sexta-feira, 11 de julho de 2008

nós que nos amávamos tanto


Concordo com o Roberto, comentando sobre os filmes românticos: Um Lugar ao Sol (A Place in the Sun, 1951) é um dos grandes filmes-de-amor sempre, e nem sei por que não o coloquei na lista. Mas é sempre assim, a gente acaba deixando de colocar justo alguns dos mais importantes, afe.
Vi o filme de George Stevens num Corujão da Globo, há milênios, e depois revi em VHS; cheguei a comprar uma reprodução em DVD, há dois anos, mas de qualidade sofrível e cheia de falhas, um horror que nem sei mais onde está. Mas a impressão que tive da primeira vez em que o vi permanece, ainda me emociona e ainda me pego fantasiando sobre as conversas entre Montgomey Clift e Elizabeth Taylor, o casal. Se o filme não tivesse todas as qualidades que tem, já valeria somente por tê-los reunido.
Liz (acho uó essa intimidade, mas vá lá) e Monty (idem) se conheceram durante as filmagens, ela já uma estrela, ele ainda iniciando a carreira no cinema, cada um com suas tormentas pessoais. Eram apaixonados? Gosto de pensar que sim, mesmo que fosse algo só platônico - Liz colecionava amores masculinos com o mesmo empenho que Monty parecia ter para afastar os femininos - mais pela beleza da imagem dos dois juntos. Mas o certo mesmo é que foram amigos, e dos mais próximos e leais, até o final da vida dele, em 1966, com apenas 46 anos e já bem diferente do jovem, romântico e ambicioso George Eastman.
Um dos momentos mais citados da amizade entre os dois atores é quando Liz praticamente salvou a vida de Clift, acidentado gravemente após seu carro se chocar contra uma árvore, ao sair de uma festa na casa da atriz e seu então marido Michael Wilding, em 12 de Maio de 1956. Liz foi logo avisada e correu para o local, ajudando no salvamento do amigo, com quem filmava na época o mais fraco dos filmes do casal, A Árvore da Vida (The Raintree Country, 1957). Clift não morreu ali, mas saiu da longa recuperação com o rosto bem diferente do que era, devido aos ferimentos, e viciado em analgésicos e álcool. Como se já não bastassem os sifrimentos que ele já tinha.
Sua carreira segue desde então ladeira abaixo, ao contrário da de Liz - sempre a estrela por antonomásia, como a apresenta o A&E Mundo. Ou melhor, a carreira dele como galã, porque vários dos filmes que faria depois estão entre os grandes momentos do cinema americano, como Os Desajustados, de John Huston, ou Julgamento em Nuremberg. Mas seu equilíbrio emocional, que nunca fora dos mais firmes, deterioraria como sua aparência, contribuindo para seu precoce fim como uma das histórias mais melancólicas de Hollywood.
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2 comentários:

Roberto Souza disse...

A cena da despedida de UM LUGAR AO SOL é pura poesia em forma de cinema.

A amizade romântica de Liz e Monty também era pura poesia, acima de qualquer forma.

O acidente de carro começou a matar Monty precocemente, debilitando seu ânimo nos anos seguintes. Assim como Ernest Hemingway buscou o suicídio conscientemente, quando seu estado físico não condizia mais com sua fama de aventureiro, o ator, ao perder boa parte do controle das suas expressões faciais, iniciou sua derrocada inconscientemente.

Assim, acho que ele gostaria mesmo de ser lembrado pela frase final de seu personagem George Eastman à amada Angela Vickers, no desenlace de UM LUGAR AO SOL: “Love me for the time I have left, then forget me” (“Me ame pelo tempo que ainda me resta, depois se esqueça de mim”).

Mas até alguns últimos pedidos são muitas vezes difíceis de atender, não é?

Anônimo disse...

'Um Lugar ao Sol' é magnífico. É o único dos meus vinte preferidos que não tenho em DVD. Mal posso esperar para que saia.