terça-feira, 25 de janeiro de 2011

a vingança dos nerds


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A crítica de Peter Travers na Rolling Stone comenta a imagem de Zuckerberg, milionário, sentado sozinho numa sala escura, “com o rosto iluminado pela luz azul do monitor, e fingindo que não está sozinho”. É uma maneira bitolada de ver as coisas. Muita gente pulando carnaval também finge que não está sozinha. Os nerds estão reinventando o mundo à sua imagem e semelhança. Dizer que um computador não faz companhia é tão injusto quanto dizer o mesmo de um livro ou de uma vitrola tocando Beethoven. O Facebook pode dar uma simples ilusão de sociabilidade, mas esta não é mais ilusória, para as pessoas “que não se encaixam”, do que a sociabilidade em carne-e-osso de uma festinha no campus, uma platéia de rock ou um churrasco na laje. O filme mostra que o mundo está cada vez mais formatado pelos nerds, após séculos de ditadura dos extrovertidos.

Bráulio Tavares,
sobre A Rede Social (The Social Network, 2010).
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Meu Deus, ele resumiu o que eu sentia quando me diziam que eu sempre seria sozinha, enquanto não me "adaptasse às diversões de todo mundo". De que me adiantaria essa adaptação? As pessoas que eu conhecesse dançando forró, por exemplo, ou estariam sendo enganadas - porque eu não sou a criatura mais festiva da face da terra - ou talvez não gostariam de, em vez de estar ali, estar em casa assistindo a um filme. Livros sempre me fizeram (e fazem) companhia, e das melhores, assim como filmes e a internet.
Obrigada, Bráulio.
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

o que teria acontecido a baby jane?


Who loves you, baby? Who watches you and watches over you? Who protects and exposes you? Who finds poetry in every pore, grace in your limbs, mystery behind those eyes? Whose passive power turns you on, gets you acting and acting up, captures your gifts? Who can never forget you? Who is your perfect lover, baby? The camera is.
The camera loves Nastassja Kinski.

Assim começava a matéria de capa da revista Time de 02 de maio de 1983, escrita pelo crítico Richard Corliss sobre as "Hot Faces from Europe" - Nastassja Kinski, Isabella Rossellini e Joanna Pacula, com maior destaque para a que era uma das mais belas e famosas atrizes da época. Com vários filmes a serem lançados e alguns sucessos nos anteriores, a filha do conturbado ator alemão Klaus Kinski e musa de grandes diretores - alguns deles seus namorados - parecia estar prestes a se tornar a primeira estrela européia a fazer sucesso em Hollywood em muitos anos, depois de Marlene Dietrich, Greta Garbo, Ingrid Bergman, Audrey Hepburn...
Mas o que aconteceu depois? Com o tempo Nastassja se perdeu em filmes ruins, problemas pessoais, pequenas participações em produções melhores, diminuição do prestígio - mas nunca da beleza e da aura de mistério e vulnerabilidade que a tornaram amada por seus fãs, que hoje lhe dão os parabéns pelos 50 anos (ou 51 ou 52, as fontes não chegam a um acordo). E que esperam por uma volta bem glamourosa, como tem acontecido com outros astros '80's.
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

home of the brave

Uma vida não pode ser resumida em um filme, por melhor e mais realista que ele seja.
Não seria então a vida de Harvey Milk, o primeiro político americano eleito a não só se assumir publicamente homossexual, mas também a defender os direitos dos gays e outras "minorias", que caberia em duas horas de projeção - no caso, do ótimo Milk, a Voz da Igualdade (Milk, 2009).
Anos antes do filme de Gus Van Sant, o documentário The Times of Harvey Milk já recebera elogios e prêmios - como o Oscar de Melhor Documentário de 1985 - e emociona tanto quanto a versão que deu também o Oscar a Sean Penn. Aliás, um atrativo a mais é identificar no "verdadeiro" Harvey Milk a voz, os gestos, as expressões de Sean Penn no seu excelente desempenho, um dos mais brilhantes recentes.
A Cultura exibiu o documentário de Rob Epstein ontem, o que me fez ir dormir chorando, ao mesmo tempo triste pelo fim trágico - mas até certo ponto esperado, neste mundo de intolerância e loucura - e feliz por sua coragem, sua alegria, sua humanidade.
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but is that really in her head?


Sérgio ia me emprestar "Outsiders - Vidas sem Rumo", de S.E. Hinton, mas antes me perguntava por que eu havia me interessado pelo livro.
Do alto dos meus 14 anos, meio encabulada por aquele rapaz de 20 estar me dando atenção - ainda mais alguém que tinha livros daqueles (ele tinha também Os Filmes de Minha Vida, de Truffaut, que me emprestaria depois) -, eu tinha tanta coisa pra responder, mas só consegui dizer que "ah, porque tem o filme, eu gosto de livros que viraram filmes".
Silêncio. Nada sobre rebeldia, sobre inadaptação, sobre ter lido antes "O Apanhador no Campo de Centeio" e, desde então, querer conhecer mais e mais livros ou filmes que falassem de adolescência e sua solidão. Nada sobre estar feliz por poder compartilhar leituras, impressões.
Tanto tempo depois, lembrei hoje dessa conversa. Eu não tenho mais 14 anos, Sérgio não deve ter mais o livro (eu devolvi, juro). Mas minha dor é perceber, como na música de Belchior, que ainda sou a mesma, tantos anos depois, querendo dizer coisas que não consigo, nem ao vivo nem aqui.
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

médicos sem fronteiras


Há dois meses padecendo com mais uma daquelas crises pavorosas de tosse ladrante e sibilância, humildemente marquei consulta com um pneumologista de verdade para hoje à tarde.
Lá ia eu então no táxi quando chegamos ao destino e, até ali caladinho, o cachorro que se abriga na minha garganta resolveu se manifestar, para espanto do taxista, que logo se virou para trás e me disse, solícito:
- Sabe que eu estava com uma tosse dessas semana passada? Parece que tá pegando todo mundo. E eu fiquei bom sabe com o quê? Limão com mel; pode tomar que é tiro e queda.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

la demoiselle de cherbourg


As filmagens de Os Guarda-Chuvas do Amor foram uma experiência feliz e enriquecedora para Catherine. Não podia saber que esse filme a transformaria numa estrela, mas pela primeira vez interpretava um papel que se adequava a ela maravilhosamente. E Jacques Demy soube exatamente como tirar vantagem de sua aparência delicada e romântica.
O cinema francês estava precisando de um rosto novo, menos mundano que os de Jeanne Moreau e Simone Signoret, e com uma sensualidade menso agressiva que o de Brigitte Bardot. Foi uma lacuna que Catherine preencheu em seu primeiro grande papel.


Roger Vadim,
Bardot, Deneuve & Fonda - As Memórias de Roger Vadim.
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Mas o que será que ele quis dizer com o rosto mundano de Jeanne Moreau?
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010


Não consegui colocar aqui o original, que é muito mais interessante e animado, com um trechinho de Imagine ao clicar na seta.
Por quê a imagem? Porque, se estivesse vivo, John Lennon hoje estaria completando 70 anos.
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