
Vai chorar, vai sofrer,
e você não merece...
Não que eu tenha mesmo assistido ontem a Closer - Perto Demais (Closer, 2004), dublado e com intervalos, na Globo. Nem sei se foi boa ou não a dublagem (uma dublagem ruim é o que muitas vezes me faz desistir de ver alguns filmes na TV). Eu não assistiria novamente ao ótimo filme de Mike Nichols mesmo no vídeo ou até no cinema - minhas lembranças dele ainda estão muito vivas, nem preciso me esforçar muito para lembrar seqüências inteiras. E, o pior, me lembrar mais vivamente ainda da sessão "a vida imita a arte" que houve em 2005, quando vi o filme num cinema do shopping, acompanhada por meu então noivo. Na sala havia também, entre outras pessoas, um casal razoavelmente conhecido nosso, cuja metade feminina estava, vim a saber depois, envolvida em um romance extra-conjugal com... meu noivo!
Tá, muita água já rolou por baixo da Pont-Neuf da minha vida sentimental, mas é impossível não lembrar e, mesmo que cada vez menos intensamente, deixar vir à tona um pouco da tristeza e do ressentimento de então.
Ainda mais por o filme tratar, justamente, de uma ciranda de traições amorosas, de casais que se relacionam de forma inconstante, numa demonstração tocante das impotências e incompetências sentimentais nossas de cada dia.
Talvez fosse mais leve e divertido conseguir ver o filme pensando apenas no talento de Mike Nichols e de seus atores (e na beleza destes!), ou até mesmo para lembrar que, sim, eu gostava tanto dessa música de Damien Rice, antes dela ser tocada ad nauseum e antes de tantas versões ainda mais lacrimosas que a original... Vê-lo como "just a movie" seria, talvez, uma mostra de superação, ou mesmo de indiferença.
Mas ainda é cedo, amor.
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2 comentários:
essa sua situaçao com o noivo, closer e o outro casal, etc se encaixa naquilo que aristoteles chama de 'possivel improvavel'. ele mesmo reconhece que eh bem melhor um 'impossivel provavel (no sentido de ser plausivel, verossimil, ter justificativas na obra)' numa obra do que esse 'possivel improvavel'. um caso desse num conto arrancaria desaforos do tipo 'impossivel!', 'eh coincidencia demais!', 'q mentira!'.
mas eu entendo perfeitamente.
Fico surpreso quando vejo relatos como esse seu. Confissões que não perderam ainda o prazo de validade.
Muitas vezes, numa sala escura de cinema, o verdadeito espetáculo se desenrola no meio da audiência.
Mas, na maioria das vezes,não nos perguntam se temos alguma vontade de atuar em determinados scripts, não é? Somos astros à revelia.
Acho nossa época tão idiota, vazia. Vive-se antenado com o que ocorre no Azerbaijão e se ignora o que acontece na esquina. Não vemos quem está do nosso lado numa sala de cinema. Porém observamos, quem sabe, quem está companhado algumas fileiras adiante.
Nos achamos o máximo por nada e coisa nenhuma. É incrível como em nome de uma pretensa "felicidade pessoal", "do ser feliz acima de tudo", qualquer desejo se justifica por si mesmo.
Não queremos sofrer, preferimos evitar refletir, procuramos retirar a dor do ato de viver. As relações cada vez mais se processam à superfície.
Nãos ei se no passado era melhor. O que passou, passou, de nada vale esse saudosismo. Contudo, espero que no futuro seja melhor.
Espero que esse tempo esteja CLOSER...
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