quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

bizarre love triangles


É uma conclusão recorrente: desde mais os menos 1988 não se passa um ano em que eu não veja ao menos um filme de Woody Allen, e quase sempre gostando muito. OK, isso acontece também com Hitchcock, é verdade, mas o assunto agora é Woody.
Ontem, plena véspera de Natal, me dei um presente e fui ver, à tarde, sem pressa e numa sessão surpreendemente populosa (e eu achava que não ia dar quórum...) Vicky Cristina Barcelona, com o saldo final mais comum: saí ainda mais fã de Woody Allen do que ao entrar no cinema, e com ainda mais vontade de ver seus filmes.
É cheio de clichês de turistas-americanos-se-perdendo-na-liberdade-européia? É. Os personagens são estereótipos? São, mas não tão unidimensionais assim. Parece que o diretor, mais uma vez, homenageia outros de seus colegas, ao filmar ao estilo deles? Também.
Mas nada disso atrapalha, muito pelo contrário, e mais contribui para a alegria de ver um filme divertido, charmoso, com boas atuações de atores exatos para os papéis, trilha sonora ótima. Faz parte da diversão tentar identificar a "presença" de diretores europeus, sempre admirados por WA; se na década de '70 ele queria-ser-Ingmar-Bergman e em Memórias era felliniano, em Match Point se aproximava de Truffaut e, agora, chega muy cerca de Almodóvar, a referência mais óbvia (há até uma cena tão parecida com a participação de Caetano em Fale com Ela) e, talvez, de Eric Rohmer e sua busca pela liberdade amorosa, sem grandes dramas, sem grandes tragédias.
Saí do cinema feliz, e me lembrando de uma das declarações do diretor sobre o filme: "Já é bastante difícil conseguir viver com uma pessoa. Com duas, tende a ser mais complicado. Na vida real, a maioria das pessoas não pode conviver com essa situação. Mas, no cinema, dá para fazer isso."
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