quarta-feira, 23 de julho de 2008

no! no! don't turn the projector off!


Além de todas as lacunas e daqueles gostos meio suspeitos - como preferir Marnie a quase todos os outros filmes de Hitchcock, ou amar aos musicais sobre todos os outros gêneros - há outras vergonhas na minha so-called cinefilia.
Por exemplo: eu não consigo lembrar, nunca-jamais-em-tempo-algum, qual foi a primeira vez que vi um filme no cinema. Digo, não consigo lembrar qual era o filme, talvez porque minha atenção estivesse mais voltada para o ambiente todo, nem tanto para a história que via. Só lembro que estava com meus irmãos, e que estava maravilhada com estar ali, naquele lugar taaaaão grande, olhando para aquela tela taaaaão grande, achando o máximo estar ali de tarde, cercada de taaaanta gente que ria e ria, da alegria que era estar ali. Não me lembro de adultos por perto. Do filme, apenas cenas dispersas de um carro caindo na água, de garotos de jeans aprontando travessuras, de um aviso em p&b antes de começar a exibição propriamente dita: "Censura livre para todas as idades."
Em seguida vêm lembranças mais exatas, de filmes dos Trapalhões (que eu adorava, de alguns até hoje ainda gosto), de E.T. e dos bonequinhos vendidos na porta do cinema, de Karate Kid e de uma paixonite pré-adolescente por Ralph Macchio.
O cinema sempre foi associado a diversão, para mim, mesmo quando parecia ser uma coisa mais séria - por exemplo, quando meu irmão mais velho me levou pra ver Ópera do Malandro, "porque tem música de Chico Buarque" & tal.
Talvez por isso nunca tenha conseguido ser uma cinéfila "de verdade", do tipo "todo filme é objeto de estudo", como quer o senhor retratado na foto do post anterior, Romero Azevedo. Todo filme, todo cinema, pra mim, é objeto de amor, mesmo quando nem gosto muito, porque no cinema, na tela grande, qualquer filme parece melhor do que é.
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Um comentário:

Roberto Souza disse...

Há alguns anos fui convidado a dar uma série de cursos sobre História do Cinema para grupos da chamada “terceira idade”. Um público tão maravilhoso quanto as crianças, uma excitação e entusiasmo no olhar sem igual. Uma das primeiras perguntas que me fizeram foi o que definiria exatamente um “cinéfilo”.

Como nunca discuti com a verdadeira intuição, principalmente a que chega sem ser convidada, pois sempre encontra as portas abertas, preferi, ao invés da resposta tradicional, dizer que “cinéfilo é aquele que ama o cinema e extrai o máximo prazer desse sentimento”.

Assim, o primeiro filme que vimos, e muitas vezes não lembramos o título, torna-se uma espécie de primeiro amor anônimo. Daquele que nos marca além do reconhecimento, se insere nas nossas memórias de forma natural, pela emoção, pois para ele estão eternamente abertas as portas do coração.

Um filme é um estado de espírito.

P.S. MARNIE realmente é um problema muito sério... rsrs Mas como os musicais solucionam tudo, o que menos existe na sua cinefilia são “vergonhas”.