
Em 2002, ao anunciar o espetacular desfile que sinalizaria sua "aposentadoria" do mundo da moda, o estilista Yves Saint-Laurent apontou a presença de interesses comerciais cada vez mais ávidos e menos "sensíveis" como uma das razões de seu afastamento (parte da marca YSL havia sido vendida a mais um dos grandes conglomerados que hoje dominam o setor).
Cinco anos depois, outro dos grandes, clássicos e visionários estilistas, do grupo que fez da moda algo mais culturalmente relevante anuncia sua saída: Valentino Garavani. Como acontecera antes com o estilista franco-argelino, a marca Valentino também foi vendida a um grupo maior, que resolveu optar por um caráter mais "jovem e comercial" - Valentino será substituído pela estilista Alessandra Facchinetti, que já declarou admiração, respeito, reverência etc. ao criador da marca.
Sempre lembrado pelos fantásticos vestidos vermelhos, Valentino não chega a ser tão reverenciado quanto, por exemplo, Saint-Laurent ou Cristobal Balenciaga, ficando mais próximo aos também italianos Versace e Giorgio Armani. Mas suas criações belíssimas, vistas em mulheres como Jacqueline Kennedy, Sophia Loren, Cate Blanchett, são referências de elegância e luxo, e cada vez mais se vêem modelos vintage voltando à cena, geralmente em cerimônias como a da entrega dos Oscars - quem esquece o preto&branco de Julia Roberts ao receber seu prêmio de Melhor Atriz? ou Jennifer Lopez quase elegante, naquele verde-água de um ombro só, já usado antes por Jacqueline Kennedy (mas o penteado valley-of-the-dolls pôs tudo a perder...)?
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imagem: Gisele Bundchen, em campanha de alguns anos atrás.
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2 comentários:
A moda - ou o mundo da moda - é uma de suas paixões? De qualquer maneira, o seu (bem escrito) texto não é o de uma pessoa leiga no assunto... Abraços.
Moacy, caro, acho a moda bem menos fútil do que parece ser. Se "neste mundo, só a beleza faz sentido", como já disse Leminski, todas as formas de encontrá-la são admiráveis. Beijo!
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