda ao Rio de Janeiro, onde eles farão um show amanhã à noite. Brincadeiras em frente às câmeras, falsas camaradagens, a inevitável declaração de que sentiram "saudadje" do Brasil; mas cada um seguiu para o hotel em um carro isolado, e não mais se falaram. Olhando para aquele Sting cinqüentão (mas com corpinho de uns 35...), aparentemente mais preocupado com ganhar mais alguns trocados com a reunião da banda, eu o acho, ou melhor, acho a mim mesma, naquela época, um bocado pateta, capaz de me apaixonar por tão pouco.
Por outro lado, não - condescendo.
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