
Mea culpa, mea maxima culpa...
Por motivos mais ou menos fúteis, este foi um ano em que eu fui, bem mais que nos anteriores, uma cinéfila não-praticante, e tenho a impressão de que muita coisa interessante acabei perdendo ou vendo com atraso, infelizmente.
Por qué no te callas, então?
Calo não. A idéia aqui é só organizar um pouco o que vi ao longo do ano, o que chamou minha atenção.
- Pois bem.
* a césar o que é de césar -
Finalmente Martin Scorsese recebeu seu Oscar de Melhor Diretor, longamente merecido e desejado. Melhor seria se houvesse sido por outros de seus filmes, mas tudo bem. Quem sabe agora, com um Oscar pra chamar de seu, ele volte a fazer filmes menos preocupados em mostrar como eu sou o melhor diretor do mundo. E Os Infiltrados é bem melhor, por exemplo, que O Aviador.*
* e nem era agosto ainda -
"O pecado e a culpa estão de luto. (...) Mas no enterro estarão também coroas de flores da alienação sexual, da falta de comunicação, dos truques da arte, dos mergulhos no íntimo, da loucura, do mutismo, das viagens ao passado, além do coral das batalhas com Deus. "
Assim começava o artigo de Geraldo Galvão Ferraz, na revista Cult, sobre a morte do sueco Ingmar Bergman, em 30 de Julho. Se esperasse algumas horas, ele teria que acrescentar que os presentes ao funeral estariam duplamente enlutados: no mesmo dia, numa dessas coincidências que nem parecem ser de verdade, falecia também o italiano Michelangelo Antonioni, outro dos grandes mestres.
O cinema também perderia, só para citar mais dois ídolos, Deborah Kerr, a bela e clássica atriz inglesa de Tarde Demais para Esquecer, entre outros grandes filmes. E Paulo Autran, um dos maiores atores brasileiros, menos assíduo no cinema, mas com filmes importantes como Terra em Transe ou O Passado, o seu derradeiro.*
* quem não viu? -
Eu nem gostei muito do filme, além de, sinceramente, ainda estar em dúvida quanto à sua natureza - é fascista ou não é? é um filme americano filmado no Brasil ou é só um filme de ação como não se costuma fazer aqui? não é pra ficar meio desconfiada quando se discute mais a ideologia que o aspecto mais "cinematográfico" de um filme? e a pirataria, hein?
Mas me deixa tão feliz ver um filme - e brasileiro! - ser comentado (às vezes apaixonadamente) por participantes do Roda Viva da Cultura, mas também pelas auxiliares de enfermagem, nos plantões da FAP... não via isso desde aquela manhã em que, ainda meiodormindomeioacordada, depois de virar a noite assistindo ao Oscar, ouvi do pedreiro que reformava a cozinha (também com cara de sono - o pedreiro, não a cozinha, que não parecia com nada, àquela altura) : "Ah, eu perdi meu tempo vendo aquilo [o Oscar]! Eu pensava que o brasileiro [Cidade de Deus, que concorria a Melhor Filme Estrangeiro] ia ganhar; mas esses americanos não gostam de realidade, não, eles gostam é daquelas mentiras dos Anéis... eu é que não vejo aquilo mais! " *
* num cinema perto de você -
Este ano foi maravilhoso para os lançamentos em DVD: o ciclo Antoine Doinel todo e outros de Truffaut (já no finalzinho de Dezembro, saiu O Homem que Amava as Mulheres - que devo ver hoje, hu-hu!); Valerio Zurlini, f-i-n-a-l-m-e-n-t-e! apenas três, por enquanto, mas que três!; vários de Eric Rohmer, Billy Wilder, os primeiros de Polanski... :) *
* a lista, enfim! -
Os filmes da minha vida, em 2007:
1. A Rainha (The Queen, de Stephen Frears). E eu ainda acho que Elizabeth II é que fez o filme; Helen Mirren é a identidade secreta dela.
2. Zodíaco (Zodiac, de David Fincher). Não se resolveu mesmo o caso? E daí? A investigação é que é o melhor, além das atuações de Robert Downey Jr, Jake Gyllenhaal e Mark Ruffalo.
3. Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América ( Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, de Larry Charles). O filme mais engraçado e mais politicamente incorreto do ano.
4. O Passado (El Pasado, de Hector Babenco). Longe do meu domínio / cê vai de mal a pior...
5. Pecados Íntimos (Little Children, de Todd Field). Kate Winslet em estado de graça, num filme para não ver a dois.
6. Os Simpsons - O Filme ( The Simpsons Movie, de David Silverman). Mais do mesmo, mas hilário e bem melhor que outras adaptações da TV.
Éramos seis? Sim, porque acabei de me lembrar de Rodrigo Santoro Vera Verão, em 300, então é melhor parar por aqui!
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