quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

angry young man


Hoje, 25 de Dezembro, é dia de festa, de celebração e de presentes, mas acabei de ver uma notícia triste e impossível de ignorar. Morreu ontem, na Inglaterra, um dos mais importantes dramaturgos britânicos do século XX: Harold Pinter, aos 78 anos, vencido por um câncer.
Pinter foi revolucionário nos palcos ingleses e também escreveu e até atuou no cinema - como em Palácio das Ilusões, uma adaptação de Jane Austen por Patricia Rozema - sendo responsável, entre outros, pelo roteiro dos maravilhosos O Criado, de Joseph Losey, e A Mulher do Tenente Francês, de Karel Reisz.
Em 2005 foi premiado com o Nobel de Literatura, que recebeu fazendo um belo e contundente discurso em que criticava os planos bélicos de George W. Bush e Tony Blair.

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Aqui, na íntegra, o discurso:

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2 comentários:

Concertgebouw disse...

Num momento crucial da célebre corte marcial do Capitão Dreyfuss, que se mostraria um dos maiores erros judiciários da vida francesa, o escritor Émile Zola, que remando contra a corrente acreditava na inocência do réu, se confrontou com um alto oficial militar:

“O Senhor utiliza sua espada de metal e eu minha pena de ganso. Veremos de quem a História se lembrará”.

Nunca soube o nome ou a patente desse militar...

Menos de um século depois, Harold Pinter demonstrou que a melhor maneira de demolir os valores do establishment eram as palavras, ao invés de determinadas ideologias extremadas. Ele foi como um ácido que se atirou sobre a moral burguesa, corroendo as aparências, revelando os esqueletos que jaziam nos armários.

As revoluções políticas vêm, arrasam e instalam um novo status quo, com chavões mágicos que pretendem eternizar uma práxis social. Ainda falamos em várias delas, sabemos seus nomes, mas suas lições são duvidosas, pois os erros se repetem e as necessidades são recalcitrantes.

Mais uma vez a espada, empunhada na mão direita ou na esquerda, se mostra inútil no seu imediatismo brutal. Ainda acredito mais na pena do ganso, seja também na mão esquerda ou na direita.

Filipe Ceppas disse...

e as peças?! e as peças?! uma peça de Pinter vale mais do que a maioria das 500 peças que se encenam todos os dias sem nenhum sentido... Um dia, uma espectadora escreveu algo assim para o Pinter: "caro Sr.Pinter, não entendi nada de sua peça. Quem são aqueles personagens? O que eles querem? Qual o sentido do que eles falam? etc." E o Pinter respondeu: "Cara Sra. fulana de tal, não entendi nada da sua carta. Quem é a Sra.? O que a Sra. quer? Qual o sentido do que a Sra. escreve? etc."