quinta-feira, 28 de agosto de 2008

sugar blues


Muita tinta foi gasta psicoanalisando-se a causa da bulimia de Diana. Está claro que sua aflição começou como um contra-ataque em represália às três pesadas refeições diárias, acrescidas do bolo da hora do chá em Windsor, cujos resultados eram fielmente retratados nas fotos diárias da "menina gorda" espalhadas pelo mundo inteiro. As revistas de celebridades de hoje estão cheias de rostos encovados de estrelas cujas silhuetas já foram proporcionais, que se transformaram, pela exposição ininterrupta, em fantasmas famélicos ressecados, presos a cabelos de aplique. Todos agora tinham os olhos voltados para a tímida Di, com suas maçãs do rosto tão vermelhas quanto os tapetes do palácio. Maltratar o corpo era como uma segunda natureza das mulheres na família de Diana - tal como escrever cartas de agradecimento. A bulimia, de uma certa maneira, é a greve de fome das meninas educadas. Primeiro você agrada seu anfitrião comendo com gosto, depois você purga seus pecados curvando-se e vomitando tudo. Depois de um tempo, é a purgação, e não a comida, o mais importante. Diana sempre disse que se sentia "mais calma", quase que sedada, depois de vomitar. Quando o casamento de sua mãe com Shand Kidd estava desmoronando, Frances muitas vezes "esquecia" de comer e, em vez disso, tomava líquidos no almoço. A anorexia de Sarah foi tão ruim para os impressionáveis anos do início da adolescência de sua irmã Diana que lady Elizabeth Anson, ela mesma uma bulímica "recuperada", recusou-se a contratar Sarah para um emprego na Party Planners. Lady Elizabeth acreditava que os pacientes com bulimia gastam toda a energia em mentiras secretas e protetoras e não queria ser acusada de piorar a situação de Sarah, que já era crônica.


Diana - Crônicas Íntimas,
de Tina Brown.
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Lembrei imediatamente este trecho da biografia da Princesa Diana, ao ler a notícia no UOL:

Fatia de bolo de casamento de Diana e Charles é leiloada.

Uma grande fatia de um bolo preparado para celebrar o casamento de lady Diana Spencer com o príncipe Charles foi vendida por 1.000 libras (cerca de R$ 2.980) em um leilão no Reino Unido.
A porção tem a forma de um quadrado com 23 centímetros e havia sido dada a Moyra Smith, uma faxineira da residência real de Clarence House, em Londres, por um chef da família real, em 1981. (...)
A fatia foi comprada por um colecionador privado do Reino Unido que deseja permanecer anônimo.
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3 comentários:

Anônimo disse...

bolo duro e gripe virtual

Um absurdo, mais caro que na la suissa eolha que deve estar duro,e esssa gripe acho que peguei da senhora , como pode, já sei espirrou na tela.Adorei o trecho que o roberto enviou... o calculador

Anônimo disse...

1-indiretamente voce está afirmando a probabilidade de que a fatia de bolo que vai a leilão ,não existiria hoje se lady dy não fosse acometida da bulimia
2-A familia foi proibida de comer o bolo
3-Lady dy fugiu com charles, no outro dia passou mal e pediu para tirar o bolo da geladeira.
4-Elton john achou o bolo brega.

Roberto Souza disse...

Fatias de bolo, fatias da vida...

Acho a história de Diana Spencer de uma fatalidade absoluta. Faço questão de citar-lhe sem o Lady ou Princesa. E de devolver-lhe o nome de solteria. Charles é o maior exemplo depríncipe desencantado que conheço, o único sapo que beijado se transformou em algo pior e mais feio.

Deve haver algo de Jocasta ou Electra nisso tudo. Ora parecia que ela era sua mãe, ora ele posava de seu pai. Encará-los como um casal sempre esteve fora de cogitação. Mas não temos em nossos escribas atuais Sófocles ou Eurípedes. Resta ler sobre o imbroglio em revistas de diversas nacionalidades, nas “Caras” de todos os cantos. O que na Antiguidade Clássica era tragédia, na época contemporânea vira escândalo. Ainda existe quem pense que nada foi perdido no caminho.

Lembro de ambos acenando na sacada do Palácio de Buckingham. A multidão em delírio acenando de longe (“Não me convidaram/Pra esta festa pobre”), testemunhando a materialização do moderno conto de fadas. Contudo não nos restou nem Branca de Neve, nem Cinderela. Não temos mais também Os Irmãos Grimm ou Charles Perrault. O que restava então para Diana? Naquele dia ela ainda dispunha de suas expectativas e de seus devaneios.

Aos poucos, cena após cena, ato sucedendo ato, ela tornou-se o personagem central desta tragédia anunciada. Vomitou tudo, menos a maça envenenada que lhe ofereceram. Atirou longe suas esperanças, sem conseguir fazê-lo com o sapatinho de cristal que já lhe machucava os pés. A morte de Diana, ou seu assassinato como alegam alguns, não foi num túnel parisiense. Investigando aí nada se encontrará. Mas que tal recuar no tempo e seguir seus passos após os acenos aos londrinos amontoados, quando o balcão esvaziou e as portas do Palácio foram cerradas? Que preço imputamos a alguns para acalentar nossos sonhos.

Lendo a notícia do UOL, é impossível evitar a sensação que o ciclo se fechou. Que tudo isso, no seu absurdo, apenas aconteceu para que uma fatia do bolo da noiva, dada a uma faxineira palaciana, fosse leiloada anos depois, dentro da nossa escala atual de valores. Ela varria a sujeira da realeza, sabia com quem lidava, nunca colocaria na boca uma maçã podre camuflada em guloseima. Exigir o que da teia do destino? Que em pleno século 21 Édipo assassinasse seu pai para dormir com a mãe? Ou que Electra matasse a mãe e o amante para vingar seu pai?

Não. Tempos Modernos. Restou apenas uma fatia ressequida da festa e um bater de martelo de leiloeiro. Uma princesa morta sem pavana e um príncipe vivo com cara de anfíbio. Como é difícil não vomitar...