domingo, 30 de setembro de 2007

on ne meurt d'amour qu'au cinéma



A beleza não é lugar de perfeição, diz um poema de Eugénio de Andrade.
No início dos anos 1960, havia um casal capaz de contradizer o poeta português: o francês Alain Delon e a austríaca Romy Schneider, juntos desde o final da década de '50.

Romy.
Os dois se conheceram ao filmarem juntos Christine (1958), mais uma das operetas que a mãe/empresária da atriz escolhia para a filha, que se tornara uma das grandes estrelas européias da época, com sua beleza de princesa alpina. Magda Schneider não aprovava o romance, mas Romy não cedeu a seus argumentos e deixou a Alemanha, onde morava a família, indo morar em Paris, onde se tornaria constante alvo dos fotógrafos e, também, onde consolidaria sua carreira e se tornaria, anos depois, uma grande atriz e uma grande estrela.
Romy encantou, além das platéias, celebridades como Coco Chanel e um diretor fundamental tanto para ela quanto para Delon, o italiano Luchino Visconti. Com os dois, ela faria o primeiro papel menos "inocente", na peça "Domage qu’elle soit une putain", de John Ford, e faria com Visconti um ótimo episódio no filme Bocaccio '70 (1963), que mostrava seu lado menos Sissi, mais sensual. Aliás, seria justamente Visconti que permitiria à atriz retornar ao papel que lhe deu fama, vivendo mais uma vez Elizabeth da Baviera, ou Sissi, agora com menos romance e mais próxima da realidade da princesa, em Ludwig (1972).


Romy, a imperatriz.
A década de '60 foi um período particularmente brilhante para o cinema europeu, e Alain Delon e Romy Schneider brilhavam mais do que quase todos, com sua beleza, charme, talento e, claro, por representarem a fantasia de casal perfeito de tantos fãs.
Mas a distância e os ritmos de trabalho seriam os argumentos que o ator usaria para a deselegante traição pública que faria, ao se deixar fotografar em Madri com uma atriz com quem contracenava - Nathalie Barthelemy, depois Delon, com quem se casaria logo depois. Romy estava filmando em Paris.
Há quem diga que ela nunca se recuperaria totalmente da traição, e este foi apenas um dos golpes que teria que enfrentar nos próximos anos, com casamentos fracassados, mortes trágicas (como a de seu filho David, no início dos anos '80), depressão e alcoolismo.


Romy e seu destino.
No final dos anos '60 Delon a convidaria a protagonizar com ele o que seria um grande sucesso, o suspense A Piscina (La Piscine, 1968), de Jacques Deray, e desde então se tornariam amigos até a morte da atriz, em 1982 (de coração? de overdose? suicídio?).
Por ocasião da morte de Romy, Delon faria publicar nos maiores jornais franceses uma amorosa carta de despedida à atriz, que estava em um momento de grande sucesso profissional, era uma das grandes estrelas européias, mas imersa em tristeza profunda pelas perdas pessoais.
Este ano, no Festival de Cannes, mais uma vez ele faria homenagem à atriz. Chamado para apresentar o prêmio de Melhor Atriz, Alain Delon emocionou a platéia ao enumerar as atrizes com quem trabalhara e perguntar-se o que seria dele, como homem e artista, sem as mulheres? Em seguida, pediu para homenagear, em uma só, todas as atrizes, todas as mulheres do mundo - e lembrou que naquele dia, há 25 anos, morrera Romy Schneider. Mais do que um amor da sua juventude: o amor.

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(para mãeinha, que é louca por Sissi!)
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