Dia de faxina na casa e no Orkut - que às vezes é mais demorada do que a primeira, e isso é absurdo.
Começo e vejo que há recados sem resposta - vários! - de pessoas queridas ou apenas contatos virtuais que mandam aquelas mensagens automáticas cheias de bichinhos e tenha-fé-em-Deus-tenha-fé-na-vida. Antes eu respondia a todos, tinha mais tempo e mais dedicação às amizades das grades azuis, algumas delas transportadas também para este lado do paraíso, pessoas que, mesmo sem proximidade (ou aquelas de quem me reaproximei apenas virtualmente), sempre são companhia. Aí tento me desculpar pelo atraso e retorno as mensagens, mas nem sempre dá, claro. Como agradecer só agora, mais de cinco meses depois, a um Feliz Aniversário?
A verdade é que tô meio cansada, preguiçosa para conversar até por aqui. E olha que ao vivo tá bem pior, com esta gripe no-jen-ta e uma tosse a cada duas sílabas.
E tenho medo de ser mais interessante no Orkut & etc. do que na vida real.
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2 comentários:
E tenho medo de ser mais interessante no Orkut & etc. do que na vida real.
Começando pelo desenlace. Lembrando o quanto somos juízes tão severos de nós mesmos...
Mas quem somos nós afinal? Ou quantos somos, sem que isso represente algum vestígio de dissimulação?
Somos apenas o profissional responsável do trabalho? O parente sisudo no almoço dominical? A pessoa relaxada no meio dos amigos? O cidadão que protesta enfaticamente por seus direitos? O apaixonado que teme sofrer e acha melhor se afastar? O sujeito impaciente na fila do banco? O indivíduo que não suporta abrir a boca ao acordar? O Perfil simpático no Orkut?
Quantos Dr. Jekyll e/ou Mr Hyde residem em nós? Somos muitos e somos um?
E se uma dessas facetas isoladamente nos chama primeiro a atenção? Isso a invalida ou torna inexistente as demais? Digamos que apreciemos um jardim de múltiplas espécies de flores, variadas em forma e cores, mas nos fixamos de imediato numa gérbera ou num girassol. As outras desaparecem por causa disso? Ou torna ilusórias aquelas que primeiro nos atraíram? Com o tempo, todas acabarão caindo em nosso campo de visão, merecerão nossa avaliação. Teremos um panorama maior da paisagem, mais rico e abrangente. Mas as que inicialmente nos encantaram assim continuarão em meio à totalidade, pois sua beleza era genuína.
Se nosso primeiro contato com alguém é pelo Orkut, qual o problema? Ou somos apenas aquilo que nos parece negativo e menos glamuroso? Somos o trabalho, o almoço dominical, a roda de amigos mas não somos o Orkut? Somos o assustado, o impaciente, o calado e não somos o que mostramos nele?
Que juízes severos podemos ser quando nos colocamos sob uma rigorosa lente de aumento... O Orkut é a vida real, mesmo que através de um canal virtual. Assim como a atividade profissional, a reunião familiar, a camaradagem ou o jardim com gérberas e girassóis.
O importante é quando enxergam algo de bom em nós, seja isoladamente ou no somatório dos nossos variados aspectos e papéis sociais. E num destes, até nos Orkuts da vida, pode residir o que temos de essencial e maior, que nunca será prejudicado pelo resto, a não ser que esperemos uma perfeição divina ou falta de defeitos num semelhante. Assim, não há decepção pelo avistamento completo de uma paisagem. Rosas, margaridas, cravos, dálias, camélias, violetas, lírios, gardênias e etc. também são flores, inclusive com seus espinhos.
Somos, sem dúvida, os juízes mais severos de nós mesmos.
Mas o veredito, nesse caso, é INOCENTE.
SEM falar em quão é assombroso a invasão que a net proporciona , você reparou quantas pessoas visualizando um perfil de uma pessoa ... 1000 pessoas ... 1000 pessoas é um somatório de pessoas que passaram por minha vida sem nem fazer cócegas e estas provavelmente nem conhecem o autor do blog... isquisito e meio assustador... para mim.
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