sexta-feira, 29 de agosto de 2008

spanglish

Ainda a propósito de Vicky Cristina Barcelona:
O Ilustrada no Cinema trouxe, há alguns dias, trechos do diário de filmagens de Woody Allen, publicados no New York Times.
Mas é claro que não parece ser sério.
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2 de janeiro:
Recebi uma oferta para escrever e filmar em Barcelona. Preciso ser cauteloso. A Espanha é ensolarada, e eu tenho sardas. O dinheiro não é grande coisa, mas o agente negociou para mim um décimo de 1% de tudo o que o filme fizer acima de US$ 400 milhões depois de cobertos os custos da produção.
Nenhuma idéia para Barcelona, a não ser talvez adaptar a história de dois judeus de Hackensack (Nova Jersey) que abrem uma empresa de embalsamamento por correspondência.

5 de março:
Encontrei Javier Bardem e Penélope Cruz. Ela é arrebatadora e muito mais sexual do que eu imaginava. Durante a entrevista, minhas calças pegaram fogo.
2 de abril:

Ofereci o papel para Scarlett Johansson. Ela disse que, antes que pudesse aceitar, o roteiro teria de ser aprovado por seu agente, depois por sua mãe, de quem ela é muito próxima. A seguir, pela mãe do agente. No meio das negociações, ela mudou de agentes; depois, mudou de mães. Ela é talentosa, mas pode ser problemática.
15 de junho:

Trabalho finalmente em curso. Filmei uma tórrida cena de amor entre Scarlett e Javier. Se fosse há alguns poucos anos, eu teria feito o papel de Javier. Quando mencionei isso a Scarlett, ela disse: "U-hu!", com uma entonação enigmática.
26 de junho:

Filmamos na Sagrada Família, a obra-prima de Gaudì. Estava pensando que tenho muito em comum com o grande arquiteto. Ambos desafiamos as convenções, ele com seus projetos de tirar o fôlego e eu usando um babador de lagosta no chuveiro.
3 de agosto:

O diretor é parte professor, parte psicólogo, parte figura paterna, guru. É então alguma surpresa que, após algumas semanas de filmagens, Scarlett e Penélope estejam interessadas em mim?
10 de agosto:

Dirigi Javier numa cena dramática hoje. Tive que ler as falas para ele. Enquanto ele me imita, vai bem. No momento em que decide atuar por conta própria, se perde. Depois chora e se pergunta como conseguirá sobreviver quando eu não for mais seu diretor.
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Um comentário:

Roberto Souza disse...

Não parece sério por um motivo simples: quando estes trechos foram distribuídos ao NYT houve um problema na transmissão (manchas solares, parece) e os dias foram misturados, havendo lapsos no final. Mas a assessoria de imprensa de Allen já providenciou a versão correta:

2 de janeiro:
Recebi uma oferta para escrever e filmar em Barcelona. Preciso ser cauteloso. A Espanha é ensolarada, e eu tenho sardas. Ela é arrebatadora e muito mais sexual do que eu imaginava. Durante a entrevista, minhas calças pegaram fogo. É então alguma surpresa que, após algumas semanas de filmagens, Scarlett e Penélope estarão interessadas em mim?

5 de março:
Ofereci o papel para Scarlett Johansson. O dinheiro não é grande coisa, mas o agente negociou para mim um décimo de 1% de tudo o que o filme fizer acima de US$ 400 milhões depois de cobertos os custos da produção. Quando mencionei isso a Scarlett, ela disse: "U-hu!", com uma entonação enigmática. Ela é talentosa, mas pode ser problemática.

2 de abril:
Trabalho finalmente em curso. Nenhuma idéia para Barcelona, a não ser talvez adaptar a história de dois judeus de Hackensack (Nova Jersey) que abrem uma empresa de embalsamamento por correspondência. O diretor é parte professor, parte psicólogo, parte figura paterna, guru.

15 de junho:
Encontrei Javier Bardem e Penélope Cruz. Se fosse há alguns poucos anos, eu teria feito o papel de Javier. Tive que ler as falas para ele. Ela disse que, antes que pudesse aceitar, o roteiro teria de ser aprovado por seu agente, depois por sua mãe, de quem ela é muito próxima. A seguir, pela mãe do agente. No meio das negociações, ela mudou de agentes; depois, mudou de mães.

26 de junho:
Filmei uma tórrida cena de amor entre Scarlett e Javier. Filmamos na Sagrada Família, a obra-prima de Gaudì. Enquanto ele me imita, vai bem. No momento em que decide atuar por conta própria, se perde. Depois chora e se pergunta como conseguirá sobreviver quando eu não for mais seu diretor.

3 de agosto a 10 de agosto:
Dirigi Javier numa cena dramática hoje. Estava pensando que tenho muito em comum com o Grande Arquiteto (do Universo). Ambos desafiamos as convenções, ele com seus projetos de tirar o fôlego (a Criação) e eu usando um babador de lagosta no chuveiro.