
Um dia você se dará conta que a vida toda é realmente cinema.
E o cinema é um excelente meio para se vingar da vida.
Lembrei ontem essa frase de Orson Welles, quando conversava com um amigo sobre "o que você tem assistido?" Nas últimas semanas não vi nada de novo, nem ao cinema fui, mas tenho revisto alguns filmes que vira há tempos - não, eu não entendo o preconceito contra reprises.
É algo que se repete: há períodos em que prefiro rever, reler, ter sensações de segurança, de reconhecimento, como a que se tem ao dobrar a esquina da rua de casa, voltando. Essas fases costumam demorar pouco - cada vez têm passado mais rápido, o que deve ser bom, se significar maior agilidade em resolver as questões que as deflagram. E são sempre acompanhadas de filmes, ao menos de certo tipo de filmes - cada fase tem o seu, que nem nelas eu perco meu lado obsessivo.
Podem até dizer que é escapismo, ou passividade (é mais fácil mesmo sentar e ver um filme que sair e dar uns gritos), mas sou grata sempre pelo que o cinema me deu e dá. E pela emoção que dá a cada vez que consigo sair da letargia e me encantar de novo, me apaixonando repetidas vezes ao ser novamente tocada por imagens, sons, pela união desses simples pontos de luz refletidos na tela, projeções, sombras, ilusões, que podem estar na tela grande do cinema ou na minha TV; ou, até mesmo, se eu me levantasse e ficasse de pé diante da projeção, com uma blusa branca, com o filme passando em mim...
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imagem: New York Movie, de Edward Hopper.
(em que eu sempre vejo mais composições abstratas que figurativas )
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