quinta-feira, 13 de setembro de 2007

burn, baby, burn!


Antes de qualquer coisa: eu não compro CDs ou DVDs piratas, por motivos éticos - para não me sentir colaborando com um crime - e estéticos - gosto dos encartes, dos extras, dos detalhes que só há nos originais. E, pra completar, o DVD aqui de casa é autoritário a ponto de já haver resolvido qualquer dilema: ele simplesmente não lê os piratinhas, nem aqueles de festas da família.
Mas isso não me impede de ter achado no mínimo estranha uma manchete do jornal, hoje de manhã:
"MAIS DE 30 MIL CD E DVDs SÃO DESTRUÍDOS
Combate é pirataria/ Produtos foram recolhidos nos últimos 60 dias, no Centro da capital; MP e Prefeitura querem tornar esse trabalho rotineiro"

A matéria informa que a destruição dos produtos faz parte das ações de combate à pirataria na cidade, e que o material, por ser ilícito, fora apreendido nas ruas de João Pessoa e guardado na Central de Polícia; por falta de espaço para mais do mesmo, era necessário um novo destino para os CDs e DVDs, além de representar uma ação simbólica da repressão à prática de reprodução e comercialização ilegais. Sedundo a Curadoria do Consumidor, "esta foi a primeira destruição do ano e não vamos parar enquanto vermos[sic] estes produtos sendo vendidos no meio da rua."

Pirataria é crime, claramente, e não estou querendo justificá-la, mas até que ponto são válidas ações deste tipo? O que está fazendo com que aumente tanto o consumo desses produtos? As pessoas que os vendem nas ruas - os famigerados carrinhos que vendem aqueles CDs toscos, por exemplo - são os maiores culpados? Quem realmente lucra e quem realmente perde com a pirataria? Queimar filmes e discos não é meio medieval, não?
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imagem: os bombeiros de Ray Bradbury e Truffaut, em Fahrenheit 451(1966).
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3 comentários:

Moacy Cirne disse...

Minha cara, também sou contra a pirataria (comercializada). Mas concordo com suas observações. Ah, sim, sou um grande admirador de Bradbury. Beijos.

Anônimo disse...

Assisti ontem a Farenheit 451. Ainda não havia visto esse filme. É uma história genial, embora os efeitos especiais estejam datados. Penso que, no geral, isso também não importe muito. O que mais gostei do filme fora o seu final. A idéia de existirem "Book People" me intrigou bastante. Já havia pensado algo parecido sobre músicas, mas não sobre livros. Lembrei-me de um personagem da "idade da Razão" que quer decora alguns verbetes de um dicionário, todos os dias, a fim de ampliar seu conhecimento e, posteriormente pense em roubar o livro. Uma pessoa, um livro. E a permanência da cultura oral - algo que nos remete aos primórdios da humanidade, à Grécia pré-Homero.

Anônimo disse...

Quanto à pirataria, também sou, esteticamente, desfavorável a ela, mas não eticamente. Acho que piratear uma obra cultural, como um livro, um filme ou um cd trata-se de uma espécie de "direito de resistência" à essa sociedade que tudo transforma em dinheiro. Além disso, o direito à cultura é ainda mais fundamental que o direito à propriedade intelectual, de maneira que não vejo ilicitude no ato de xerocopiar um livro para poder estudá-lo, por exemplo. Ou baixar músicas da net, ou gravar um filme de uma TV ou produzir uma cópia em DVD. Penso que se os preços fossem mais accessíveis e, principalmente, as condições financeiras fossem mais favoráveis, todos comprariam seus livros, DVD´s e Cd´s, ainda que por motivos estéticos.