
Eu nunca fui uma pessoa muito comunicativa, daquelas que fazem logo amizade com todo mundo, saem chamando qualquer pessoa de querida! e vivem dando abracinhos. Aliás, tenho é muita dificuldade com contato, toque, mesmo hoje sendo bem menos retraída do que antes.
Conversar com pessoas que não conhecia, então?! Eu, hein, nem pensar! Como num conto de Woody Allen, eu poderia ficar perdida numa cidade estranha durante anos, apenas por vergonha de perguntar onde estava.
Por isso não entendo quando alguém reclama quando fico muito tempo na internet, e olha que já fui bem mais assídua. A comunicação à distância foi salvadora até, em um momento difícil, e ainda hoje, num momento mais tranqüilo, tem sido grande companheira; o passo rumo ao encontro, como os dedos que se tocam de leve no afresco de Michelângelo. Com internet, Orkut & coisa & tal passei a gostar justo do que não fazia nunca: conversar com quem não me conhecia, iniciar relações em que as prioridades fossem invertidas - em vez de se escolher a imagem para depois conhecer o texto, haveria o interesse pelo texto para, só depois, conhecer a imagem. Que nem importa tanto afinal, porque o melhor é poder não ter imagem definida, ou poder ter qualquer uma.
E ter sempre a mesma imagem definida, corresponder sempre à imagem que têm da gente pode ser assustador, paralisante mesmo. Outro dia fui encontrada no Orkut por um colega do colégio que me perguntou se eu era aquela Alana do Alfredo Dantas, com quem ele havia estudado.
Um instante, maestro! Somando anos de Universidade, quilos perdidos e quilos ganhos, multiplicando olheiras, subtraindo noites de sono perdidas para plantões ou para dúvidas, novesfora nada...Ainda sou calada, minha letra ainda é muito pequena, ainda sou besta pra rir, ainda gosto de ovinhos de amendoim colorido. Com base nessas evidências, concordo: sou eu, sim.
Pode até haver um ou outro protesto, mas eu nem ligo. Quem decide o texto aqui sou eu. O resto é imagem.
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